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Entre Kevin Costner
e Eddie Murphy
Em
1988, Whitney Houston, aos vinte cinco anos, estava no topo do mundo. Ela se
mudou para uma propriedade de $10 milhões de dólares e cinco acres em Mendham
Township, Nova Jersey. Whitney parecia disposta a assumir o controle de sua
vida, viver como desejasse sem ninguém tentando dizer a ela o que fazer – mais
especificamente, sua mãe. Ela disse aos amigos que estava cansada da
interferência constante de Cissy e reclamou que ela “ainda me trata como uma
criança.”
Ela também ficava irritada com a
desaprovação explícita de Cissy em relação a Robyn Crawford. Cissy nunca gostou
de Robyn, e agora que as duas estavam mais velhas e mais próximas que nunca,
Cissy não conseguia ficar de boca calada. Em mais de uma ocasião ela disse a
Whitney que ela precisava “livrar-se” de Robyn ou ela destruiria sua carreira,
dizendo que não era “natural” que duas mulheres fossem tão próximas.
Cissy sempre foi forte,
dominadora, e formidável, mas Robyn também era – na verdade, amigos dizem que
das três mulheres, Robyn era a mais dominadora. Whitney era forte, mas era
fácil reconhecer quem era a que “mandava” naquela relação. O cargo de Robyn era
“assistente pessoal,” mas em 1988 ela já tinha assumido o comando da carreira
de Whitney, assumindo o lugar de Cissy. Amigos dizem que foi Robyn quem induziu
Whitney a tomar as rédeas de sua vida. Quando Whitney comprou seu luxuoso
imóvel e chamou Robyn para ir morar nele, Cissy ficou passada. Quando Cissy
vinha de visita, ela era relegada a uma casa de hóspedes separada, embora um
luxo com sauna, spa, e todas as comodidades. Mas ela queria ficar na casa
principal com sua filha, ainda dizendo a ela o que fazer.
Regina Brown, relações públicas
de Whitney, me disse que Cissy e Robyn brigavam por Whitney. Whitney detestava
ficar no meio, mas ela não estava disposta a desistir de Robyn por ninguém, nem
mesmo sua mãe. Ela se retirava, na esperança de que as duas resolvessem isso,
mas elas nunca resolveram. Pelo contrário, a aversão de Cissy por Robyn ficou
mais forte com o passar dos anos.
“Acho que Cissy pensava que
comigo ali, ela teria uma aliada com Whitney,” Regina me disse, “porque foi
através de Cissy que eu consegui o emprego, para começo de conversa.”
Regina conheceu Cissy em 1986, quando Regina trabalhava em Chicago para a Habilative
Systems, uma organização sem fins lucrativos, como consultora para captação
de recursos. Ela aproximou-se de Cissy sobre fazer uma festa beneficente com
Whitney e prometeu a Cissy que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para
assegurar-lhe um contrato de gravação. “Eu estava jogando com ela,” Regina me
disse, “porque queria chegar até Whitney, mas Cissy tem um ego tão grande, que
caiu nessa. Ela ainda acha que sua
voz é melhor que a de qualquer outro no mundo!”
Regina também tinha conseguido
assinar com Luther Vandross, e a festa beneficente foi um enorme sucesso. Ela
conseguiu alguns elogios calorosos nos jornais para Cissy, mas nenhum contrato
com uma gravadora. “Ninguém queria assinar com ela,” Regina disse. “Ela estava
liquidada, mas parece que era a única que não sabia disso!”
Isso não perturbou Regina. Ela
insistiu na amizade com Cissy, e naquela época Cissy precisava de uma amiga
para quem pudesse confidenciar seus problemas. Ela despejava seus sentimentos
acerca de Robyn Crawford. Cissy estava triste com a súbita ostentação de independência
de Whitney e com a forte influência de Robyn em sua vida. “Ela tentou de tudo
para separá-las,” Regina disse, “mas finalmente encontrou uma rival à altura em
Robyn. Ela era mais jovem, mais forte, e muito mais teimosa e determinada do
que Cissy jamais sonhou ser possível.”
À sugestão de Robyn, Whitney
incorporou a si mesma, iniciando sua própria empresa, Nippy, Inc., e foi então que Cissy interferiu e tentou ganhar um
pequeno ponto de apoio novamente. Ela disse a Whitney que ela precisava de uma
pessoa que cuidasse de sua publicidade, não para conseguir publicidade, mas para evitar a má publicidade que vinha
gerando. Whitney tinha sido vaiada em um show recente, e os fãs a estavam
chamando de “vendida,” “convencida” e “uma diva arrogante.” Seus atrasos constantes,
tanto nos shows quanto nas cerimônias públicas, não davam bom exemplo,
especialmente porque ela nunca se desculpava ou mesmo se dava ao trabalho de
dar uma desculpa. Ela dava de ombros e dizia, “Coisas acontecem.”
“Havia muito tumulto acontecendo
na vida pessoal de Whitney,” Regina disse. “Ela estava brigando não só com sua
mãe, como também com Robyn. Deus, o jeito como aquelas duas se atacavam, me
deixava de cabelo em pé! Elas ficavam cara a cara e chegavam a partir para a
força bruta. Robyn é extremamente ciumenta e as duas são controladoras, então,
camarada, a bordoada estancava! Whitney é bem namoradeira quando quer ser e os
caras estavam sempre correndo atrás dela, assim como muitas garotas, e isso
deixava Robyn subindo pelas paredes. Então ela revidava dormindo com os
dançarinos do grupo de Whitney. E daí Whitney pagava na mesma moeda, saindo num
encontro bem público com algum cara. Fico surpresa que essas duas ainda não
tenham se matado até agora.”
Ninguém gostava da Robyn, mas
todos ficavam intimidados com ela, dessa forma todos faziam de tudo para não
incitar sua ira ou o descontentamento de Whitney. Um exemplo perfeito é a vez
em que Robyn proibiu Regina de viajar
com Whitney para a Europa, dizendo a ela, “Se você for, você não volta viva!”
Regina ficou horrorizada e contou a Whitney o que Robyn tinha dito, mas Whitney
respondeu que Regina não deveria preocupar-se com “as ameaças de Robyn. Elas
não significam nada, querida.”
“Whitney insistiu que eu fosse
junto na viagem, então eu fui,” Regina me contou, “mas gostaria de não ter ido.
Robyn me tratou como um pedaço de bosta a cada chance que encontrou. Quando
voltamos aos Estados Unidos, eu pude entender bem os sentimentos de Cissy por
Robyn. A mulher é uma louca! Ela não quer ninguém
chegando perto de Whitney. Ela é possessiva e ciumenta desse jeito.
Estávamos todos sentados um dia – havia uma sala cheia de gente ali, logo que
voltamos da Europa, e Robyn do nada começou a brigar comigo, ameaçando me dar
uma surra. Ela veio pra cima de mim com garras afiadas, mas algumas das pessoas
na sala agarraram-na e detiveram-na. Eu olhei para Whitney e ela estava
sentada, encostada na parede, com um sorrisinho no rosto, sem dizer uma só
palavra. Robyn estava xingando e essas pessoas estavam segurando seus braços,
tentando puxá-la pra longe de mim, e só
então foi que Whitney finalmente interferiu. Ela gritou, ‘Tirem suas mãos
da Robyn e nenhum de vocês jamais toque nela novamente!’ Todo mundo odiava
aquela vadia.”
O irmão de Whitney, Michael, uma
vez reagiu ao mau tratamento de Robyn em relação a ele, pegando-a pelo pescoço
e sufocando-a até cair em si. “Essa mulher é o diabo disfarçado,” Cissy dizia
pra quem quisesse ouvir. “Se algum dia ela aparecer morta, todos nesse
escritório vão ser suspeitos!”
No Soul Train Music Awards de 1989, Whitney foi nomeada e ganhou por
Melhor Álbum de uma Vocalista Feminina. Quando ela se levantou para ir ao palco,
várias pessoas na platéia vaiaram e algumas gritaram, “Oreo!” Whitney ficou
desorientada e seus passos vacilaram por um momento, então, erguendo seus
ombros e com um sorriso largo no rosto, subiu afetadamente ao palco para
aceitar o prêmio. Embora essa não tenha sido a primeira vez que foi vaiada,
doeu e surpreendeu seus irmãos afro-americanos também a estarem vaiando. Quando
ela ficou sabendo da nomeação, ela vibrou, achando que talvez agora os
ativistas negros parassem de dizer que ela havia se vendido para o
estabelecimento dos brancos. Ela achava suas críticas particularmente injustas
já que ela tinha se apresentado em dezenas de eventos beneficentes e angariado
milhões de dólares para o United Negro
College Fund assim como outras muitas organizações negras.
Ao final da premiação, a
indignação de Whitney já tinha virado raiva, e ela disse aos repórteres que
aguardavam, “Eles só estão com inveja. Eles simplesmente se enjoaram de mim e
não queriam que eu ganhasse outro prêmio. Não, não te faz sentir-se bem. Eu não
gosto e não prezo esse tipo de coisa, mas ignoro.” Em 1989, naturalmente, ela
havia ganhado tantos prêmios que já tinha perdido as contas.
Após receber seu prêmio, Whitney
retornou ao seu assento ao lado de Robyn, ainda fumegando pela humilhação, quando a platéia irrompeu em aplausos para a próxima atração. Ela ergueu os
olhos, ainda cheia de raiva, depois se ajeitou na cadeira enquanto as letras de
“Don’t Be Cruel,” uma antiga canção de Elvis Presley enchia o enorme auditório.
O rapaz no palco girava quase como Elvis costumava fazer e sua voz era doce e
expressiva. Whitney olhou fixamente, como se dissesse, “Quem é esse?”
Era obviamente o bad boy do
R&B, Bobby Brown, um garoto de vinte e poucos anos dos conjuntos violentos
e assolados pelas drogas, Orchard Park no bairro de Roxbury, em Boston. Ele era
não só um símbolo sexual para todos os adolescentes marrentos que já haviam
comprado um disco seu, como também estava se tornando um tremendo astro. Ela já
tinha três discos de platina e seguidores leais na noite em que conheceu
Whitney.
Bobby Brown apareceu no cenário
musical com o grupo de R&B, New Edition no início dos anos oitenta e com
dezenove anos de idade já estava no topo das paradas com o seu próprio hit, “My
Prerogative,” que o estabeleceu firmemente como símbolo sexual da geração
chiclete. Ele também foi chamado de “atrevido” quando foi preso por simular
sexo no palco. O produtor Teddy Riley, que trabalhou com Bobby em alguns de
seus álbuns, disse a revista People,
“Bobby e eu nos criamos nas ruas e temos um tanto de loucura. Quando eu conheci
Whitney, pude ver que ela tinha um tanto de loucura também.”
Quando Bobby e Whitney se
conheceram na noite do Soul Train Music
Awards, ele não se jogou pra cima dela, como a maioria dos homens fazia, o
que a intrigou. Ela não estava acostumada a homens que se faziam de
desinteressados, e ela deliberadamente decidiu conquistá-lo. Ela procurou Bobby
depois do show e o convidou para uma festa, e apesar de ter aceitado o convite,
foi com um espontâneo “Por que não? Não tenho nada melhor pra fazer.”
As vaias de Whitney no Soul Train Music Awards aborreceram
Clive Davis mais do que a sua obstinada estrela. Então ele começou a planejar
seu terceiro álbum cuidadosamente. Ele estava cansado dos críticos dizerem que
Whitney tinha um approach do tipo “pão branco” com a música, que ela era
“homogeneizada,” e é claro o pior insulto, que ela era um “Oreo,” preta por
fora, branca por dentro.
Davis queria que o próximo disco
de Whitney “chutasse alguns traseiros.” Ele tinha usado a publicidade de “bela,
doce, pequena cantora gospel virginal, criada na igreja” no início, e tinha
funcionado. Agora estava na hora de mostrar ao público que a gatinha tinha
garras. Ele escolheu a maioria das canções de R&B e ainda jogou algumas de
hip-hop também.
Whitney já tinha posto na
prateleira um número de prêmios, incluindo o de mais prestigio, o Grammy, dois
anos seguidos, 1986 e 1987, por Melhor Desempenho Pop Feminino. No American Music Awards de 1988 ela ganhou
mais dois prêmios, um por Single Favorito de Pop/Rock, com “I Wanna Dance With
Somebody (Who Loves Me).” Os críticos acusaram-na de ser uma “mutação” no
pop-rock, e se suas raízes eram em gospel e R&B, por que ela não provava?
Entre receber prêmios e trabalhar em seu novo álbum, ela também estava na estrada, em
turnê. Ela também estava trabalhando incansavelmente para várias instituições
de caridade, numa tentativa de reconquistar o favor de seus fãs
afro-americanos.
Em fevereiro de 1990, a rede ABC de
televisão homenageou Sammy Davis Jr., o mais famoso e talentoso artista negro a
pisar nos palcos. Ele estava nos últimos estágios do câncer na garganta e
morreria logo depois do tributo, mas naquela noite cravejada de estrelas, ele
chorou abertamente quando Whitney cantou “The Greatest Love of All”
especialmente para ele. Companheiro de Sammy de longa data, Frank Sinatra, foi
visto enxugando uma lágrima de seus olhos também. Até mesmo o esquivo Michael
Jackson apareceu no evento, e ainda o indisposto Bob Hope. Era uma noite da
qual ninguém se esqueceria, especialmente Whitney. Se ela tinha alguma dúvida
sobre ser aceita por seus iguais, ela soube naquela noite que era amada
universalmente.
O terceiro álbum de Whitney, I’m Your Baby Tonight, foi lançado no início
do outono de 1990 e recebeu críticas mistas, com aquela pergunta insistente
ainda pairando sobre sua cabeça: Whitney Houston é negra o bastante? Vestida de
couro preto e montada numa enorme Harley-Davidson preta, Whitney encarava
desafiadoramente da capa do disco, uma leve expressão labial, como se dissesse,
“Agora estou negra o bastante?”
O ídolo de longa data de Whitney,
Stevie Wonder, produziu uma das canções no álbum, “We Didn’t Know,” ao passo
que a canção título, “I’m Your Baby Tonight,” foi produzida por Babyface e L.A.
Reid, e ninguém podia acusar esses homens de serem “homogeneizados!” A
sensualidade crua e rigidez das bordas do novo álbum apresentavam a “nova,
aperfeiçoada, amadurecida” Whitney Houston. E havia outra diferença também. Nos
dois primeiros álbuns, o encarte continha agradecimentos a todos que Whitney
sentia que tinham contribuído para o seu sucesso, produtores, empresários,
assim como membros da família. Ela havia incluído Robyn Crawford como membro da
família nesses dois primeiros, mas no terceiro, Robyn foi relacionada como associada
empresarial. Os tempos estavam mudando.
“I’m Your Baby Tonight” escalou
consistentemente as paradas no outono de 1990 e eu ouvi isso dezenas de vezes.
Fiquei impressionado com essa “nova” Whitney e nutri uma fantasia secreta de um
dia conhecê-la. Meus irmãos e eu nunca desistimos do nosso sonho de nos
tornarmos artistas e ainda continuávamos a ensaiar em todo momento livre que
tínhamos. Eu calculei que se eu pudesse chegar perto de uma grande estrela, e dar
a ela uma fita demo de nossas músicas, nós poderíamos ter uma chance.
Em novembro daquele ano, eu
estava trabalhando à noite na Sweetheart
Cup Company como operador de empilhadeira e durante o dia no meu
restaurante, Ammons & Lewis, e no meu salão de beleza, Billie Jean’s. Eu li
nos jornais que Natalie Cole estaria se apresentando em Chicago no Drury Lane Theater, e estava determinado
a conhecê-la e passar para ela uma cópia da minha fita dos Ammons Brothers. Eu
tive a estranha sensação de que algo grande estava para acontecer comigo e de
certa forma tinha ligação com Natalie Cole. Liguei para o teatro para perguntar
como poderia conseguir alguns ingressos, mas disseram que era “um evento
privado, não aberto ao público.”
Eu devia ter simplesmente ter
aceitado a resposta, mas senti que tinha que ir até lá. Meu destino parecia
depender disso. Liguei novamente e insisti em falar com o gerente ou qualquer
um que pudesse me ajudar. “Eu tenho
que ir a essa apresentação,” eu disse a eles. Acho que tiveram pena de mim,
porque disseram que me dariam o nome de alguém que possivelmente poderia me
ajudar. A única pessoa que poderia
era Regina Brown.
O telefone foi atendido
secamente, “Regina Brown falando.”
Eu me apresentei e estava
dizendo a ela o que queria quando ela interrompeu, “Olha, não me importa quem
você é – meu primo, meu pai, ou o maldito presidente dos Estados Unidos! Ninguém consegue ingressos para este
show. Além do mais, você provavelmente nem conseguisse pagar por eles de
qualquer maneira!”
Isso foi como tremular uma
bandeira vermelha na minha frente, me desafiando. Eu ganhava bem e não ligava
de gastar. Eu a mantive no telefone até ela finalmente admitir que talvez me
conseguisse alguns ingressos, mas que seriam cinqüenta dólares cada um, e
depois acrescentou sarcasticamente, “E então, quantos você quer?”
“Cinco,” respondi rispidamente.
Eu a ouvi falando com outra pessoa na sala e rindo, sussurrando, “Esse cara
está dizendo que quer cinco ingressos. ‘Tá certo!”
“Mudei de ideia. Quero dez.”
Depois de um silêncio do outro
lado da linha, ela disse suavemente, “Dez? São quinhentos dólares.”
“Eu sei contar, senhora. Agora,
onde eu pego os ingressos?” Estava furioso com seu comportamento rude e nada
profissional e planejava dizer isso a ela quando a visse pessoalmente. Troquei minhas roupas, ficando bastante
vistoso, depois fui de carro até a zona oeste de Chicago ao Habilative Systems.
Estava tentando controlar meu temperamento enquanto pagava ao caixa pelos
ingressos e pedi a ela que me apontasse Regina Brown.
Ela estava sentada atrás de uma
mesa do outro lado da sala. Ela era deslumbrante. Ela estava usando este
chapeuzinho de veludo preto bonitinho por cima dos cabelos na altura dos ombros,
e seus olhos eram grandes e redondos, sua pele tão macia quanto seda. Eu
caminhei até ela e estendi meus dez ingressos e ela ficou me encarando por um
minuto, até dizer rindo, “Oh, meu Deus – você
é o cara no telefone!”
“Está certa.” Eu dei a ela um
cartão do meu salão de beleza.
Ela o estudou por um momento,
depois sorriu. “Billie Jean’s. Da música do Michael Jackson.”
“Não. Dei esse nome por causa da
minha irmãzinha.”
Ela parecia um pouco vencida
agora que havia percebido que eu não era um idiota qualquer, e ela perguntou do
salão, preços e assim por diante, e o que eu achava do seu cabelo. Eu tirei o
seu chapéu, passei meus dedos por seus cabelos, e disse a ela que ela podia dar
uma retocada. “A primeira visita é por minha conta,” eu disse. “Vá em frente e
marque uma hora.” Ela ligou, me olhando o tempo todo enquanto discava, e marcou
para as dez na manhã seguinte.
Eu podia sentir algo acontecendo
comigo, e naquele momento eu sentia que era uma premonição de que meu sonho de
me tornar um artista estava prestes a tornar-se realidade. Minha motivação para
continuar uma amizade com Regina era estritamente profissional, neste momento,
porque eu senti que poderia chegar até Natalie Cole através dela. Eu não fazia
ideia de que ela era relações públicas de Whitney Houston. Também admito que me
senti fisicamente atraído por ela, mas era bem casado e tinha três filhos
maravilhosos e não estava procurando mais ninguém.
Eu estava no salão na manhã
seguinte quando Regina chegou e eu contei a ela a respeito das minhas ambições
e sobre o Ammons Brothers Singing Group. Ela disse que tinha algumas conexões
de peso no negócio da música, e que se eu estivesse realmente falando sério,
ela estaria disposta a nos ouvir e ver se conseguiria uma participação pra nós
no show da Natalie Cole. Tentando ser legal, eu saí saracoteando do salão,
depois corri em casa e liguei para minha mãe para os meus irmãos, dando a eles
a boa noticia. Nós ensaiamos a noite toda, e no dia seguinte eu fechei o
restaurante e nós fizemos uma pequena apresentação para Regina. Ela ficou
encantada. Ela disse que nós éramos fantásticos, e eu podia ver o entusiasmo em
seu rosto. Ele passou a me ver com outros olhos.
Depois de agradecer a todos e
prometer que ia nos informar a respeito do show, ela enrolou seu braço no meu e
disse, “Leve-me até o meu carro, querido.” Quando chegamos, ela jogou seus
braços em volta de mim e me beijou – com vontade. Fiquei chocado e lisonjeado e
confiante de que esse era o início do meu sonho tornando-se realidade. Ela
havia me dado seu telefone de casa e endereço, então eu lhe enviei um bouquet
de rosas e o maior urso de pelúcia branco que pude encontrar. No momento em que
foram entregues, ela ligou e me convidou para ir ao seu apartamento aquela
noite para um jantar e coquetéis. Para dizer a verdade, eu não sabia o que
esperar, mas ninguém teria conseguido me impedir. Este era o meu encontro com o
destino.
Aquela noite eu me emperiquitei
todo e fui para o centro da cidade. Eu nunca
tinha tido motivo para ir ao Downtown Loop
antes porque era uma área pretensiosa, reservada aos muito ricos. Regina morava
no East Randolph, e quando me aproximei do seu prédio, percebi Mercedes,
Rolls-Royces, Porsches e BMWs estacionadas na rua. Eu estava dirigindo um Audi
5000-S, então não me senti tão deslocado quando estacionei perto de todos esses
carros luxuosos. Do lado de dentro, contudo, eu estava uma pilha de nervos. Bem
em frente ao apartamento de Regina estavam os hotéis mais famosos de Chicago –
o Fairmont, Hyatt Regency, Swiss. Um porteiro em trajes de gala estava parado na
entrada, e por um breve momento eu pensei que ele fosse me escorraçar dali e
dizer para eu nunca mais voltar.
Enquanto pegava o elevador para
o andar de Regina, minha mente tumultuada, eu me perguntava o que ela teria em
mente. Esperando por minha chegada, ela estava parada à porta com um sorriso de
boas-vindas. Ela estava vestindo uma blusa branca com um macacão de tiras finas
por baixo, que mostrava todas as curvas do seu corpo maduro. Eu engoli em seco e ela riu e jogou seus
braços ao redor de mim, me abraçando e pressionando o seu corpo contra o meu.
Quando ela me puxou para dentro,
eu notei uma parede coberta de fotos de Regina com Michael Jackson, Luther
Vandross, Whitney Houston – assim como Cissy e John Houston – o grande Otis
Wilson do Chicago Bears, Mike Tyson, e por aí vai. Minha mente estava se
recuperando quando ela riu e disse, “Todo mundo no ramo da música conhece
Regina Brown, querido!” Foi quando ela me contou que não só era amiga de
Whitney Houston, como também sua agente publicitária.
Todos os pensamentos de Natalie
Cole simplesmente voaram da minha mente. Se essa mulher era agente de Whitney,
eu ia tentar conseguir ser apresentado a ela.
Ela era a estrela mais quente do mundo. Não me lembro de ter dito muita coisa,
eu fiquei boquiaberto, mas Regina tagarelava enquanto me mostrava astros do
cinema e da música e então me levou para a cozinha onde pegou uma garrafa de Champagne
Piper, e me pediu para abri-la.
“Cuidado,” ela me alertou, “essa
é que é coisa cara pra valer, mas é o único tipo que eu bebo.” Eu acho que
murmurei algo inteligente tipo, “Ah-hã,” e a vi servir duas taças pela metade
de champagne, e depois completar com suco de laranja. Acho que ela chamou de
mimosa ou algo do tipo. Fomos nos sentar no sofá e ela começou a fazer
perguntas sobre o meu grupo, os nomes e as idades dos rapazes, que tipo de
experiência e exposição nós tínhamos tido, e então ela me surpreendeu dizendo
que queria ser nossa empresária. É isso,
lembro-me de ter pensado, o Ammons
Brothers Singing Group está no caminho direto ao topo.
Conversamos durante horas e
ficou óbvio que ela não queria que eu partisse, mas eu precisava ir. Estava dirigindo
pra casa quando o meu Pager vibrou, então eu parei em um telefone público e
liguei. Era Regina. “E aí?” eu disse. “Eu esqueci alguma coisa?”
“Sim,” ela disse. “Eu.”
Na tarde do dia seguinte eu
estava no Billie Jean’s quando Regina ligou e me convidou a encontrá-la no
Hillary’s para jantar; ela queria conversar um pouco mais sobre agenciar o meu
grupo. Ela já estava lá quando eu cheguei, e assim que eu me sentei, ela me
disse que esse era o mesmo lugar onde ela se sentava quando almoçava com Oprah
Winfrey. Ela disse que Oprah vinha oferecendo almoços e jantares para ela,
tentando conseguir que ela convencesse Whitney a aparecer no seu programa.
“De jeito nenhum Whitney vai
aparecer no programa da Oprah, querido,” Regina disse. “Ela não gosta da Oprah.
Ela a acha uma vendida, que sacode o rabinho para os convidados brancos e humilha
os negros. Além do mais, Whitney sabe que a Oprah indagaria sua relação com
Robyn Crawford e tentaria colocá-la numa posição delicada.” Ela riu e balançou
a cabeça. “E, querido, isso nunca vai
acontecer!”
Essa foi a primeira vez que ouvi
o nome de Robyn ser mencionado.
No final dos anos setenta um rascunho
de um roteiro chamado The Bodyguard
andava circulando em Hollywood. Nele, uma superstar negra e um segurança branco
se conheciam, juntavam-se profissionalmente, e eventualmente se apaixonavam. Nos
anos setenta, casos de amor inter-raciais, especialmente nos cinemas, ainda
eram tabu, então nada de mais aconteceu ao projeto. Aí nos anos oitenta o
diretor-roteirista Larry Kasdan finalizou o roteiro e tentou produzi-lo. Ele havia
trabalhado com Kevin Costner em Silverado
e antes no Big Chill, dessa forma
ele se aproximou primeiro de Costner a respeito de fazer o projeto.
Costner se mostrou aberto à ideia,
mas estava no meio das gravações de Dances
With Wolves e pôs o script de Kasdan de lado. Meses mais tarde, depois do
lançamento de Wolves e de ter sido
aclamado um sucesso extraordinário (lucrando mais de $250 milhões de dólares em
todo o mundo), Costner tirou da gaveta o script do The Bodyguard novamente e releu. Ele gostou do tema controverso, do
perigo de se arriscar em um relacionamento inter-racial, e decidiu fazê-lo. Ele
precisava de algo grande e corajoso para seguir sua primeira onda de sucesso
como ator-diretor, e ele queria um projeto que faria o público tomar
conhecimento. Ele não queria que todos achassem que Dances tivesse sido apenas um golpe de sorte.
Com as caixas registradoras
ainda soando no fundo e todos os grandes estúdios de Hollywood clamando para
conseguir o próximo projeto de Costner, ele podia dar-se ao luxo de escolher. Há
rumores de que seus assessores tentaram convencê-lo a cair fora, dizendo a ele
que a América Conservadora, ou seja, o Cinturão da Bíblia, não aceitaria uma
relação branco-negra, não importa quão grande fosse a estrela. Mas Costner foi firme.
Ele queria fazer The Bodyguard, e em
1990 tudo o que Kevin queria, ele conseguia.
Agora vinha o problema de escalar
a superstar negra que era descrita no script de Kasdan como jovem, deslumbrante,
sexy, e mal-intencionada. Várias atrizes negras adoráveis poderiam ter desempenhado
o papel, mas Costner queria uma cantora de
verdade. Todas as vezes que alguém queria uma atriz negra que cantasse, ou
vice versa, chamavam Diana Ross. Ela tinha provado seu talento para atuar em Lady Sings the Blues e todos sabiam que
ela podia cantar, mas havia um grande problema. Diana era dez anos mais velha
que Costner.
Não foi preciso um cientista
para descobrir que Whitney Houston era jovem, negra, deslumbrante, sexy, e mal-intencionada! Costner nunca a
tinha conhecido, mas ele, junto de outros milhares de fãs, tinha certamente
visto seus vídeos, e ele achou que ela seria perfeita para o papel. Mas ela
sabia interpretar? Muitas estrelas da música tinham tentado fazer a transição
de cantora para atriz e tinham falhado. Sendo o caso mais recente: Madonna (Tão
louco quanto parece, alguns maiorais da Warner Bros. tinham tentado convencer
Costner a contratar Madonna para o papel. Ele disse abertamente, “Ei,
camaradas, a última vez que eu vi, Madonna era branca!”)
Costner pessoalmente ligou para
Whitney e perguntou se ela gostaria de estrelar seu próximo filme, mas a diva não
pareceu muito impressionada e disse que retornaria a ligação. Ela não ficou indiferente,
todavia, e disse a Regina que ela quase teve um ataque cardíaco quando ouviu a
voz de Kevin Costner no telefone. Ele era
a maior estrela no show business em 1990, e ele também era bonito, tímido e bem-apessoado.
Uma combinação de matar, mas o ceticismo natural de Whitney a fez conferir. Quando
sua agente voltou com as novidades, “Sim, a oferta é legitima,” ela concordou
imediatamente sem nem mesmo ler o script.
Havia apenas um porém – Costner teria
que esperar até Whitney terminar sua turnê. Seu terceiro álbum acabava de ser
lançado e ela estava agendada por um ano inteiro. Sem problemas, Costner ia
esperar. “Eu simplesmente tinha um pressentimento sobre ela,” ele disse.
I’m Your Baby Tonight foi disco de platina duplo, e o single título
chegou ao topo das paradas. Esta era a oitava música de Whitney a ficar em
primeiro lugar nas paradas e ela agora tinha empatado o recorde estabelecido
por Madonna. Ela também tinha encontrado tempo para um pequeno romance em sua
vida, e renovou seu relacionamento com Eddie Murphy. Desta vez era
definitivamente um relacionamento sexual, não a velha história “somos apenas
amigos” que ela tinha contado à mídia no passado. Os tablóides não conseguiam
tirar o bastante desta união e escreviam sobre eles constantemente. Duas das
mais bem sucedidas e lindas estrelas negras do show business estavam se pegando
por toda a cidade, e os paparazzi tiveram um prato cheio.
“Robyn ficou bege,” Regina me
contou. “Absolutamente enfurecida e
ordenou que Whitney parasse de sair com ele, que parasse de bancar a trouxa com
esse cara, este mero homem! Robyn
realmente detesta homens.”
Mas Whitney a desafiou. Talvez ela
estivesse finalmente começando a apreciar as vantagens de poder encontrar-se
com alguém abertamente, sair em público com alguém de quem ela gostasse sem ter
que responder a um bando de críticas acerca de sua preferência sexual.

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