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Quem é o Verdadeiro
Bobby Brown?
O
ano de 1991 terminou não com uma celebração, mas com um choque quando John
Houston casou-se com Peggy Griffith no dia 28 de dezembro. O casamento
aconteceu no condomínio de John em Fort Lee, Nova Jersey, presidido pelo
Reverendo Harry Spellman da Macedonia Church of Christ. Havia menos que uma
dezena de convidados e nenhum membro da família imediata de John, nem seus
filhos e certamente nem Whitney. De comum acordo, todos boicotaram as núpcias.
Quando a imprensa tentou abordar Whitney para um comentário, foram
surpreendidos com um silêncio sepulcral e frio da Família Real.
Em um dos raros momentos em que
Robyn interagia civilizadamente com Regina, ela disse que John só tinha se
casado com Peggy porque ficou sabendo que Cissy estava tendo um caso com o
pastor de sua igreja e queria magoá-la e envergonhá-la tanto quanto ela o tinha
envergonhado. Embora estivessem separados há muitos anos, John ainda sentia
certo “domínio” no que dizia respeito à Cissy, e o caso o enfureceu e humilhou.
Ele ainda queria que a mídia acreditasse que os Houstons eram uma família
cristã amorosa, unida e temente a Deus, que adoravam a Deus e se abraçavam em
momentos de necessidade.
Muitas vezes em diferentes
eventos públicos e reuniões de negócios, vi John andar de um lado para outro
com ares de superior, humilhando as pessoas, dando ordens insultuosamente como
um sargento, fazendo com que todos soubessem que ele estava encarregado da Nippy, Inc., e conseqüentemente de Whitney.
Uma vez eu disse a Regina, “Sabe, John daria um belo ditador em algum pequeno
país de terceiro mundo!”
Mas por toda sua pompa e
devaneios bombásticos, ele se sentia diminuído por trabalhar para sua filha,
que sem ela, ele estaria de volta a Newark fazendo um trabalho braçal. Ele
estava ganhando $125.000 dólares por ano como seu “empresário,” mas isso era
insignificante perto do que Whitney ganhava. “É só uma troca idiota,” um membro
da Família Real me disse. “Ela está lhe jogando um osso para que ele não se
sinta um fracasso total.”
Depois que John casou-se com a
ex-empregada de Whitney, ela entrou em depressão profunda e ficou isolada em
sua casa sem falar com ninguém exceto Robyn, Regina, e alguns poucos amigos
mais chegados.
Whitney sentiu-se traída por
seus pais. A turnê de 91 havia provado ser uma amarga decepção, a primeira vez
que uma turnê de Whitney Houston não havia sido um sucesso. Por ela ter
terminado do jeito que terminou, foi quase mais do que Whitney podia suportar.
As festividades de fim de ano foram muito tristes para a Família Real em 1991 e
Whitney estava temendo o que 1992 lhe reservava.
Como eu havia previsto em
Londres, assim que Whitney voltou, ela entrou em contato com Bobby. Se em algum
momento alguém precisava de um pouco de amor e carinho, esse alguém era
Whitney, e obviamente o bad boy Bobby Brown sabia bem como aplicá-lo. Ele
estava morando em Atlanta com o seu filho, Landon, e seu pai, Herbert.
Depois que seu caso tornou-se
público, Whitney disse a um repórter que havia se sentido atraída por Bobby
desde o princípio porque ele era muito diferente e porque ele não a colocava em um pedestal como a
maioria dos homens. “Antes de conhecer Bobby, eu sempre esbarrava com aquela
atitude ‘Como posso te mostrar que eu valho a pena?’ dos caras, mas com Bobby
foi simples. Ele sabia que o que eu precisava era de amor.”
Whitney embarcava para Atlanta
para ver Bobby, mas ligava para Regina antes para pedir que se Robyn
perguntasse por ela, para ela dizer que “não sabe onde estou.” E Robyn ligava.
E ligava. Ela exigia saber onde Whitney estava, mas Regina não dizia. “Se ela
quisesse que soubesse onde ela está, ela mesma teria dito.”
Eu podia ouvir Robyn xingando e
gritando pelo telefone: “Sua vadia mentirosa. Vou te dar uma surra!”
“Vai se foder, sua sapatão,”
Regina revidava. “Não tenho medo de você.” Ela desligava, e segundos depois
Robyn ligava novamente, mas Regina não atendia. Ela deixava a secretária
eletrônica atender. Robyn gritava obscenidades, ameaçando Regina com danos físicos
e até mesmo de morte a menos que ela atendesse ao telefone e dissesse onde
Whitney estava. Regina só ria. Ela adorava atormentar Robyn e agora ela podia
fazê-lo com a benção de Whitney. As ligações continuavam a noite inteira, mas
nós desligávamos o som para não sermos incomodados.
Um dia eu estava no apartamento
de Regina sozinho quando Robyn ligou, e ela parecia tão infeliz, meu coração se
compadeceu dela. Quando ela percebeu que eu não ia desligar o telefone, ela
começou a chorar e disse que seu coração estava sendo partido. Ela disse que
sabia que Whitney estava com algum cara, e que suspeitava que fosse com aquele
gangster punk, Bobby Brown.
Ela disse, “Sou a única pessoa
na vida de Whitney que deu a ela amor incondicional; todos os outros a usam,
até mesmo os pais dela. Principalmente os
pais dela. Ambos pegam carona na aba dela. Se não fosse por Whitney, eles
estariam vivendo de auxílio-desemprego. Não entendo por que ela os sustenta.
Eles nunca a ajudaram – financeiramente, quero dizer. Só depois de ela começar
a ficar famosa que eles começaram a mostrar todo seu pseudo-apoio e a louvar a
Deus por sua talentosa pequena Nippy. Quando Whitney e eu nos conhecemos, era
bem diferente. Nós morávamos em uma quitinete suja minúscula, sem geladeira e
pouquíssima comida, mas ninguém nos ajudava. Ninguém nos estendia uma mão
amiga. A única mão amiga que já ofereceram a Whitney foi a minha.”
Ele prosseguiu dizendo que todos
os Houstons a odiavam e queriam que ela morresse; eles a culpavam por Whitney ser
gay. “Mas ela é mais bi que gay,” Robyn disse. “Ela gosta de homens também e
isso acaba comigo.”
Robyn tinha bons motivos para
estar preocupada. A amizade entre Whitney e Bobby estava desenvolvendo-se rapidamente
em algo muito mais profundo. Ela passava todo tempo livre com Bobby e falava
abertamente à imprensa sobre ele. E isso era algo que ela nunca tinha feito no passado, considerando o que sentia pela mídia.
Mas de repente fotografias começaram a aparecer nos jornais de uma Whitney
sorridente agarrada ao braço de Bobby e praticamente sussurrando, “Ele é um
homem legal, pé-no-chão e sexy.”
Quando estava no apartamento de
Regina, percebia que ela às vezes levava o telefone para o banheiro para falar,
e quando perguntava, ela dizia, “Não é nada,” mas eu sou um cara curioso, então
um dia eu fiquei à porta e ouvi. Ela estava conversando com o editor de um dos
jornais, vendendo informação sobre Whitney e Bobby!
Isso me chocou e eu passei a
ouvir outras vezes que ela atendia ao telefone no banheiro. Em várias ocasiões
ela contava histórias sobre Michael Jackson também. Sabia que ela era amiga do
agente de publicidade de Michael, Bob Jones, e em muitas ocasiões ele ligava e
contava a ela o fiasco mais recente na vida de seu cliente. Regina então ligava
para os jornais e relatava a história, mudando apenas o bastante para que Jones
não soubesse de onde vinha a notícia.
Eu finalmente a confrontei
porque senti que o que estava fazendo era errado. Ela não só estava traindo sua
patroa, Whitney, como também sua amizade com Jones. Ela simplesmente deu de
ombros e me mandou crescer. “Muitas estrelas plantam histórias de si mesmas nos
jornais. Vamos encarar os fatos, onde mais eles conseguem dez milhões de
leitores por semana. É muita publicidade, querido.”
Por causa de sua amizade com Bob
Jones, eu soube a respeito das alegações contra Michael Jackson muito antes de
tornarem-se publicas. Rumores vinham flutuando há anos a respeito da
preferência sexual de Michael, ou até mesmo se ele tinha alguma, e era notório
no ramo que ele era gay. Era também do conhecimento de todos que ele se
importava profundamente com crianças e que tinha doado milhões de dólares para
diferentes instituições de caridade em favor delas. Mas descobrir que sua
preferência sexual era por crianças
veio como um choque para muitas pessoas.
“Isso vai destruir a carreira
dele,” Regina disse.
Pela primeira vez em muitos
meses, Whitney estava feliz e aguardando ansiosamente por seu futuro. Ela
decidiu que estava na hora de assumir um compromisso sólido com Kevin Costner a
respeito de fazer o filme com ele. Sua desastrosa turnê de 1991 deixou uma
cicatriz profunda, e ela queria distanciar-se da música por um tempo. Seu caso
com Bobby era sua experiência mais gratificante e ela dizia a todos que queria
casar-se com ele e ter “muitos e muitos filhos.”
A mídia entrou em um crescente
frenesi, brigando uns com os outros, tentando cavar qualquer informação que
pudessem sobre o novo homem na vida de Whitney. Quem era esse jovem bad boy do
hip-hop que tinha conseguido o que nenhum outro homem tinha sido capaz de fazer
– roubar o coração da Queridinha da América? Ele nasceu Bobby Baresford Brown
em 1969, o que o tornava seis anos mais novo que Whitney, apenas vinte três
anos de idade aos vinte nove dela. Era uma grande diferença de idade e alguns
tablóides acusaram-na de pegar um menino novo o bastante para que ela pudesse
criá-lo a sua maneira.
“Bobby nunca foi um garoto,”
disse o produtor Teddy Riley. “Ele nasceu e se criou na rua. Ele estava
correndo com as gangues quando tinha dez anos de idade, e com doze, já havia
sido esfaqueado e baleado e já tinha visto muitos de seus colegas serem
assassinados na rua.”
A mãe de Bobby, Carole, disse
aos repórteres que a única coisa que manteve o seu filho vivo foi o sonho de um
dia tornar-se um cantor famoso. Em meados dos anos oitenta, quando estava com
cerca de quatorze anos, ele juntou-se a um grupo chamado New Edition, uma
versão rap e rústica do antigo Jackson Five. Eles eram bem famosos para um
bando de garotos, especialmente com as adolescentes, mas Bobby queria mais. Ele
não queria apenas ser “só um dos caras.” Ele queria uma carreira solo, então em
1986 ele deixou o grupo e saiu por conta própria. Foi uma boa jogada. Seu
primeiro disco, “My Prerogative,” chegou ao topo das paradas. Ele tinha acabado
de fazer dezessete.
Seu primeiro álbum não foi tão
bem como esperava, mas seu segundo, Don’t
Be Cruel, vendeu oito milhões de cópias em 1988. Durante sua turnê ele
rasgava o palco com seus giros sensuais e movimentos lascivos das mãos
(simulando masturbação), conferindo-lhe o título de “Bad boy atrevido do
R&B,” que logo foi encurtado para “Bad Boy.”
Na turnê mundial de 1989 ele foi
preso na Geórgia por “comportamento lascivo e licencioso,” o que fez ‘cair sua
ficha’. Ele decidiu que era melhor estabelecer suas prioridades se quisesse se
tornar um grande astro. Quando conheceu Whitney mais tarde naquele mesmo ano no
Soul Train Music Awards, ele percebeu que a bela diva do pop era sua prioridade
número um e determinou-se a conquistá-la. Não ia ser fácil, não com Robyn e
Cissy contra o relacionamento. Cissy o achava “só um garotinho” e incompatível
para completar. Ele tinha dois filhos fora do casamento e não mostrava sinais
de comprometimento. Ele era “feio e vulgar” no palco, fazia careta para as
convenções, e Cissy duvidava seriamente se ele alguma vez já tinha posto os pés
em uma igreja.
Ela tentou avisar Whitney sobre
Bobby, mas sua filha não estava ouvindo nada do que sua mãe tinha para dizer,
não sobre sua carreira ou sobre sua vida amorosa. Enquanto muitos se rebelam na
adolescência, Whitney estava se rebelando agora nos seus vinte e muitos anos.
Ela tinha estado sob o controle de sua mãe por tempo demais, e não queria mais
isso. Ela achava a interferência de Cissy em sua vida intrusiva e irritante,
então passou a excluí-la completamente. Ela era uma mulher adulta de quase
trinta anos, ganhando uma quantidade impressionante de dinheiro, e conhecida em
todo o mundo. Então, quem era Cissy para dizer a ela o que fazer?
Robyn tinha usurpado o poder de
Cissy há muito tempo, deixando-a sentir-se indesejada e sem importância. Ela
reclamava com os amigos que não conseguia chegar perto de sua própria filha sem
antes marcar uma hora e que “a opinião de uma mãe não valia de nada mais.” Mas
isso não a impediu de verbalizá-las para qualquer um que quisesse ouvir. Ela
detestava que no primeiro grande papel de Whitney no cinema ela tivesse um caso
inter-racial. Ela dizia para os amigos que não queria ver sua filha envolvida intimamente
com um homem branco, acrescentando, “Nós todos trabalhamos muito para nos
arriscarmos dessa maneira.” Como sempre, ela estava tentando se colocar no
lugar de sua filha, como se fosse o seu filme, seu primeiro papel principal,
ela tinha sido a que tinha trabalhado muito para ter essa chance. A triste
verdade era que ela não desistia. Este era o mais perto que havia chegado da
fama, e agora ela estava sendo empurrada até mesmo para fora do brilho distante
do foco de luz.
Em fevereiro de 1992, Whitney
voou para Miami para o início das filmagens de The Bodyguard, mas antes de partir, contou a seus pais que estava
grávida e que Bobby Brown era o pai. Regina me disse que Cissy “pirou. Ela
ficou furiosa e começou a berrar e delirar sobre o quanto Bobby era um punk e
que esse relacionamento nunca ia dar certo – foi o maior erro da vida de
Whitney.” Mas Whitney disse a Cissy que estava apaixonada, que ia ter esse
bebê, e fim de papo!
Kevin Costner estava produzindo
sozinho o filme e tinha feito bem o seu dever de casa. Como era hábito seu com
qualquer papel que pegava, ele tinha pesquisado meticulosamente, aprendendo
tudo o que podia sobre a ocupação perigosa de um guarda-costas. Ele tinha
contratado guarda-costas para si no passado e entendia a relação entre
segurança e celebridade. Como outros grandes astros, Costner havia tido sua
parcela de fãs excessivamente zelosos e havia sentido o medo que vem de estar
cercado de milhares de estranhos gritando histericamente, todos querendo um
pedaço dele.
“Há sempre um elemento de medo
quando uma celebridade sai em público,” ele disse. “Todos nós nos lembramos de
John Lennon, Rebecca Shafer, os Kennedys, os Presidentes Ford e Reagan, e
tantos outros que foram baleados ou mortos por lunáticos dementes. É assustador,
mas saber que temos um guarda-costas ajuda.”
Whitney concordava. Diversos
guarda-costas sempre viajavam com ela, e ela tinha reforçado sua segurança
ainda mais depois do fiasco em Kentucky. Tanto ela quanto Costner entraram no
filme com uma boa bagagem pessoal sobre estrelas e guarda-costas, e lhes
serviria bastante durante as filmagens.
No final de março, menos de um
mês de filmagens, Whitney sofreu um aborto espontâneo. Bobby estava gravando em
Atlanta quando ela ligou para ele, e ele correu para Miami. “Foi quando a
Família Real começou a acreditar que talvez este rapaz estivesse realmente
levando Whitney a sério e ela a ele,” Regina disse. “Até aquele momento, todos
nós achávamos, ‘Ah, ele é apenas mais um bonequinho. Ela vai se cansar e tudo vai
voltar ao normal.’”
No entanto, não foi esse o caso.
A tragédia os aproximou ainda mais. Whitney ficou de coração partido. Ela
queria filhos, e o mais importante, que fossem filhos do Bobby. Deprimida e
triste, ela sempre ligava para Regina, chorando pelo telefone. Não mais que
dois dias depois de seu aborto, o National
Enquirer chegava às bancas com esta manchete: “Whitney Houston Grávida
Perde Filho de Seu Amor!”
Whitney ligou para Regina em
fúria, exigindo saber quem na Nippy, Inc. a havia traído. Ela sabia que tinha
de ser alguém de dentro a vazar a informação, pois bem poucas pessoas sabiam.
Regina prometeu investigar, mas eu suspeitei que fosse ela mesma. Ela já vinha
vazando artigos para os jornais há anos, e para encobrir-se ela sempre pedia que
o cheque viesse nominal a um de seus parentes ou amigos para que não pudesse
ser rastreado até ela.
Jornais legítimos começaram a
ligar para Whitney e pedir que confirmasse ou negasse o artigo do Enquirer, mas ela disse a eles que não
queria discutir sua vida privada, na esperança de que eles a deixassem em paz
em uma hora tão trágica. Ela já devia ter se preparado. Seu silêncio só fez
estimular o apetite deles, então ela relutantemente falou com um repórter do USA Today, esperando que assim todos os
outros repórteres saíssem de cima dela.
“Digamos que eu tenha tido um
aborto espontâneo. Isso é da minha conta.
Sabe o que estou dizendo? Acontece apenas que aconteceu enquanto eu estava
fazendo um filme, em um set de filmagem. As pessoas ouvem falar e ligam para os
jornais e contam para eles. Abortos acontecem às mulheres o tempo todo.
Acontece que eu sou essa – essa pessoa,
Whitney Houston.”
As filmagens de The Bodyguard continuaram e Whitney
mergulhou por completo no trabalho, esperando afastar sua mente da perda do seu
bebê. Bobby ligava todos os dias e voava para a cidade quando sua agenda
permitia. Eles saíram para jantar uma noite, e no caminho de volta pra casa,
Bobby pediu sua mão em casamento. Ele estendeu uma caixa com uma pequena
aliança e um modesto diamante e de certa forma conseguiu manter um semblante
sério até que ela dissesse sim. Depois, rindo como uma criança, ele jogou
aquele fora e sacou um magnífico diamante de dez quilates que a deixou sem
fôlego.
“Ele é simplesmente tão fofo,”
Whitney disse a Jamie Foster Brown, editora de Sister 2 Sister. “Ele brincou comigo como se eu fosse um Atari.”
“Eu só queria ver se ela se
casaria comigo mesmo que eu não tivesse nada,” ele disse sorrindo.
“Eles são duas crianças,” Jamie
Brown diria mais tarde, comentando sobre a referência de Whitney ao jogo Atari.
“No esquema das coisas, nunca lhes foi permitido desenvolver em termos de
crescimento da personalidade como uma pessoa normal.”
Quando eu ouvi falar do noivado,
sabia que a merda ia bater no ventilador, e bateu. Estava em Los Angeles com
Regina, e enquanto ainda estávamos deitados na cama pela manhã, bem cedo,
ouvimos alguém socando a porta no andar de baixo. Eu atendi e Robyn estava lá
parada, parecendo a morte. Seu rosto estava desfigurado e seus olhos estavam
inchados e fundos. Disse a ela que Regina e eu ainda estávamos na cama, mas que
subisse se quisesse conversar.
Ela começou a chorar então, engolindo
soluços histéricos que tremiam todo o seu corpo. Ela se curvou, apertando o
estômago como se estivesse sentindo dor física real enquanto cambaleava escada
acima comigo. Fiquei preocupado e achei que ela podia estar tendo uma crise de
apendicite ou coisa parecida e perguntei se queria que eu chamasse um médico.
“Não,” ela resmungou, e sua voz
estava muito baixa, como de uma pessoa moribunda se esforçando para falar. “Não
vou deixá-la fazer isso. Ela não pode se casar com Bobby. Não vou permitir.”
Ela ainda estava dobrada,
apertando o estômago, e lágrimas estavam encharcando seu rosto. Pus meu braço
em torno de seus ombros e gentilmente a conduzi até a cama e pedi que
descansasse um minuto. Ele se deitou de lado, trazendo seus joelhos para perto
do peito e apertando-os com seus braços em volta deles. Ela estava gemendo e
tremendo, seus ombros se elevando de dor. Ela continuou resmungando sem parar, “Ela
não pode fazer isso – eu não vou deixá-la fazer isso, ela não pode casar-se com
ele.”
Eu estava muito desconfortável e
me sentindo como um peixe fora d’água. Não sabia o que fazer então desci para
ver se fazia um café. Senti que devia deixar as duas mulheres juntas por isso
me ocupei enquanto permaneciam lá em cima. Mais ou menos meia hora depois, elas
desceram e Robyn já tinha se recomposto. De fato, ela parecia bem mais com a
velha Robyn que estava acostumado a ver. Ela agradeceu e foi embora.
Olhei para Regina e ela balançou
a cabeça e disse, “Ela está mal, querido. Ela disse que se Whitney insistir
nesse casamento, ela se mata.”
Quando eu voltei para Chicago,
Whitney me ligou e disse que não tinha esquecido sua promessa de gerenciar
minha carreira artística. Ela disse que tinha ficado encantada com minha voz
quando cantei com Patti LaBelle e que achava que eu tinha o que era necessário
para ser um grande astro. Ela estava ocupada filmando The Bodyguard, mas pediu que entrasse em contato com seu pai e
marcasse um horário no estúdio para gravar uma fita demo. Ela disse que pagaria
por tudo.
Eu nem perdi tempo juntando
minha banda. Entramos no estúdio e gravamos três canções, mas nunca consegui
achar o John para tratar do pagamento do estúdio. Cerca de três semanas já
tinha se passado e eu simplesmente disse, “Dane-se,” e paguei a conta de $2.800
dólares sozinho. Estava esperando ansiosamente que Whitney terminasse o filme
para que pudesse ouvir minhas fitas, mas isso demoraria ainda alguns meses. Mantive-me
ocupado com meu salão de beleza e outros interesses comerciais, mas um olho
estava sempre no calendário.
Quando Kevin Costner
aproximou-se pela primeira vez de Whitney a respeito de fazer o filme com ele,
ele havia prometido a ela que ele a protegeria e se certificaria de que ela não
seria chamada para fazer nada com o que não se sentisse à vontade para fazer. Depois
de ler o roteiro, ela encontrou-se com Costner e disse a ele que achava que
Rachel, a personagem que estava interpretando, era difícil demais e
mal-intencionada.
“Vão pensar que fui escalada
para o papel de mim mesma com certeza,” ela disse, rindo. “Todo mundo está
sempre dizendo o quanto sou mal-intencionada. Me sentiria melhor se Rachel fosse
um pouco mais simpática, um pouco mais suave. Quero dizer, obviamente, todos nós
temos os nossos dias, mas no roteiro ela está de mau humor o tempo todo.”
Costner
concordou e a parte foi reescrita para satisfação de Whitney. Eu lhe dou
bastante crédito por aceitar um projeto tão exigente como The Bodyguard quando na verdade ela não tinha tido absolutamente
nenhuma experiência como atriz. Os críticos tiveram sua chance de dizer o que
achavam, é claro, especulando se a diva do pop conseguiria fazer a transição
para estrela de cinema, e a revista Rolling
Stone cercou-a para uma entrevista.
“Estava preocupada que me
perseguissem antes mesmo de me darem uma oportunidade de fazer o trabalho,” ela
disse. “Eu queria atuar um pouco, mas espera aí, nunca pensei que fosse
contracenar com Kevin Costner! Pensei ‘Vou fazer essa pontinha em alguma parte do filme e depois batalhar para subir.’ E de
repente recebo esse roteiro, e digo, ‘Eu não sei. Isso é meio – grande.’ Fiquei assustada.”
O diretor Mick Jackson disse, “Era
ensinar uma atriz a cantar ou, como foi com Whitney, ensinar uma cantora a
atuar. Sua vida como diva do pop significa que tudo se ajusta as suas exigências,
o que é totalmente diferente de gravar um filme. Quando ela deu uma olhada na
agenda das filmagens, a primeira coisa que disse foi, ‘Não sou uma pessoa diurna.’”
Mas ela era uma veterana, e ela se jogou no papel com determinação e
concentração. Ela queria que desse certo. Ela precisava de sucesso depois de
todos os desastres que tinham acontecido a ela no último ano. Todos estavam
dizendo que seu maior problema era Bobby Brown. Boatos estavam circulando de
que ele estava com ciúmes de Kevin Costner e com medo que Whitney levasse seu
papel “a sério demais” e se apaixonasse pelo belo astro do cinema.
“Isso é besteira,” Whitney zombou. “Eu não entrei
nesse filme querendo me apaixonar por Kevin Costner. Eu já estava apaixonada
por Bobby. Sendo ele meu noivo, conversei com ele sobre o filme e deixei que
lesse o roteiro. Em alguns momentos ao longo do caminho, ele realmente disse, ‘Bem,
como essas cenas vão ser feitas? Quanto você vai estar envolvida nisso?’ e daí
por diante. Mas Bobby me conhecia e confiava em mim. Eu não estava no filme
para estar com um símbolo sexual. Não tinha nada a ver com sexo. Bobby estava
confortável com isso. Deve haver confiança entre os dois. Acho que Bobby e eu
temos isso.”

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