quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Capítulo 8: Quem é o Verdadeiro Bobby Brown?

8

Quem é o Verdadeiro
Bobby Brown?


O ano de 1991 terminou não com uma celebração, mas com um choque quando John Houston casou-se com Peggy Griffith no dia 28 de dezembro. O casamento aconteceu no condomínio de John em Fort Lee, Nova Jersey, presidido pelo Reverendo Harry Spellman da Macedonia Church of Christ. Havia menos que uma dezena de convidados e nenhum membro da família imediata de John, nem seus filhos e certamente nem Whitney. De comum acordo, todos boicotaram as núpcias. Quando a imprensa tentou abordar Whitney para um comentário, foram surpreendidos com um silêncio sepulcral e frio da Família Real.
                Em um dos raros momentos em que Robyn interagia civilizadamente com Regina, ela disse que John só tinha se casado com Peggy porque ficou sabendo que Cissy estava tendo um caso com o pastor de sua igreja e queria magoá-la e envergonhá-la tanto quanto ela o tinha envergonhado. Embora estivessem separados há muitos anos, John ainda sentia certo “domínio” no que dizia respeito à Cissy, e o caso o enfureceu e humilhou. Ele ainda queria que a mídia acreditasse que os Houstons eram uma família cristã amorosa, unida e temente a Deus, que adoravam a Deus e se abraçavam em momentos de necessidade.
                Muitas vezes em diferentes eventos públicos e reuniões de negócios, vi John andar de um lado para outro com ares de superior, humilhando as pessoas, dando ordens insultuosamente como um sargento, fazendo com que todos soubessem que ele estava encarregado da Nippy, Inc., e conseqüentemente de Whitney. Uma vez eu disse a Regina, “Sabe, John daria um belo ditador em algum pequeno país de terceiro mundo!”
                Mas por toda sua pompa e devaneios bombásticos, ele se sentia diminuído por trabalhar para sua filha, que sem ela, ele estaria de volta a Newark fazendo um trabalho braçal. Ele estava ganhando $125.000 dólares por ano como seu “empresário,” mas isso era insignificante perto do que Whitney ganhava. “É só uma troca idiota,” um membro da Família Real me disse. “Ela está lhe jogando um osso para que ele não se sinta um fracasso total.”  
                Depois que John casou-se com a ex-empregada de Whitney, ela entrou em depressão profunda e ficou isolada em sua casa sem falar com ninguém exceto Robyn, Regina, e alguns poucos amigos mais chegados.
                Whitney sentiu-se traída por seus pais. A turnê de 91 havia provado ser uma amarga decepção, a primeira vez que uma turnê de Whitney Houston não havia sido um sucesso. Por ela ter terminado do jeito que terminou, foi quase mais do que Whitney podia suportar. As festividades de fim de ano foram muito tristes para a Família Real em 1991 e Whitney estava temendo o que 1992 lhe reservava.
                Como eu havia previsto em Londres, assim que Whitney voltou, ela entrou em contato com Bobby. Se em algum momento alguém precisava de um pouco de amor e carinho, esse alguém era Whitney, e obviamente o bad boy Bobby Brown sabia bem como aplicá-lo. Ele estava morando em Atlanta com o seu filho, Landon, e seu pai, Herbert.
                Depois que seu caso tornou-se público, Whitney disse a um repórter que havia se sentido atraída por Bobby desde o princípio porque ele era muito diferente e porque ele não a colocava em um pedestal como a maioria dos homens. “Antes de conhecer Bobby, eu sempre esbarrava com aquela atitude ‘Como posso te mostrar que eu valho a pena?’ dos caras, mas com Bobby foi simples. Ele sabia que o que eu precisava era de amor.”
                Whitney embarcava para Atlanta para ver Bobby, mas ligava para Regina antes para pedir que se Robyn perguntasse por ela, para ela dizer que “não sabe onde estou.” E Robyn ligava. E ligava. Ela exigia saber onde Whitney estava, mas Regina não dizia. “Se ela quisesse que soubesse onde ela está, ela mesma teria dito.”
                Eu podia ouvir Robyn xingando e gritando pelo telefone: “Sua vadia mentirosa. Vou te dar uma surra!”
                “Vai se foder, sua sapatão,” Regina revidava. “Não tenho medo de você.” Ela desligava, e segundos depois Robyn ligava novamente, mas Regina não atendia. Ela deixava a secretária eletrônica atender. Robyn gritava obscenidades, ameaçando Regina com danos físicos e até mesmo de morte a menos que ela atendesse ao telefone e dissesse onde Whitney estava. Regina só ria. Ela adorava atormentar Robyn e agora ela podia fazê-lo com a benção de Whitney. As ligações continuavam a noite inteira, mas nós desligávamos o som para não sermos incomodados.

                Um dia eu estava no apartamento de Regina sozinho quando Robyn ligou, e ela parecia tão infeliz, meu coração se compadeceu dela. Quando ela percebeu que eu não ia desligar o telefone, ela começou a chorar e disse que seu coração estava sendo partido. Ela disse que sabia que Whitney estava com algum cara, e que suspeitava que fosse com aquele gangster punk, Bobby Brown.
                Ela disse, “Sou a única pessoa na vida de Whitney que deu a ela amor incondicional; todos os outros a usam, até mesmo os pais dela. Principalmente os pais dela. Ambos pegam carona na aba dela. Se não fosse por Whitney, eles estariam vivendo de auxílio-desemprego. Não entendo por que ela os sustenta. Eles nunca a ajudaram – financeiramente, quero dizer. Só depois de ela começar a ficar famosa que eles começaram a mostrar todo seu pseudo-apoio e a louvar a Deus por sua talentosa pequena Nippy. Quando Whitney e eu nos conhecemos, era bem diferente. Nós morávamos em uma quitinete suja minúscula, sem geladeira e pouquíssima comida, mas ninguém nos ajudava. Ninguém nos estendia uma mão amiga. A única mão amiga que já ofereceram a Whitney foi a minha.”
                Ele prosseguiu dizendo que todos os Houstons a odiavam e queriam que ela morresse; eles a culpavam por Whitney ser gay. “Mas ela é mais bi que gay,” Robyn disse. “Ela gosta de homens também e isso acaba comigo.”
                Robyn tinha bons motivos para estar preocupada. A amizade entre Whitney e Bobby estava desenvolvendo-se rapidamente em algo muito mais profundo. Ela passava todo tempo livre com Bobby e falava abertamente à imprensa sobre ele. E isso era algo que ela nunca tinha feito no passado, considerando o que sentia pela mídia. Mas de repente fotografias começaram a aparecer nos jornais de uma Whitney sorridente agarrada ao braço de Bobby e praticamente sussurrando, “Ele é um homem legal, pé-no-chão e sexy.”
                Quando estava no apartamento de Regina, percebia que ela às vezes levava o telefone para o banheiro para falar, e quando perguntava, ela dizia, “Não é nada,” mas eu sou um cara curioso, então um dia eu fiquei à porta e ouvi. Ela estava conversando com o editor de um dos jornais, vendendo informação sobre Whitney e Bobby!
                Isso me chocou e eu passei a ouvir outras vezes que ela atendia ao telefone no banheiro. Em várias ocasiões ela contava histórias sobre Michael Jackson também. Sabia que ela era amiga do agente de publicidade de Michael, Bob Jones, e em muitas ocasiões ele ligava e contava a ela o fiasco mais recente na vida de seu cliente. Regina então ligava para os jornais e relatava a história, mudando apenas o bastante para que Jones não soubesse de onde vinha a notícia.
                Eu finalmente a confrontei porque senti que o que estava fazendo era errado. Ela não só estava traindo sua patroa, Whitney, como também sua amizade com Jones. Ela simplesmente deu de ombros e me mandou crescer. “Muitas estrelas plantam histórias de si mesmas nos jornais. Vamos encarar os fatos, onde mais eles conseguem dez milhões de leitores por semana. É muita publicidade, querido.”
                Por causa de sua amizade com Bob Jones, eu soube a respeito das alegações contra Michael Jackson muito antes de tornarem-se publicas. Rumores vinham flutuando há anos a respeito da preferência sexual de Michael, ou até mesmo se ele tinha alguma, e era notório no ramo que ele era gay. Era também do conhecimento de todos que ele se importava profundamente com crianças e que tinha doado milhões de dólares para diferentes instituições de caridade em favor delas. Mas descobrir que sua preferência sexual era por crianças veio como um choque para muitas pessoas.
                “Isso vai destruir a carreira dele,” Regina disse.

                Pela primeira vez em muitos meses, Whitney estava feliz e aguardando ansiosamente por seu futuro. Ela decidiu que estava na hora de assumir um compromisso sólido com Kevin Costner a respeito de fazer o filme com ele. Sua desastrosa turnê de 1991 deixou uma cicatriz profunda, e ela queria distanciar-se da música por um tempo. Seu caso com Bobby era sua experiência mais gratificante e ela dizia a todos que queria casar-se com ele e ter “muitos e muitos filhos.”
                A mídia entrou em um crescente frenesi, brigando uns com os outros, tentando cavar qualquer informação que pudessem sobre o novo homem na vida de Whitney. Quem era esse jovem bad boy do hip-hop que tinha conseguido o que nenhum outro homem tinha sido capaz de fazer – roubar o coração da Queridinha da América? Ele nasceu Bobby Baresford Brown em 1969, o que o tornava seis anos mais novo que Whitney, apenas vinte três anos de idade aos vinte nove dela. Era uma grande diferença de idade e alguns tablóides acusaram-na de pegar um menino novo o bastante para que ela pudesse criá-lo a sua maneira.
                “Bobby nunca foi um garoto,” disse o produtor Teddy Riley. “Ele nasceu e se criou na rua. Ele estava correndo com as gangues quando tinha dez anos de idade, e com doze, já havia sido esfaqueado e baleado e já tinha visto muitos de seus colegas serem assassinados na rua.”
                A mãe de Bobby, Carole, disse aos repórteres que a única coisa que manteve o seu filho vivo foi o sonho de um dia tornar-se um cantor famoso. Em meados dos anos oitenta, quando estava com cerca de quatorze anos, ele juntou-se a um grupo chamado New Edition, uma versão rap e rústica do antigo Jackson Five. Eles eram bem famosos para um bando de garotos, especialmente com as adolescentes, mas Bobby queria mais. Ele não queria apenas ser “só um dos caras.” Ele queria uma carreira solo, então em 1986 ele deixou o grupo e saiu por conta própria. Foi uma boa jogada. Seu primeiro disco, “My Prerogative,” chegou ao topo das paradas. Ele tinha acabado de fazer dezessete.
                Seu primeiro álbum não foi tão bem como esperava, mas seu segundo, Don’t Be Cruel, vendeu oito milhões de cópias em 1988. Durante sua turnê ele rasgava o palco com seus giros sensuais e movimentos lascivos das mãos (simulando masturbação), conferindo-lhe o título de “Bad boy atrevido do R&B,” que logo foi encurtado para “Bad Boy.”
                Na turnê mundial de 1989 ele foi preso na Geórgia por “comportamento lascivo e licencioso,” o que fez ‘cair sua ficha’. Ele decidiu que era melhor estabelecer suas prioridades se quisesse se tornar um grande astro. Quando conheceu Whitney mais tarde naquele mesmo ano no Soul Train Music Awards, ele percebeu que a bela diva do pop era sua prioridade número um e determinou-se a conquistá-la. Não ia ser fácil, não com Robyn e Cissy contra o relacionamento. Cissy o achava “só um garotinho” e incompatível para completar. Ele tinha dois filhos fora do casamento e não mostrava sinais de comprometimento. Ele era “feio e vulgar” no palco, fazia careta para as convenções, e Cissy duvidava seriamente se ele alguma vez já tinha posto os pés em uma igreja. 
                Ela tentou avisar Whitney sobre Bobby, mas sua filha não estava ouvindo nada do que sua mãe tinha para dizer, não sobre sua carreira ou sobre sua vida amorosa. Enquanto muitos se rebelam na adolescência, Whitney estava se rebelando agora nos seus vinte e muitos anos. Ela tinha estado sob o controle de sua mãe por tempo demais, e não queria mais isso. Ela achava a interferência de Cissy em sua vida intrusiva e irritante, então passou a excluí-la completamente. Ela era uma mulher adulta de quase trinta anos, ganhando uma quantidade impressionante de dinheiro, e conhecida em todo o mundo. Então, quem era Cissy para dizer a ela o que fazer?
                Robyn tinha usurpado o poder de Cissy há muito tempo, deixando-a sentir-se indesejada e sem importância. Ela reclamava com os amigos que não conseguia chegar perto de sua própria filha sem antes marcar uma hora e que “a opinião de uma mãe não valia de nada mais.” Mas isso não a impediu de verbalizá-las para qualquer um que quisesse ouvir. Ela detestava que no primeiro grande papel de Whitney no cinema ela tivesse um caso inter-racial. Ela dizia para os amigos que não queria ver sua filha envolvida intimamente com um homem branco, acrescentando, “Nós todos trabalhamos muito para nos arriscarmos dessa maneira.” Como sempre, ela estava tentando se colocar no lugar de sua filha, como se fosse o seu filme, seu primeiro papel principal, ela tinha sido a que tinha trabalhado muito para ter essa chance. A triste verdade era que ela não desistia. Este era o mais perto que havia chegado da fama, e agora ela estava sendo empurrada até mesmo para fora do brilho distante do foco de luz.

                Em fevereiro de 1992, Whitney voou para Miami para o início das filmagens de The Bodyguard, mas antes de partir, contou a seus pais que estava grávida e que Bobby Brown era o pai. Regina me disse que Cissy “pirou. Ela ficou furiosa e começou a berrar e delirar sobre o quanto Bobby era um punk e que esse relacionamento nunca ia dar certo – foi o maior erro da vida de Whitney.” Mas Whitney disse a Cissy que estava apaixonada, que ia ter esse bebê, e fim de papo!   
                Kevin Costner estava produzindo sozinho o filme e tinha feito bem o seu dever de casa. Como era hábito seu com qualquer papel que pegava, ele tinha pesquisado meticulosamente, aprendendo tudo o que podia sobre a ocupação perigosa de um guarda-costas. Ele tinha contratado guarda-costas para si no passado e entendia a relação entre segurança e celebridade. Como outros grandes astros, Costner havia tido sua parcela de fãs excessivamente zelosos e havia sentido o medo que vem de estar cercado de milhares de estranhos gritando histericamente, todos querendo um pedaço dele.
                “Há sempre um elemento de medo quando uma celebridade sai em público,” ele disse. “Todos nós nos lembramos de John Lennon, Rebecca Shafer, os Kennedys, os Presidentes Ford e Reagan, e tantos outros que foram baleados ou mortos por lunáticos dementes. É assustador, mas saber que temos um guarda-costas ajuda.”
                Whitney concordava. Diversos guarda-costas sempre viajavam com ela, e ela tinha reforçado sua segurança ainda mais depois do fiasco em Kentucky. Tanto ela quanto Costner entraram no filme com uma boa bagagem pessoal sobre estrelas e guarda-costas, e lhes serviria bastante durante as filmagens.
                No final de março, menos de um mês de filmagens, Whitney sofreu um aborto espontâneo. Bobby estava gravando em Atlanta quando ela ligou para ele, e ele correu para Miami. “Foi quando a Família Real começou a acreditar que talvez este rapaz estivesse realmente levando Whitney a sério e ela a ele,” Regina disse. “Até aquele momento, todos nós achávamos, ‘Ah, ele é apenas mais um bonequinho. Ela vai se cansar e tudo vai voltar ao normal.’”
                No entanto, não foi esse o caso. A tragédia os aproximou ainda mais. Whitney ficou de coração partido. Ela queria filhos, e o mais importante, que fossem filhos do Bobby. Deprimida e triste, ela sempre ligava para Regina, chorando pelo telefone. Não mais que dois dias depois de seu aborto, o National Enquirer chegava às bancas com esta manchete: “Whitney Houston Grávida Perde Filho de Seu Amor!”
                Whitney ligou para Regina em fúria, exigindo saber quem na Nippy, Inc. a havia traído. Ela sabia que tinha de ser alguém de dentro a vazar a informação, pois bem poucas pessoas sabiam. Regina prometeu investigar, mas eu suspeitei que fosse ela mesma. Ela já vinha vazando artigos para os jornais há anos, e para encobrir-se ela sempre pedia que o cheque viesse nominal a um de seus parentes ou amigos para que não pudesse ser rastreado até ela.
                Jornais legítimos começaram a ligar para Whitney e pedir que confirmasse ou negasse o artigo do Enquirer, mas ela disse a eles que não queria discutir sua vida privada, na esperança de que eles a deixassem em paz em uma hora tão trágica. Ela já devia ter se preparado. Seu silêncio só fez estimular o apetite deles, então ela relutantemente falou com um repórter do USA Today, esperando que assim todos os outros repórteres saíssem de cima dela.
                “Digamos que eu tenha tido um aborto espontâneo. Isso é da minha conta. Sabe o que estou dizendo? Acontece apenas que aconteceu enquanto eu estava fazendo um filme, em um set de filmagem. As pessoas ouvem falar e ligam para os jornais e contam para eles. Abortos acontecem às mulheres o tempo todo. Acontece que eu sou essa – essa pessoa, Whitney Houston.”
                As filmagens de The Bodyguard continuaram e Whitney mergulhou por completo no trabalho, esperando afastar sua mente da perda do seu bebê. Bobby ligava todos os dias e voava para a cidade quando sua agenda permitia. Eles saíram para jantar uma noite, e no caminho de volta pra casa, Bobby pediu sua mão em casamento. Ele estendeu uma caixa com uma pequena aliança e um modesto diamante e de certa forma conseguiu manter um semblante sério até que ela dissesse sim. Depois, rindo como uma criança, ele jogou aquele fora e sacou um magnífico diamante de dez quilates que a deixou sem fôlego.
                “Ele é simplesmente tão fofo,” Whitney disse a Jamie Foster Brown, editora de Sister 2 Sister. “Ele brincou comigo como se eu fosse um Atari.”
                “Eu só queria ver se ela se casaria comigo mesmo que eu não tivesse nada,” ele disse sorrindo.
                “Eles são duas crianças,” Jamie Brown diria mais tarde, comentando sobre a referência de Whitney ao jogo Atari. “No esquema das coisas, nunca lhes foi permitido desenvolver em termos de crescimento da personalidade como uma pessoa normal.”
                Quando eu ouvi falar do noivado, sabia que a merda ia bater no ventilador, e bateu. Estava em Los Angeles com Regina, e enquanto ainda estávamos deitados na cama pela manhã, bem cedo, ouvimos alguém socando a porta no andar de baixo. Eu atendi e Robyn estava lá parada, parecendo a morte. Seu rosto estava desfigurado e seus olhos estavam inchados e fundos. Disse a ela que Regina e eu ainda estávamos na cama, mas que subisse se quisesse conversar.
                Ela começou a chorar então, engolindo soluços histéricos que tremiam todo o seu corpo. Ela se curvou, apertando o estômago como se estivesse sentindo dor física real enquanto cambaleava escada acima comigo. Fiquei preocupado e achei que ela podia estar tendo uma crise de apendicite ou coisa parecida e perguntei se queria que eu chamasse um médico.
                “Não,” ela resmungou, e sua voz estava muito baixa, como de uma pessoa moribunda se esforçando para falar. “Não vou deixá-la fazer isso. Ela não pode se casar com Bobby. Não vou permitir.”
                Ela ainda estava dobrada, apertando o estômago, e lágrimas estavam encharcando seu rosto. Pus meu braço em torno de seus ombros e gentilmente a conduzi até a cama e pedi que descansasse um minuto. Ele se deitou de lado, trazendo seus joelhos para perto do peito e apertando-os com seus braços em volta deles. Ela estava gemendo e tremendo, seus ombros se elevando de dor. Ela continuou resmungando sem parar, “Ela não pode fazer isso – eu não vou deixá-la fazer isso, ela não pode casar-se com ele.”
                Eu estava muito desconfortável e me sentindo como um peixe fora d’água. Não sabia o que fazer então desci para ver se fazia um café. Senti que devia deixar as duas mulheres juntas por isso me ocupei enquanto permaneciam lá em cima. Mais ou menos meia hora depois, elas desceram e Robyn já tinha se recomposto. De fato, ela parecia bem mais com a velha Robyn que estava acostumado a ver. Ela agradeceu e foi embora.
                Olhei para Regina e ela balançou a cabeça e disse, “Ela está mal, querido. Ela disse que se Whitney insistir nesse casamento, ela se mata.”

                Quando eu voltei para Chicago, Whitney me ligou e disse que não tinha esquecido sua promessa de gerenciar minha carreira artística. Ela disse que tinha ficado encantada com minha voz quando cantei com Patti LaBelle e que achava que eu tinha o que era necessário para ser um grande astro. Ela estava ocupada filmando The Bodyguard, mas pediu que entrasse em contato com seu pai e marcasse um horário no estúdio para gravar uma fita demo. Ela disse que pagaria por tudo.
                Eu nem perdi tempo juntando minha banda. Entramos no estúdio e gravamos três canções, mas nunca consegui achar o John para tratar do pagamento do estúdio. Cerca de três semanas já tinha se passado e eu simplesmente disse, “Dane-se,” e paguei a conta de $2.800 dólares sozinho. Estava esperando ansiosamente que Whitney terminasse o filme para que pudesse ouvir minhas fitas, mas isso demoraria ainda alguns meses. Mantive-me ocupado com meu salão de beleza e outros interesses comerciais, mas um olho estava sempre no calendário.
                Quando Kevin Costner aproximou-se pela primeira vez de Whitney a respeito de fazer o filme com ele, ele havia prometido a ela que ele a protegeria e se certificaria de que ela não seria chamada para fazer nada com o que não se sentisse à vontade para fazer. Depois de ler o roteiro, ela encontrou-se com Costner e disse a ele que achava que Rachel, a personagem que estava interpretando, era difícil demais e mal-intencionada.
                “Vão pensar que fui escalada para o papel de mim mesma com certeza,” ela disse, rindo. “Todo mundo está sempre dizendo o quanto sou mal-intencionada. Me sentiria melhor se Rachel fosse um pouco mais simpática, um pouco mais suave. Quero dizer, obviamente, todos nós temos os nossos dias, mas no roteiro ela está de mau  humor o tempo todo.”
               Costner concordou e a parte foi reescrita para satisfação de Whitney. Eu lhe dou bastante crédito por aceitar um projeto tão exigente como The Bodyguard quando na verdade ela não tinha tido absolutamente nenhuma experiência como atriz. Os críticos tiveram sua chance de dizer o que achavam, é claro, especulando se a diva do pop conseguiria fazer a transição para estrela de cinema, e a revista Rolling Stone cercou-a para uma entrevista.
                “Estava preocupada que me perseguissem antes mesmo de me darem uma oportunidade de fazer o trabalho,” ela disse. “Eu queria atuar um pouco, mas espera aí, nunca pensei que fosse contracenar com Kevin Costner! Pensei ‘Vou fazer essa pontinha em alguma parte do filme e depois batalhar para subir.’ E de repente recebo esse roteiro, e digo, ‘Eu não sei. Isso é  meio – grande.’ Fiquei assustada.”
                O diretor Mick Jackson disse, “Era ensinar uma atriz a cantar ou, como foi com Whitney, ensinar uma cantora a atuar. Sua vida como diva do pop significa que tudo se ajusta as suas exigências, o que é totalmente diferente de gravar um filme. Quando ela deu uma olhada na agenda das filmagens, a primeira coisa que disse foi, ‘Não sou uma pessoa diurna.’”
                Mas ela era uma veterana, e ela se jogou no papel com determinação e concentração. Ela queria que desse certo. Ela precisava de sucesso depois de todos os desastres que tinham acontecido a ela no último ano. Todos estavam dizendo que seu maior problema era Bobby Brown. Boatos estavam circulando de que ele estava com ciúmes de Kevin Costner e com medo que Whitney levasse seu papel “a sério demais” e se apaixonasse pelo belo astro do cinema.

“Isso é besteira,” Whitney zombou. “Eu não entrei nesse filme querendo me apaixonar por Kevin Costner. Eu já estava apaixonada por Bobby. Sendo ele meu noivo, conversei com ele sobre o filme e deixei que lesse o roteiro. Em alguns momentos ao longo do caminho, ele realmente disse, ‘Bem, como essas cenas vão ser feitas? Quanto você vai estar envolvida nisso?’ e daí por diante. Mas Bobby me conhecia e confiava em mim. Eu não estava no filme para estar com um símbolo sexual. Não tinha nada a ver com sexo. Bobby estava confortável com isso. Deve haver confiança entre os dois. Acho que Bobby e eu temos isso.”

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