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A Grande Campanha
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Não
há dúvida de que Whitney poderia ter se tornado uma das top models mais famosas
de todos os tempos. Ela é tão linda quanto Beverly Johnson, Iamn, ou Naomi
Campbell, e seu affair com as câmeras
ficou aparente desde o princípio. Mas modelar entediava Whitney. “Qualquer
idiota pode sentar ali e mostrar os dentes pra câmera,” ela dizia. “Onde está o
talento nisso?”
Mas cantar, isso sim era um
verdadeiro talento. Cantar era uma habilidade que a maioria das mulheres bonitas
não possuía e que Whitney tinha em abundância, e ela estava ansiosa para
mostrar este talento ao mundo.
Em 1980, ela experimentou como
era gravar profissionalmente quando o produtor Michael Zager convidou Cissy
para cantar em seu mais recente álbum, Life’s
a Party. Cissy tinha levado Whitney com ela. E já com dezessete anos,
deram-lhe um solo na faixa-título do álbum e ela chocou a todos no estúdio com
sua voz forte e aparentemente perfeita.
Zager ofereceu a ela um contrato
com a gravadora na mesma hora, mas Cissy recusou. Ela sabia como o mercado musical
era duro, e ela queria que sua filha terminasse os estudos e ganhasse um pouco
mais de maturidade e experiência antes de se arriscar. Whitney não teve escolha
a respeito, mas se tivesse tido, ela teria largado os estudos e mergulhado de
cabeça no mundo sobre o qual Cissy a havia advertido. Desde aquela manhã de
Domingo, cinco anos antes, na igreja New Hope Baptist Church, quando ela fez
seu primeiro solo, ela vinha sonhando secretamente sobre cantar
profissionalmente. Isto era algo que ela sabia
que podia fazer. Mas ela nunca tinha ido contra sua teimosa mãe e não estava
disposta a começar agora. Quando Cissy dizia não, era exatamente isso o que ela
queria dizer e nenhum de seus filhos ousava argumentar com ela.
Whitney se irritou, mas esperou
sua vez. Faltava apenas um ano para ela terminar o ginásio, mas ela diz que foi
o pior ano de sua vida. Suas colegas de classe já estavam enciumadas de seu
status como modelo e garota da capa, então depois que ela apareceu cantando no
álbum de Zager e as pessoas souberam a respeito do seu talento para a música,
ela se tornou mais excluída que nunca. Não houve jeito de um bando de
adolescentes conseguir relacionar-se com Whitney, especialmente quando Whitney
não parecia querer relacionar-se com eles. Sua timidez sempre foi confundida
com indiferença, e sua boa aparência, somada ao seu porte real, dava a
impressão de arrogância.
Uma antiga colega de classe
lembra-se bem dela. “Ela tinha mesmo
essa atitude. Ela não era muito simpática. Ela nunca saía do seu próprio
caminho para fazer nenhum amigo, então ela não tinha nenhum. Até os meninos
deixavam-na sozinha. Não me lembro de tê-la visto sair com ninguém da escola
uma só vez, então nós simplesmente achávamos que ela não gostava de garotos.
Além do mais, ela estava sempre saindo com a Robyn Crawford apesar dela nem
mesmo estudar.”
No último ano Whitney continuou
a modelar porque, ela dizia, “a grana era ótima. Onde mais uma criança poderia
fazer esse tipo de dinheiro sem fazer absolutamente nada?”
Ela também acompanhava sua mãe
às gravações em estúdios, emprestando sua voz como cantora de apoio juntamente
com Cissy e as Sweet Inspirations. Cissy também passou a incluir sua filha em
seus números de Cabaret, dando a ela um ou outro solo. Quando Whitney cantava,
a platéia enlouquecia. Embora sua voz ainda não tivesse se desenvolvido por
completo, ela ficava muito linda no palco, cantando um de seus clássicos
favoritos com sua grande e potente voz. Seus anos como modelo lhe deram
equilíbrio e autoconfiança, e ela comandava a platéia como uma veterana.
Amigos se recordam de ter visto
a jovem Whitney aparecer no clube noturno Reno
Sweeny’s em Nova Iorque onde “ela arrebentou. Ela arrasou, querido. Ela
parecia ofuscar deliberadamente a mãe – você podia sentir a rivalidade entre
elas.”
Cissy graciosamente recuava
nesses momentos, deixando o palco para Whitney, orgulhosa como qualquer mãe
ficaria do sucesso de sua filha, mas quando a canção terminava, era Cissy quem
comandava. Ela nunca deixava a platéia se esquecer de que o show era dela, ela era a estrela, e Whitney era apenas mais uma atração convidada.
Logo, porém, os clientes começaram a ligar para o clube para perguntar se Whitney
estaria se apresentando naquela noite antes de fazerem suas reservas.
Cissy tinha trabalhado sua vida
inteira para ser bem sucedida, e agora, quase que da noite para o dia, sua
filha de dezessete anos estava ofuscando-a. Amigos dizem que Cissy ficou dividida
entre o ciúme e o orgulho. Intelectualmente, Cissy sabia que estava na hora de
passar o bastão, mas ela não suportava ver seu sonho morrer para que sua filha
pudesse vivê-lo. Durante este período o relacionamento entre mãe e filha foi
repleto de discórdia, mas para crédito de Cissy ela nunca tentou prejudicar
Whitney; ela só queria que ela soubesse quem era a verdadeira estrela da família.
Foi difícil para Whitney,
freqüentar a escola, modelar, e apresentar-se em casa noturnas nos finais de
semana, mas ela o fazia com tanto desprendimento que impressionava a todos. Ela
tinha herdado não só o talento para cantar de Cissy, como também sua
determinação. Ela era durona, ambiciosa, e nunca perdia seu objetivo de vista,
mesmo que isso significasse abrir mão do último ano ginasial. Enquanto suas
colegas de classe estavam saindo com rapazes, indo a bailes de formatura, e
dando risadinhas dos meninos, Whitney estava no estúdio, ensaiando. A única
coisa que o último ano do ginásio significava para ela era liberdade, e ela não
via a hora dele acabar. Robyn ainda era sua única amiga, sua mais ferrenha
defensora, e o elo entre as duas jovens mulheres ficava cada vez mais forte.
Todo momento livre que Whitney
tinha em sua agenda apertada, ela passava com a Robyn. As duas eram
adolescentes e precisavam agir como tais. Elas compravam roupas juntas e
freqüentemente se vestiam de forma idêntica, sem se importar se as outras
meninas cochichavam a respeito delas nas suas costas. Quando elas desciam a
rua, ou estavam de mãos ou braços dados, e sempre pareciam estar rindo de
alguma piada secreta que elas não tinham nenhuma intenção de compartilhar.
Whitney credita à amizade de Robyn como a única coisa que a ajudou a passar por
aquele último ano miserável, e quando ela se formou em 1981, ela comemorou sua
liberdade com Robyn.
Whitney não tinha vontade de
freqüentar a faculdade. Ela não precisava de um diploma para se tornar uma
estrela. Ela juntou seus pais (seu pai ainda era muito presente em sua vida) e
pediu conselho a eles sobre como deveria lançar sua carreira. Embora John não
tivesse tido muito sucesso gerenciando a carreira de Cissy, Whitney ainda o
respeitava e queria o seu parecer.
Todos concordaram que a jovem
artista precisava de um contrato com uma gravadora. Cissy não queria que sua
filha se expusesse às drogas e a bebida que faziam parte dos grupos que ela
conheceria tocando em casas noturnas. Mas conquistar um contrato com uma
gravadora não era fácil, não importa quão talentoso um cantor pudesse ser. No início
dos anos oitenta com o heavy metal e
o new wave saindo e o disco entrando, Whitney teria que fazer
sua própria imagem. Suas influências tinham sido o gospel, rhythm and blues
e algumas músicas dos shows da Broadway que tinha aprendido enquanto cantava
com as Sweet Inspirations.
Assim tiveram início as
entrevistas com executivos das gravadoras que estariam dispostos a dar à
principiante uma chance. Naqueles dias a maioria das gravadoras tinha
caça-talentos que iam de casa noturna em casa noturna, conferindo novos
cantores e assinando contratos com os mais promissores. Era um ramo competitivo
e Whitney já tinha mais de uma fatia, mas seus pais esperaram pelo “certo, o
grande,” que iria fazer dela a estrela que eles sabiam que ela poderia se
tornar.
Whitney continuou a se
apresentar com sua mãe em todas as casas noturnas onde as Sweet Inspirations eram agendadas, e Cissy sempre apresentava sua
filha, dando a ela diversos solos para o caso de haver um caça-talentos na
platéia.
A gravadora Elektra Records foi o primeiro grande selo a mostrar qualquer
interesse sério e a se aproximar de Cissy e John com uma oferta para assinar
contrato com sua filha. Elektra era um selo respeitado e renomado, e os
Houstons ficaram encantados, dando seu consentimento verbal imediatamente. As
negociações rapidamente tiveram inicio e parecia que Whitney logo se tornaria a
estrela profissional que sempre havia sonhado ser. Enquanto empresários dos
dois lados discutiam acerca dos pontos mais delicados, Cissy e Whitney
continuavam a cumprir suas agendas com as casas noturnas.
Elas
estavam se apresentando na boite Seventh
Avenue South Club no Greenwich Village, tocando para uma casa cheia como de
costume, quando a notícia se espalhou nos bastidores que o caça-talentos Gerry Griffith
estava na plateia. Griffith era conhecido na indústria como o perdigueiro para
o exuberante Clive Davis, de forma que as tensões estavam compreensivelmente
altas naquela noite.
No final dos anos sessenta,
Davis, então presidente da CBS Records, era pessoalmente responsável pelo
sucesso de estrelas de alta popularidade tais como Sly and the Family Stone, Janis Joplin, Bob
Dylan, Santana, e muitos outros. Era de conhecimento comum que ele se devotava
totalmente aos artistas, disposto a ir além dos seus limites por algo em que
acreditasse. Não importava para ele quanto dinheiro da empresa ele tinha que
gastar preparando e promovendo novos talentos, e isso era evidente na seqüência
de hits que a CBS Records emplacou ao longo dos anos.
Em meados dos anos setenta,
Davis havia passado para a Columbia Records e iniciado seu próprio selo, Arista
Records. Um dos primeiros feitos como chefe de sua própria empresa foi assinar
com um cantor pop, pouco conhecido, Barry Manilow, que vinha se apresentando
como número de abertura de Bette Midler em um balneário em Nova Iorque. Alguns
meses depois, Manilow tinha se tornado um nome familiar. Ninguém adora mais uma
história de sucesso de um dia para o outro que jovens candidatos, e logo todos
estavam clamando por um teste com Clive Davis: O Criador de Estrelas. Para se
chegar ao Davis, contudo, era preciso chamar a atenção do Gerry Griffith antes.
Naquela noite no Greenwich
Village, Whintey Houston chamou sua atenção – de uma forma grandiosa. Ele ficou
encantado com sua voz pura, sua incrível beleza, sua energia, e presença de
palco. Levou alguns minutos para ele se dar conta de quem ela era. Ele a tinha
visto em 1980 na Bottom Line na cidade de Nova Iorque, mas não havia se
impressionado com ela na época. Agora ele estava. Nos últimos dois anos ela
tinha crescido consideravelmente com artista, e reação da plateia a ela
convenceu Griffith de que ela era uma estrela em ascensão. Ele foi aos
bastidores depois do show e se apresentou a Whitney, dizendo que a gravadora Arista
Records estaria interessada em assinar um contrato com ela. Sua reação não foi a que ele
esperava de uma jovem candidata. Ela lhe deu uma arrogante e rápida conferida e
friamente sugeriu que conversasse com o empresário que John Houston havia
contratado para ela, Eugene Harvey.
Por sorte, Harvey foi bem mais
receptivo com Griffith. Ele disse que a Elektra Records já havia oferecido a
Whitney um contrato, mas ainda não havia sido assinado, portanto outras opções
ainda estavam sendo consideradas. O que Griffith tinha em mente? A Arista
Records poderia oferecer um negócio melhor que a Elektra a sua cliente? Clive
Davis tinha algum interesse pessoal em Whitney e em guiá-la ao estrelato?
Quando Griffith se aproximou de
Davis na manhã seguinte com novidade sobre sua sensacional descoberta, Davis
apenas grunhiu, “Então me mostra alguma coisa.”
Sem se deixar intimidar com a
falta de interesse de Davis, Griffith pessoalmente preparou Whitney para o seu
teste com o “Criador de Estrelas.” Ele cercou Cissy e discutiu com ela sobre
que canções ela achava que Whitney deveria cantar. Quanta coreografia a jovem
poderia aprender no espaço de uma semana. Ele até deu palpite na escolha do
vestido que Whitney usaria. O teste estava para acontecer no Manhattan’s Top Hat Rehearsal Hall, e
Griffith estava nervoso. Ele estava tão entusiasmado com Whitney (e um pouco
desconfortável com a falta de interesse de seu patrão) ele queria que tudo
saísse absolutamente perfeito. Ele não precisava ter se preocupado. Whitney foi
magnífica. Ela apresentou cada número com paixão e energia jovial, rondando o
palco como uma pantera sexy e arrepiando Griffith da cabeça aos pés.
Davis ficou impressionado, mas
nem de perto tão entusiasmado quanto Griffith. Ele achou que ela tinha uma “voz
boa,” mas que não tinha “nada de especial.” Ele sentiu que o melhor que podia
fazer era oferecer um acordo de singles
a Whitney, o que significa, um compacto para descobrir se ela tinha “aquele
algo especial” ou não. Griffith ficou
mais que decepcionado com a reação de Davis e deixou que soubesse como estava
se sentindo.
“Essa menina vai ser uma grande
estrela, uma estrela gigantesca,” ele se lembra de ter dito ao Davis. “E você vai chutar seu próprio traseiro por
não ter assinado com ela quando teve a chance.”
Clive Davis não era um homem
irracional, e acreditava na habilidade de Griffith em reconhecer potencial de
estrela quando o via, então começou
discretamente a conferir Whitney.
Ele conversou com seus amigos do ramo e ficou sabendo que Whitney não era apenas
uma novata oportunista com uma boa voz. Ela estava muito cotada com outras
gravadoras. A CBS Records e a Elektra
estavam ambas oferecendo contratos de álbum em longo prazo, assim como dezenas
de outros selos estavam competindo para assinarem com ela. Davis rapidamente
reconsiderou sua primeira oferta e assinou com a bela de dezoito anos um
contrato de álbum.
Davis ainda não estava encantado
com a voz de Whitney, mas, como o empresário astuto que era, ele viu em Whitney
um “pacote completo” que atrairia uma vasta platéia. Ela era indiscutivelmente
linda e tinha um corpo formidável, ela era filha de uma artista bastante
admirada e já consagrada, Cissy, afilhada de Aretha Franklin, e sua prima era a
cantora predileta de Davis, Dionne Warwick. (“Dionne Warwick,” Davis dizia,
sorrindo, “isso é que é voz!”)
Whitney também ainda era modelo,
e quantas cantoras poderiam reivindicar tamanha distinção? Sua voz era forte e
potente, ela tinha carisma, e sua presença de palco era impressionante para
alguém tão jovem. Para Clive Davis, Whitney Houston representava a mistura
perfeita de barro a ser moldado numa superstar.
O primeiro passo seria conseguir
visibilidade, e que melhor maneira havia senão apresentá-la em rede nacional. The Merv Griffin Show, apresentado pelo
próprio Merv, estava planejando um especial para homenagear Davis por sua longa
carreira na indústria fonográfica. Merv era uma espécie de cantor frustrado e freqüentemente
apresentava um número na abertura do seu programa. Sua única reivindicação à
fama no ramo da música se deve a seu gigantesco sucesso, muitos anos antes, com
a música “Yes, We Have No Bananas.”
Compreensivo com jovens cantores, ele com freqüência lhes abria um espaço em
seu programa. Ele era um apresentador genial e descontraído, e seu programa de
variedades era muito popular.
Para Clive Davis pessoalmente
apresentar uma desconhecida que ainda teria que gravar seu primeiro disco
chocou a indústria fonográfica, mas era exatamente isso o que Davis tinha em
mente. Contudo, se ele achava que Whitney ficaria humildemente grata, como a
maioria dos desconhecidos em seu lugar teria ficado, ele estava redondamente
enganado.
De acordo com Jeffery Bowman,
ela foi petulante e arrogante. “Então, o que isso tem a ver comigo? Ele devia
estar feliz por fazer isso. Ei, eu sou muito boa, vou fazer bonito lá no palco
e Clive Davis vai ficar feliz só por ter conhecido o meu traseiro. Eu devia
estar agradecida a ele? Inferno, ele devia ser grato a mim e minha mãe.
Poderíamos estar na Elektra se ele não tivesse tanta sorte.”
“Era como se ela estivesse sendo
uma pequena diva antes do tempo,” disse um observador. “Como se ela já esperasse tratamento especial.”
Outros que conheciam bem Whitney
diziam que ela, na verdade, morria de medo. Apresentar-se no Merv Griffin Show era um passo enorme,
muito mais para uma jovem cuja carreira ainda estava no ponto de partida. Mas
Whitney escondia o seu pânico atrás de uma fachada de arrogância, dizendo a
todo mundo que “não era grande coisa. Vou arrebentar nesse show.” Assim como
sua mãe, sua confiança parecia beirar a arrogância.
Um vídeo do Merv Griffin Show daquele dia, de muito tempo atrás, em 1983,
mostra uma Whitney Houston calma, vestida como uma colegial de blusa lisa e
saia. Seu cabelo estava cortado tão curto quanto o de um rapaz, mas emoldurava
seu lindo rosto oval à perfeição, realçando seus olhos grandes, amendoados e
suas maças do rosto de modelo. Sua primeira canção foi uma balada chamada
“Home,” e ela irrompeu na letra com tão furiosa paixão que a platéia ficou
atordoada. Essa não era nenhuma tímida colegial. Esta era um dínamo de energia
desenfreada e enorme talento.
A platéia parecia saber que
estava testemunhando o nascimento de uma estrela, e reagiram apropriadamente,
aplaudindo loucamente e torcendo por mais. Cissy então juntou-se a sua filha no
palco para um dueto de um clássico de Aretha Franklin “Ain’t No Way,” mas
parecia estar muito bem vestida e um pouco passé em seu vestido de lamé dourado
– especialmente ao lado da jovem de cara limpa e vestida de forma simples que
estava naquele momento brilhando de exultação.
Cissy devia saber que naquele
momento sua filha estava à beira de se tornar a superstar que sempre sonhou que
ela mesma seria. Só podemos imaginar
o mix de emoções que ela deve ter sentido, mas na verdadeira moda arrogante e
Cissy de ser, ela se gabou para os amigos sobre a sua aparição no Merv Griffin
Show.
De volta à Costa Leste, (o Merv Griffin Show era gravado em
Hollywood), Clive Davis não perdeu tempo em por a “máquina de fazer estrelas”
em movimento. Primeiro, ele precisava encontrar uma imagem para Whitney. Ela
deveria ser servida ao público como uma doce jovenzinha ou uma esguia diva, à
La Miss Diana Ross? Whitney nunca tinha usado muita maquiagem - com um rosto
como o dela, não precisava mesmo – e também não era muito ligada em moda.
Talvez estivesse se rebelando contra os dias em que Cissy a tinha feito usar
vestidos engomados, meias com babados, e sapatilhas brilhantes porque durante
toda a sua adolescência, ela havia se vestido exclusivamente com jeans e
camisetas.
O fato de ter sido uma modelo
bem sucedida ainda impressionava Davis, e ele decidiu por uma aparência clássica
e elegante. Com sua altura e corpo esbelto, rosto altivo e porte real, ele
sabia que ela poderia submeter-se ao “look” sem problemas. Whitney reclamou da
maquiagem, dizendo, “Eu só quero ser eu mesma. Eu não gosto desse glamour
todo.” Davis prevaleceu. Whitney sabia muito bem que devia ouvir o que ele
dizia, afinal de contas, ele era o “criador de estrelas” e ela queria muito ser
uma.
No inicio de 1984, seis meses
antes de lançar o seu primeiro álbum, Davis começou a fazer fotos de
publicidade de Whitney em vestidos de tirar o fôlego e perucas penteadas com
elegância. Seu próprio cabelo era curto e frisado, e ela nunca fazia nada
exceto lavar e enxugar com uma toalha. Ela não passava pelo trabalhoso e
demorado processo de alisamento que muitas mulheres negras passavam. Para sua
surpresa, ele descobriu que gostava da facilidade e conveniência das perucas e
dos mais variados looks que elas proporcionavam. Ela usa perucas até hoje –
“Não vou a lugar nenhum sem meu cabelo, querido” – e tem dúzias delas em
diferentes estilos e comprimentos.
O próximo passo de Clive era
estimular o apetite do publico para o lançamento de seu álbum de estréia. Ele a
juntou com Teddy Pendergrass em seu novo álbum Love Language e fingiu não ficar muito surpreso quando disparou nas
paradas até a primeira posição.
Jermaine Jackson estava com
contrato vigente com a Arista Records nessa época, e ele pareceu a escolha
perfeita para a próxima gravação de Whitney. Jermaine sempre foi considerado
terceiro lugar na indústria fonográfica, depois de seus irmãos mais talentosos
Michael e Janet, e sua carreira estava precisando mesmo de um empurrãozinho.
Davis ficou tão encantado com o sucesso de “Take
Good Care of My Heart” que ele se aproveitou para obter uma participação
especial para ambos, Whitney e Jermaine, na novela As the World Turns. A dupla cantou “Nobody Loves Me Like You Do,” e
Davis fez questão de que os colunistas fofoqueiros de Hollywood ficassem
sabendo.
Ele também fez questão de que
soubessem a respeito da herança musical de Whitney. Comunicados à imprensa
durante esse período sempre identificavam Whitney como “a filha da grande cantora
de gospel e blues, Cissy Houston; prima da inimitável Dionne Warwick, e
afilhada da rainha do soul, Aretha Franklin.”
A campanha estava funcionando,
talvez até melhor que Davis tivesse previsto. A indústria da música inteira estava
sussurrando a respeito “da nova protegida de Clive Davis, a linda Whitney
Houston, agora com contrato assinado com a Arista Records,” e as lojas de
discos estavam subitamente recebendo pedidos “do novo álbum de Whitney Houston”
– mas não havia álbum nenhum. Nem mesmo um single. Até então, havia resmas de cópias
escritas sobre Whitney, dezenas de fotografias de Whitney, entrevistas com
Whitney, fofocas a respeito de Whitney – mas efetivamente nenhuma música de Whitney! Esse foi um período
frustrante para ela. Ela odiava a publicidade, mal tolerava as entrevistas, e zombava
de sua imagem glamorosa. Ela só queria entrar em um estúdio de gravação e cantar, mas ela concordava com Davis,
admitindo, “Ele provavelmente sabe o que está fazendo – Eu certamente espero
pelo inferno que ele saiba! Merda, cara, já estou até ficando farta de ouvir falar de mim mesma!”

Um comentário:
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