segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Capítulo 4: Um Foguete para a Fama

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Um Foguete para a Fama

Em 1980 um programa de televisão estreou, deixando não só a indústria da música agitada, mas compradores de discos e amantes de música também. Chamado MTV, quando não estavam exibindo vídeos de música, transmitiam comerciais direto gravados pelos próprios artistas, descaradamente anunciando seus últimos lançamentos.
                Era o tipo de programa com o qual a juventude americana podia se identificar e seus pais não. Astros extravagantes como Cyndi Lauper, Boy George, Kiss, Rod Stewart, Madonna, Alice Cooper, e inúmeros outros olhavam direto para a câmera e gritavam em alta voz, “Eu quero minha MTV!” Foi uma grande faceta publicitária e valeu a pena de forma decisiva.  As gravadoras puderam anunciar seus novos lançamentos sem gastar nenhum dinheiro com propaganda porque a MTV dependia tanto das demos gratuitas dos astros quanto de  exibir seus vídeos ininterruptamente, 24 horas por dia. Foi um casamento abençoado pelo deus do marketing.
                Em 1984, a MTV já tinha se tornado um enorme sucesso e devorava novos lançamentos com mais rapidez que os artistas podiam produzi-los. Com vídeo cassetes em duas de cada três casas, os vídeos passaram a ser a onda do futuro. Os adultos podem ter coberto seus ouvidos para o alto barulho do rock and roll que fazia tremer as caixas de som dos jovens, mas mesmo assim esses consumidores não se contentavam. Eles não precisavam mais simplesmente sentar-se para ouvir um disco. Agora eles podiam efetivamente ver seus astros do rock prediletos girando no palco. Era quase tão bom quanto estar em um show ao vivo.
                Clive Davis deu uma olhada na MTV e imediatamente soube que era a vitrine perfeita para Whitney. Com sua beleza sensacional e lapidada presença de palco, ele teria fans fazendo fila pra comprar seu disco. Não havia tantas cantoras negras lindas assim na época. Diana Ross, embora certamente elegante, não podia ser chamada de linda no sentido clássico. Como também não podiam Aretha Franklin nem Gladys Knight. A cantora favorita de Davis, Dionne Warwick, era uma mulher bela, mas nem mesmo ela tinha a beleza perfeita de Whitney. Davis tinha uma intuição de que Whitney os nocautearia.
                Fazer um vídeo de música era como fazer um curta, e para isso Davis precisava de um diretor ao invés de apenas um produtor musical. Choviam ofertas de centenas de diretores em todo o país, implorando pela chance de trabalhar com Whitney em seu primeiro clipe. Davis selecionou Michael Lindsay-Hogg, filho da estrela de cinema Geraldine Fitzgerald, e as filmagens logo tiveram início.
                “You Give Good Love” foi a canção escolhida, uma balada suave que destacava a incrível extensão vocal de Whitney. Ela cantou direto para a câmera, seus olhos esfumaçados acariciando as lentes. Ela se movia com uma sensualidade preguiçosa, e todos no estúdio tinham que ficar se lembrando de que ela era apenas uma garota de dezoito anos de idade.
                O primeiro vídeo ainda estava sendo editado quando Davis encomendou o segundo, “Saving All My Love For You,” a ser rodado em Londres. Isto era inédito no mundo da música. Whitney ainda não tinha um disco nas lojas ou uma música no rádio; ela estava famosa simplesmente por ser a linda Whitney Houston.
                Quando Davis encomendou mais dois vídeos a serem gravados em rápida sucessão, Whitney insistiu que um deles fosse o de “The Greatest Love of All,” e ela queria que sua mãe aparecesse com ela. A canção pode ser considerada por alguns como gospel por falar da crença e fé pessoais de uma pessoa.
                Era também uma canção que Whitney já tinha apresentado muitas vezes nos shows de Cissy, e ela sentia que seria um tributo a sua mãe. Whitney não só estaria publicamente agradecendo sua mãe por seu amor e apoio, como também reconhecendo sua influencia gospel. Todas as entrevistas que Whitney deu nessa época começava com a jovem dizendo ao repórter que ela “havia crescido na igreja. Eu já estava cantando gospel antes mesmo de conseguir pronunciar as palavras.”
                Cissy ficou emocionada quando soube que apareceria em um vídeo, mas sua empolgação virou decepção quando ela descobriu que não cantaria uma nota sequer. Ela meramente ficaria nos bastidores, sorrindo para sua filha enquanto Whitney tomava o centro do palco, sua voz elevando-se como a de um anjo.
“How Will I Know?” foi o primeiro vídeo que permitiu que Whitney fizesse mais que apenas parecer bonita. Um coreógrafo foi contratado para ensiná-la alguns novos passos de dança, e ao invés dos costumeiros vestidos de noite sofisticados que ela havia usado em vídeos anteriores, ela foi enfeitada com malha metalizada. Sem mangas e colado, o vestido parecia ter sido forjado ao seu corpo por um ferreiro. Ela usava largas pulseiras de escravo douradas no alto de seus braços e uma peruca loira encaracolada. Com sua tez café-com-leite, vestido dourado suave, e cabelo cor de mel, ela parecia uma estátua viva.
Este foi de longe seu vídeo mais impressionante, e Clive Davis sentiu que ela finalmente estava pronta para o seu álbum de estréia. Ele havia trabalhado implacavelmente por mais de um ano e gasto um quarto de milhão de dólares em sua campanha para promovê-la. Alguns executivos da Arista já estavam um pouco inquietos com todo esse dinheiro saindo e nenhum entrando. Todos estavam prendendo a respiração coletivamente, na esperança de que a aposta de Davis fosse dar certo.
O tão esperado álbum chegou às lojas em fevereiro de 1985. “Foi como se uma bomba tivesse explodido,” lembrou o gerente da Hits, Inc., uma grande loja de discos em Hollywood. “Nós mal tínhamos desempacotado os discos quando quase um motim eclodiu. Eu nunca tinha visto tanta gente em toda a minha vida! A loja estava repleta delas, todas clamando pelo disco da Whitney Houston. Nossos estoques estavam completamente esgotados em três dias.
Assim também todas as outras lojas de discos em toda a América. Os executivos da Arista agora tinham outra coisa com que se preocupar: distribuição. Foi como uma avalanche. Quanto mais cópias eram vendidas, mais eram pedidas. A mídia enlouqueceu quando todos os críticos em toda a nação começaram a elogiá-la muito. A revista People foi efusiva ao dizer, “Vai ser preciso um ato do Congresso para impedir que estar mulher se torne uma megastar.” A Newsweek, normalmente bem conservadora, escreveu, “Whitney Houston é um pouco assustadora. Nenhuma pessoa devia ter tanto talento para o estrelato assim. Não é justo.”
O álbum, intitulado simplesmente Whitney Houston, tornou-se o álbum de estréia mais vendido de todos os tempos na história da música com, nunca vistos antes, quatro hits na primeira posição nas paradas de sucesso. “You Give Good Love” era a canção mais quente no mundo, talvez por ter sido o primeiro single lançado do álbum. Não importa onde eu fosse, eu ouvia essa canção no rádio ou na TV, ou no som de alguém. E havia fotos dela espalhadas por toda parte – nas vitrines das lojas, em jornais e revistas. Ela era a mulher mais linda que já tinha visto em toda minha vida. Se alguém tivesse me dito naquela época que um dia eu a conheceria e me tornaria um amigo chegado a ela, eu teria achado que essa pessoa estava delirando.
A segunda metade dos anos oitenta rapidamente passou a ser conhecida como a Era da Whitney. Nesse curto período de tempo ela vendeu mais de 25 milhões de discos em todo o mundo e colocou na prateleira surpreendentes trinta prêmios. Quando Clive Davis a lançou em turnê, todas as entradas para os shows eram esgotadas antecipadamente. Seus ganhos eram bem modestos a princípio. Ela recebia em torno de $15.000 dólares por show na primeira etapa de sua turnê, mas à medida que sua popularidade decolou, assim também sua renda. Logo ela estava ganhando $100.000 dólares por show, e ao final daquele primeiro ano, sua remuneração tinha dobrado. A garota dos conjuntos de Newark estava fazendo mais dinheiro do que jamais sonhou ser possível.
Cissy Houston ficou estática com o sucesso de sua filha e nunca deixou passar uma oportunidade de gabar-se dela. Amigos da família diziam que era óbvio que Cissy estava revivendo sua própria carreira através de sua filha. Ela nunca tinha conseguido alcançar o estrelato por si só; portanto, ter uma filha estrela era a segunda melhor coisa.
“Cissy tirava proveito da notoriedade de Whitney como um gato grande que se espreguiça ao sol,” um vizinho disse. “O jeito como ela falava repetidas vezes a respeito dos recordes nas vendas e datas dos shows e todo aquele dinheiro, era como se estivesse acontecendo com ela. Ela agradecia a Deus e dizia coisas como, ‘Está finalmente acontecendo depois de todos esses anos.’ Bem, ela não estava falando de Whitney porque não levou ‘todos esses anos’ para Whitney alcançar o estrelato.
Como a fama de Whitney cresceu além até mesmo das grandiosas expectativas de Cissy, a jovem estrela passou a recorrer mais e mais a sua mãe por orientação e refúgio.  “Minha mãe é o meu alicerce,” ela dizia aos repórteres. Era como se ela estivesse tentando atrair Cissy para dentro do seu círculo de sucesso. E funcionou. Você não lia um artigo sobre Whitney que não mencionasse Cissy. Os repórteres inevitavelmente escreviam a mesma coisa: “filha da grande cantora de gospel e R&B, Cissy Houston.”    

Quando a National Academy of Recording Arts and Sciences anunciou seu nome entre os nomeados para o vigésimo oitavo Grammy Awards anual, em janeiro de 1986, pegou Whitney completamente de surpresa. Tanta coisa tinha acontecido tão rapidamente, sua cabeça ainda estava girando e giraria ainda mais depois que todos os nomeados fossem anunciados para a imprensa. A Pequena Nippy havia sido nomeada em três das categorias de ponta: Álbum do ano, Melhor Desempenho Vocal Pop Feminina, e Melhor Desempenho Solo de R&B Feminina.
Todos vibraram na Arista Records – exceto Clive Davis. Ele ficou furioso por sua descoberta não ter sido nomeada Melhor Artista Novo do Ano também. Seus amigos e associados ficaram chocados com sua furiosa retórica a respeito do pseudo-insulto. Para alguém que já estava no ramo da música há tanto tempo, ele certamente sabia das regras da Academia. Um artista não se qualifica para a categoria de Novo Artista se já possuir um selo ou crédito em um álbum no ano anterior. Whitney já tinha recebido créditos pelos álbuns de Teddy Pendergrass e Jermaine Jackson.   
Dionne Warwick foi a apresentadora na categoria de Melhor Desempenho Pop Feminina, e quando abriu o envelope e viu o nome de sua  pequena prima, ela deu um grito de alegria. As duas mulheres se abraçaram com força e o enorme auditório irrompeu em aplausos. Apertando o Grammy perto do seu coração, Whitney ficou radiante de exaltação, agradecendo “a Deus e meus pais, que tornaram tudo isso possível. Sinto-me como a Cinderella!” Cissy e John irradiavam orgulho. Sua pequena Nippy era a melhor cantora do mundo inteiro – e ela tinha acabado de dizer ao mundo inteiro que devia tudo isso a eles.
Muito embora Cissy e John já estivessem separados há muitos anos, eles nunca deixaram suas diferenças pessoais interferirem no relacionamento deles com sua filha. Whitney respeitava sua solidariedade para o bem dela e nunca teve favorito. Ele pedia conselho ao seu pai tanto quanto pedia à sua mãe, e ouvia ao que ambos tinham a dizer. Independente de seu fracasso com a carreira de Cissy, Houston ainda era considerado por muitos como um bom homem de negócios – ele só não havia tido as chances certas. Ele adorava o show business tanto quanto sua ex-mulher e filha, e deve tê-lo atormentado ter que trabalhar para a Cidade de Newark enquanto elas andavam de limusine e comiam em restaurantes caros. Ele queria uma fatia dessa torta para si mesmo. 
Ninguém sabe se foi com trepidação ou confiança que ele se aproximou de sua pequena Nippy depois do Grammy para perguntar a ela se ele podia assessorar sua carreira também, mas ele perguntou. Whitney não hesitou por um momento sequer. “Sim,” ela disse. “Absolutamente.” Seu empresário de longa data, Eugene Harvey, ainda estava muito em voga, mas aparentemente ele não se importava em compartilhar sua celebre cliente.  Todos ao redor de Whitney calcularam que havia glitter suficiente para todos.

Em meados de 1986, o álbum de estréia de Whitney já tinha atingido a categoria de platina, por inéditas seis vezes e ainda estava vendendo muito bem, o que fez com que o novo ganhador do Grammy se perguntar em voz alta, “Quem ainda o está comprando? Achei que todos no mundo já tivessem um até agora!”
Clive Davis não ligava pra quem estava comprando, ele só estava impressionado por estarem. Ele dizia para todos que pudessem ouvir, “Dá pra acreditar? Esta garota tem o álbum de estréia mais vendido de todos os tempos em toda a história da música do mundo inteiro!” Ele não podia estar mais orgulhoso de Whitney.
Enquanto Clive Davis estava planejando seu segundo álbum, Whitney e seus pais receberam um convite do prefeito de Newark, Kenneth Gibson, para participar de um jantar em homenagem a Whitney. Newark queria mostrar o orgulho que tinha de sua menina, dando a ela a chave da cidade. Foi um evento pomposo e Whitney estava uma verdadeira superstar em seu vestido elegante e jóias de ouro discretas. Ela ouvia graciosamente enquanto o prefeito fazia o seu discurso e em seguida a presenteou com uma placa.
Quando ela olhou para a multidão, reconhecendo muitas pessoas do seu passado, imagino se ela sentiu uma certa reivindicação presunçosa. Afinal de contas, muitos daqueles jovens na platéia tinham sido seus colegas de classe na escola. Eles tinham falado mal dela, xingado ela, e transformado sua vida num inferno. Se ela estava nutrindo qualquer má vontade, ela escondeu e deixou o palco ao som dos aplausos da platéia de pé.

Quando Clive Davis finalizou o segundo álbum de Whitney, seu primeiro álbum ainda estava vendendo muito bem. Mais de 15 milhões de cópias vendidas, e o álbum tinha ficado no topo das paradas por catorze semanas. Somente outra cantora, Carole King, em 1971, tinha feito um álbum permanecer na primeira posição por esse período de tempo, e ela superou Whitney apenas por uma semana. “Número um” parecia simplesmente preceder automaticamente ao nome de Whitney nesses dias. Seu segundo álbum foi lançado em junho de 1987 e foi imediatamente inserido na Billboard’s Hot 100, estreando em primeiro lugar. Whitney era a única artista a ter um álbum na primeira posição no minuto em que foi lançado. Nem mesmo Madonna, que era a estrela pop mais quente da década, poderia reivindicar tamanha distinção. Contudo, Madonna superou Whitney nos ganhos em 1987, mas não por muito. De acordo com o New York Daily News, Madonna ganhou $47 milhões aos $44 milhões de Whitney, ambas superando os $43 milhões de Michael Jackson. E Whitney só tinha vinte quatro anos de idade.
Com dois álbuns campeões de vendagem, bem como uma seqüência de singles e vídeos, parecia que Whitney não fazia nada de errado. O público estava voraz por cada migalha de informação que podia catar a respeito de sua deusa do rock. Era uma semana lenta de fato se a fotografia de Whitney não agraciasse alguma capa de revista em algum lugar. E os tablóides escreviam sobre cada passo seu. Ela, na verdade, tirou a Lady Di das capas de várias revistas, e ouviram Oprah Winfrey dizer, “Graças a Deus por Whitney Houston! Agora talvez os jornalecos me deixem em paz por um tempo!”
Junto com os aplausos, uma mesma dose de inveja e especulação estourou. Aqueles rumores sobre lesbianismo ainda persistiam, e Whitney não fazia quase nada para calá-los. Quando perguntada por repórteres se havia alguma verdade nesses boatos, Whitney respondia na defensiva ou com sarcasmo. “Não, eu não sou sapata,” ela respirava fundo com altivez. “Os caras que dizem isso a meu respeito são os mesmos que querem mergulhar nas minhas calças!”
Quando um repórter rejeitava sua resposta superficial e persistia na pergunta, ela dizia que ela e Robyn Crawford tinham sido amigas “mais chegadas que irmãs” desde a adolescência. “Mesmo nessa época, achavam que éramos gays. Acho que tinha muito a ver com o fato da Robyn ser atlética.”
Entretanto, a resposta mais comum, tanto de Whitney quanto de Robyn, era, “Se você não entende o nosso relacionamento, dane-se!” Enquanto Whitney escalava o mundo, ela trouxe Robyn consigo, fazendo dela “minha assistente executiva” assim como sua eterna colega de quarto.     
Os boatos perduraram. Não havia nenhum homem na vida de Whitney. Ela já tinha sido ligada, nos tablóides, a um número de homens, tais como o astro do beisebol, Daryl Strawberry; o apresentador de talk-show, Arsenio Hall; o restaurateur, Brad Johnson; e ao enigmático Príncipe, e superstar, Eddie Murphy.
Robert De Niro, cuja inclinação por mulheres negras é bem conhecida, começou a enchê-la de ligações telefônicas e dúzias de flores, quase que diariamente. “Ele trazia o seu número de casa no crachá,” uma amiga disse, “mas Whitney não ligava pra ele. Ela o achava velho demais pra ela. Até que um dia ele mandou pra ela um urso de pelúcia, com grandes e lindos brincos de diamantes pendurados nas orelhas.”
Whitney finalmente ligou para o De Niro então. Ela foi educada, mas firme, dizendo que ficava lisonjeada, mas não estava interessada. Ele continuou a cortejá-la com flores e presentes, dizendo aos seus amigos que estava louco por ela e só queria uma chance de declarar-se pessoalmente.
Todos na vida de Whitney se meteram no “Caso De Niro,” especialmente os mandachuvas da Arista, que disseram que seria “suicídio de carreira” envolver-se com um homem branco. Por fim, Cissy tomou as rédeas da situação. Ela enfiou todos os presentes que De Niro havia mandado numa caixa com um bilhete que dizia, “Retornar ao remetente. Agradecida, mas ‘não, obrigada’.”  
Amigos e fãs semelhantemente começaram a se perguntar se talvez haveria alguma verdade aos boatos de que Whitney seria gay, embora Whitney continuasse a negá-los, com mais raiva a cada vez, porque nunca havia sido vista com um homem num encontro de verdade. Ela estava constantemente na companhia de seus irmãos, Gary e Michael, ou de seu pai ou de alguns de seus parceiros de negócios, mas nunca com um pretendente. Ela e Robyn continuavam a viajar juntas e a ficar hospedadas no mesmo quarto de hotel, a fazer compras e até relaxar juntas. Quando os repórteres insistiam numa resposta para a pergunta, “Há alguém significativo em sua vida?” A resposta irritada de que ela estava “ocupada demais” só fez atiçar as brasas. Certamente uma linda e jovem mulher que circulava nas rodas por onde Whitney andava teria um tempinho livre para um jantar romântico.
Com todas as revistas, desde a prestigiosa Time até a desprezível Globe, metralhando a sua preferência sexual, Whitney finalmente decidiu falar a respeito com uma publicação que ela sentiu que a entenderia e não distorceria sua palavras, Rolling Stone. Ela disse, em parte:
“Estou farta desta porcaria. Querem saber se há um relacionamento entre mim e Robyn. Nosso relacionamento é de amizade. Somos amigas desde meninas. Robyn agora é minha funcionária. Sou sua patroa. Quer dizer que se eu tiver uma amiga, eu tenho que ter um relacionamento lésbico com ela? Isso é idiotice. Tem tantas artistas que tem suas amigas como confidentes, e ninguém questiona isso. Então concluo que é meio que, ‘Whitney Houston, ela é popular, vamos sacaneá-la.’ Eu já neguei inúmeras vezes, mas ninguém aceita.”
Mas era o jeito como ela negava, com raiva e arrogância, que continuava a ultrajar seu público homofóbico. Um amigo de seu irmão Gary me disse que Whitney finalmente percebeu que teria que tomar algumas medidas drásticas para se livrar desse estigma do lesbianismo. Ele disse que ela e Robyn conversavam e discutiam a respeito disso e realmente chegavam a se agredir fisicamente, mas Whitney era teimosa. Ela disse a Robyn que se o público queria vê-la com um cara, que então, por Deus, ela daria a eles o que queriam. Acho que ela disse que talvez fosse mais razoável se ela fosse bissexual ao invés de gay, e ela ia começar a sair com os caras. 
Bem, Robyn pipocou e não quis que ela saísse com homens, mas Whitney é teimosa e tinha decidido que haveria em breve um homem em sua vida – e houve, Eddie Murphy. Eles iniciaram um romance bastante divulgado que encantou seus fãs e deixou Robyn indignada. Ouvi dizer que seu romance com Eddie a convenceu de que talvez fosse bissexual afinal de contas e que talvez os homens não fossem tão ruins quanto imaginava que fossem.
Era final de 1987 quando amigos perceberam uma mudança em Whitney. A senhorita boazinha e certinha desapareceu, a jovem menina virginal que dava a Deus e a sua igreja todo o crédito por seu sucesso. Ela desenvolveu uma atitude, ficando atrevida e ainda mais arrogante. Ela não ligava a mínima em deixar sua platéia esperando por duas horas ou mais, e entrava no palco despreocupadamente sem se importar em desculpar-se por seu atraso.  Mais de uma vez ela disse aos repórteres, “Eu não devo nada a ninguém senão uma boa apresentação.”
Ela também foi rude com seus célebres companheiros, uma vez aparecendo com duas horas de atraso para uma festa onde Boy George e Elton John também estavam presentes, e se comportando grosseiramente entediada. De acordo com o Daily Mirror de Londres, Boy George ficou chocado: “Que vaca grossa! Eu conheço a maior parte da família real, incluindo a Princesa Diana. E ainda assim, nem mesmo a realeza trataria as pessoas dessa forma. Ela [Whitney] me fez sentir como um nada.”
Pode ser dito em defesa de Whitney que nessa época ela estava completamente esgotada. Ela não tinha parado nos últimos quatro anos, indo da obscuridade à fama mundial mais rápido que quase qualquer outro no ramo da música. Ela vinha sendo aplaudida por sua beleza e talento, ovacionada por multidões de fãs adoradores, e perseguida por bandos de repórteres e paparazzi.
Uma garota dos conjuntos, ela agora ia de limusines a restaurantes elegantes e hotéis luxuosos. Seu guarda-roupas era repleto de roupas de grife, e suas jóias eram em maior número que os dias do mês. Ela tinha o seu maquiador pessoal, sua cabeleireira, assistentes, e lacaios. Ela só precisava estalar os dedos e todos os seus desejos eram realizados.
Este inebriante, intoxicante estilo de vida subiria à cabeça de qualquer um – e Whitney tinha acabado de fazer vinte quatro anos. Amigos antigos que se recordam dizem, “Ela nunca precisou pagar nenhuma dívida como a maioria dos artistas que batalham durante anos para alcançar sucesso. Ela era adolescente um dia, uma superstar no outro.”
Foi dito e publicado tantas vezes que ela foi a única artista na história da música que teve um álbum de estréia de platina por seis vezes. Se ela acreditava em sua própria publicidade, quem poderia culpá-la? Para todo lugar que se voltasse, as pessoas estavam correndo pra cima dela, dizendo a ela quão maravilhosa ela era, quão linda, quão talentosa, quão tão excepcional.
Pessoas que ela tinha conhecido a vida inteira começaram a tratá-la de forma diferente, com respeito e até mesmo admiração. Ninguém mais a chamava de Nippy, exceto seu pai e alguns parentes, ela era essa deusa, essa dondoca, e isso a confundia e irritava. Whitney é muito pé-no-chão em muitas maneiras, e todo o rebuliço a desconcertava e aborrecia. Ela ainda queria sair de jeans e camiseta, ficar à vontade com os amigos, mas seu público exigia que ela fosse uma rainha em cada centímetro quando pusesse os pés pra fora de casa – se ela pudesse fazer tal coisa sem ser atacada.
Grandes mudanças estavam para acontecer na vida de Whitney em 1988. Durante muito tempo ela tinha ouvido a todos ao seu redor, e tinha se convencido de que eles sabiam o que era melhor pra ela e que ela deveria apenas ser boazinha e quietinha e fazer o que mandassem. Clive Davis continuava a gerenciar sua carreira, tomando todas as criativas decisões, seu pai era seu empresário, sua mãe era sua conselheira pessoal, seus irmãos freqüentemente cantavam no seu backup ou viajavam com ela como “seguranças.” Pra todo lugar que se virava alguém estava puxando ela, querendo arrancar um pedaço dela, e ela já estava cansada disso. Ela me disse uma vez, “Quem melhor que eu mesma sabe o que é melhor pra mim? Eu sei o que eu quero e não quero um bando de gente na minha cara o tempo todo.”
Em retrospecto, 1988 parece ter sido o ano em que Whitney se rebelou de vez. Ela queria, precisava de tempo sozinha para absorver tudo o que tinha acontecido a ela nos últimos poucos anos. Ela disse aos amigos que queria explorar outras oportunidades, talvez cinema. Tinham lhe oferecido vários roteiros, inclusive a versão em filme do popular musical da Broadway, Dreamgirls, uma sutilmente velada biografia de Diana Ross e as Supremes. Quando a notícia se espalhou de que Whitney estava considerando aceitar o papel, Diana ficou furiosa. Se um filme das Dreamgirls [Garotas dos Sonhos] ia ser feito, então ela mesma interpretaria o papel de si mesma – não uma novata autoconfiante qualquer.
Quando Whitney soube da reação de Diana Ross, ela supostamente deve ter rido e dito, “Então vão ter que mudar o título do filme para Dreamgrannies [Vovós dos Sonhos] – quantos anos ela tem, pelo menos, cerca de cinqüenta?”
Diana Ross estava beirando os cinqüenta e seu status como estrela e a venda de seus discos estavam em declínio, portanto ela se sentiu compreensivelmente magoada e insultada com o comentário insensível de Whitney. Ela revidou, fazendo alguns comentários sarcásticos sobre Whitney na imprensa, e Whitney retaliou dizendo, “Quando um artista alcança certa idade, ele fica um pouco nervoso ao ouvir os ruídos de pequenos passos atrás dele. Particularmente, acho que Diana gosta de atenção. Eu não preciso de atenção tão desesperadamente.”
Diana parecia querer manter a rixa viva na mídia. Ela estava atraindo mais atenção do que vinha tendo há muito tempo. Mas Whitney se encheu das especulações e anunciou que preferia interpretar “uma personagem histórica – alguém tridimensional, como Josephine Baker.”

Isso só fez acender a brasa da Srta Ross novamente. Ela vinha querendo fazer Josephine Baker no cinema desde 1976, quando cantou várias de suas canções nos seus shows. Ela acusou Whitney de fazer o comentário só para “estar por cima.” Como se viu, o papel de Josephine Baker foi para Lynn Whitfield, e as duas divas perderam o duelo. Provavelmente tenha significa muito para Diana Ross, mas Whitney simplesmente deu de ombros como era típico nela. 

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