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Whitney, Robyn
e o Bad Boy do
R&B
Quando
Cissy ficou sabendo sobre o noivado de Whitney com Bobby, ela vestiu sua capa
de cristã, que estava sempre à mão, e choramingou, dizendo que Bobby não era
bom o bastante para sua filha. “Somos uma família estritamente cristã,” ela
disse. “Temos costumes e acreditamos em Deus e na família. Bobby Brown
obviamente não. Ele já tem dois filhos nascidos fora do casamento – que nós
saibamos – e não teve escrúpulos em engravidar nossa filha antes de fazerem
qualquer voto. Esta não é a espécie de homem que quero como genro!”
Robyn colocou de forma mais sucinta: “Ele é um
punk. Eu não gosto dele.”
Até John Houston, que geralmente não se envolvia em
problemas pessoais, encontrou-se com Whitney e pediu que reconsiderasse, que
pensasse cuidadosamente antes de casar-se. “Se não o fizer,” ele disse
solenemente, “estará cometendo o maior erro da sua vida. E partirá o coração de
sua mãe.”
Whitney não ouvia ninguém. Ela estava feliz. E daí
que Bobby tivesse “um histórico. Todos nós temos.” Logo o passado se tornaria
presente e a faria pensar se, realmente, ela estava fazendo a coisa certa. Um
dos tablóides publicou que o bad boy Bobby tinha acabado de ser pai – pela
terceira vez. E a mãe definitivamente não era sua noiva. A mãe do novo filho de
Bobby era uma mulher com quem ele havia crescido nos conjuntos Orchard Park e
ela também era a mãe de sua filha de dois anos.
Whitney ficou furiosa e disse a Regina que estava
se sentindo humilhada e envergonhada. Como Bobby podia querer ter alguma coisa
com outra mulher quando ele tinha a ela? Ele tinha muito a explicar, e
aparentemente ele o fez muito bem. Ele convenceu Whitney de que a mulher já era
coisa do passado, dizendo a ela que depois que se envolveu com ela, Whitney,
ele havia rompido todos os laços com o passado. Infelizmente, ele não sabia que
a mulher já estava grávida na época. Ele jurou ter sido fiel desde que ele e
Whitney começaram a sair. Ela acreditou nele e o anel de noivado permaneceu em
seu dedo.
Descobri mais tarde que Robyn havia contratado um
investigador particular para pesquisar o passado de Bobby e ver se conseguia
desenterrar alguma sujeira dele. Quando ela descobriu a mulher com quem ele
tinha tido um romance desde que eram adolescentes, ela também descobriu que a
mulher havia dado à luz recentemente ao segundo filho de Bobby. Ela estava
contando com o famoso temperamento de Whitney para acabar com o noivado. Mas
seu tiro saiu pela culatra.
Durante as filmagens do The Bodyguard, Whitney tirou umas folgas para reparar sua imagem e
promover o filme. O canal ABC-TV exibiu um especial, “Whitney Houston: This is My Life,” dando ao público uma idéia das
atividades diárias de uma superstar. Ela foi filmada na Nippy, Inc., como uma
líder corporativa interagindo com seus empregados, em seguida visitando seus
pais, descansando em casa, em sua luxuosa mansão, e se emocionando com Kevin
Costner no set do The Bodyguard.
O ritmo de produção estava diminuindo, e enquanto
Costner e o diretor Mick Jackson viam as gravações, eles perceberam que tinham
um problema. Apesar de toda beleza e sensualidade de Whitney, ela aparentava
ser fria e rígida nas filmagens. O amor que deveria estar surgindo entre sua
personagem e Costner não estava acontecendo.
“Não havia química,” Jackson disse. “Pareciam dois
companheiros passando o dia juntos ao invés dos amantes avassaladores que
deveriam ser.”
Costner tinha uma clausula em seu contrato que dava
a ele a opção de reeditar o corte final do filme caso não estivesse satisfeito
com o corte do diretor. Ele não estava satisfeito. Ele havia prometido a
Whitney que se ela fizesse este filme com ele, ele a faria “ficar bem na fita,”
e ela não estava tão bem quanto ele achou que ela poderia. Ele sabia que este
era seu primeiro papel, que ela era uma cantora, não uma atriz, e ele achou que
era sua responsabilidade fazer a coisa certa por ela. Sua beleza clássica
brilhava em todas as cenas, então ele cortou algumas das falas mais difíceis e
concentrou-se em seu rosto e corpo.
No corte final, há muitos closes de seus grandes
olhos amendoados, saudosos e um pouco tristes, refletindo seu medo e incerteza.
A câmera se detém em seu corpo sensual e movimentos graciosos. A força pungente
da canção-tema, “I Will Always Love You,” tocando ao fundo, dando vivacidade
onde não havia nenhuma.
“I Will Always Love You” havia sido escrita pela
cantora country Dolly Parton há mais de duas décadas antes, e tinha feito pouco
sucesso com ela. Quando Whitney a regravou, escalou nas paradas até o topo,
tornando-se um megahit.
Com o término das filmagens, Whitney voltou sua
atenção ao planejamento do seu casamento. A princípio, ela e Bobby tinham
querido simplesmente fugir e evitar a imprensa que eles sabiam ia persegui-los,
mas Cissy não queria nem ouvir falar nisso. Se sua filha teimosa insistia em
seguir em frente com esse casamento, então Cissy queria que fosse um casamento
para entrar para a história. Ela mesma não tinha tido um casamento elegante,
então mais uma vez ela estaria vivendo suas fantasias através de Whitney.
Com a relutante aceitação de Cissy em relação a
Bobby, John deu sua benção. Talvez houvesse algum dinheiro a ser feito com esse
garoto inexperiente. Ele começou a olhar seu futuro genro como um possível
negócio arriscado. A carreira de Bobby estava vacilante e John acreditava que
poderia revitalizá-la. Talvez tivesse mais sorte assessorando a carreira de um
homem do que teve com as duas mulheres obstinadas de sua vida. Ele deu início a
uma campanha para conquistar Bobby.
Brigar estava em alta como nunca na Família Real, e
até Clive Davis entrou na dança. Ele estava preocupado com a imagem de bad boy
de Bobby e tinha medo que respingasse em Whitney. A Arista Records tinha gasto
milhões de dólares e muitos anos criando e polindo a imagem de querida e
íntegra cristã de sua cliente, e ela era de longe sua artista mais
bem-sucedida. Manter seu status de superstar era mais importante que nunca, e
Davis estremeceu com a idéia de que ela pudesse jogar tudo isso pelo ralo com
um canalha das ruas. Ele convocou uma reunião com ela e pediu para sua garantia
pessoal que Bobby estivesse pronto para comprometer-se.
Em seguida, o advogado de Whitney convocou uma
reunião e apresentou a ela um acordo pré-nupcial para que Bobby o assinasse.
Ela ficou ofendida e disse isso a ele. Seu noivo a amava, não o seu dinheiro.
Regina disse que Cissy ficou furiosa por Whitney não aceitar o conselho de seu
advogado. Afinal de contas, ela agora valia mais de $30 milhões de dólares e
Cissy não queria que Bobby pusesse as mãos em um centavo sequer desse dinheiro.
A lista de convidados continuava a crescer, e
quando Whitney pessoalmente me convidou, disse a ela que nada me impediria de
ir. Ela disse que me mandaria um convite e me pediu que o guardasse, porque
teriam tanta segurança que ninguém poderia entrar sem um. Prometi guardá-lo
como a minha própria vida.
Mais tarde naquela noite enquanto Regina e eu
estávamos jantando, ela me perguntou, “Kevin, se alguém te oferecesse cinco mil
dólares por seu convite de casamento, você o venderia?”
“Claro que não,” eu disse. “Prometi a Whitney que
estaria lá e que nada me impediria de ir.” Fiquei curioso e perguntei por que
me havia feito tal pergunta.
“Tenho recebido dezenas de ligações da imprensa.
Todos estão querendo uma cópia do convite para publicar em seus jornais.” Ela
riu e disse, “Parece que a pequena Nippy é o ticket mais quente da cidade esses
dias.”
Vários dias depois, perguntei a Regina quando
poderia esperar meu convite, e ela disse que estariam sendo entregues três dias
antes do casamento por razões de segurança. Não pensei em nada no momento, até
que um dia, passando por uma banca de jornal, vi uma foto de Whitney na capa do
Globe com legendas sobre o seu
convite de casamento. Comprei o jornal e dentro dele havia uma cópia do seu
“convite oficial de casamento” assim como informação sobre que tipo de vestido
ela estaria usando. O primeiro pensamento a vir em minha mente foi, obviamente,
Regina. Eu sabia que ela tinha alguma coisa a ver com isso.
Quando voltei ao seu apartamento, mostrei a ela o
jornal e ela deu de ombros e disse, “É falso. Os convites reais estão sendo
feitos à mão e o designer ainda está trabalhando neles.”
Acreditei nela, mas alguns dias depois eu a peguei.
Era manhã de domingo e ela achou que eu ainda estivesse dormindo, mas eu tinha
levantado por algum motivo e enquanto passava pela porta da cozinha, a vi em
cima de um banco, guardando uma pasta em cima do armário. Fingi que não tinha
visto nada e ela logo saiu para encontrar com sua mãe na igreja.
Peguei a pasta e abri. Estava cheia de histórias
que ela havia vendido para os tablóides sobre todo mundo, desde Whitney até Michael
Jackson, Oprah Winfrey, e muitos outros astros. Havia fotocópias dos cheques
que ela tinha recebido e as quantias eram atordoantes. Não é de admirar que
pudesse morar como uma rainha nesse apartamento luxuoso na melhor parte da
cidade! E lá estava o convite de casamento de Whitney.
Vasculhei todos os seus papeis e descobri que ela
tinha uma sofisticada operação secreta. Muitas de suas fontes vinham do
escritório do colunista Irving “Kup” Kupcinet do Chicago Sun Times. Kup recebia telegramas do mundo inteiro para a
sua coluna, e alguém os escolhia e os repassava para Regina, quem só então os
vendia para os tablóides. Encontrei informação sobre Stedman Graham, namorado
de Oprah Winfrey. Regina o conhecia há anos, e todas as vezes que se falavam,
ela cavoucava pedacinhos de informação dele sobre Oprah, mudando um pouco a
história apenas o bastante para que ele não reconhecesse de onde tinha vindo, e
vendendo aos jornais.
Olhando para trás, eu era uma grande prostituta
tanto quanto ela. Eu queria o estrelato mais que qualquer coisa e estava
convencido de que Regina era o meu ticket para a família Houston e o seu apoio.
Quando ela chegou em casa, estava sentado no sofá,
segurando a pasta, e ela começou a xingar e esbravejar, dizendo “Com ousa
revirar meus pertences pessoais,” e começou a me estapear, mas segurei o seu
braço. “Você está doente,” eu disse. “Precisa de ajuda. Como pôde fazer isso
com Whitney? Ela sempre te tratou bem e te pagou um bom salário. Por que você
faria algo assim? Apenas diga o porquê.”
“Preciso de dinheiro,” disse carrancuda. “Tenho
muitas contas e ainda ajudo minha mãe. Você sabe disso.”
Era verdade. Tinha a visto dar cheques a sua mãe de
tempo em tempo, mas certamente nenhum tão alto assim. “Sua ganância será a sua
ruína,” disse a ela. “Tem traído muita gente e o seu carma vai te cobrar.”
Senti um enjôo no estômago por saber que amava uma mulher que podia ser tão
desonesta, e quis ir o mais longe dela que fosse possível. “Você sabe,” eu
disse, “não são só as histórias, mas como pôde vender o convite de casamento de
Whitney? É muito baixa, cara. Realmente uma porcaria.”
Estava indo para a porta e disse, mais para mim
mesmo que para ela, “Estou quase contando a Whitney o que fez.”
Ele veio
voando pela sala e se jogou em cima de mim, enroscando seus braços e pernas em
volta de mim, chorando e implorando que não contasse a Whitney. “Por favor,
Kevin, por favor, querido,” ela soluçava. “Não faça isso. Vou mudar, eu
prometo. Dê-me uma nova chance, por favor, querido.”
Ela começou a me beijar e se esfregar em mim,
descendo para segurar e acariciar o meu pênis. Senti-me enfraquecer como sempre
me sentia quando ela ligava seu tipo especial de fazer amor. Este dia não foi
diferente quando me permiti ser levado ao seu quarto.
À medida que o dia do casamento se aproximava, a
tensão na Nippy, inc. estava explodindo em toda parte. A mulher que tinha
acabado de ter um filho de Bobby ligava constantemente, ameaçando arruinar o
casamento e “destruir Whitney Houston” se ela não o cancelasse. Robyn tinha
tentado de tudo que podia pensar para separar Bobby e Whitney, mas não estava
dando certo. Então foi que John aproximou-se de mim e disse que estava disposto
a pagar “muito dinheiro para que dessem um fim em Robyn.” Depois ele mudou para
“só dar uma boa surra nela, quebrar alguns ossos e ensinar a vadia intrometida
a cuidar da sua própria vida. Se alguém a matasse, isso partiria o coração de
Nippy.”
Robyn estava pirando o tempo todo, falando mal de
Bobby, dizendo o quanto era um canalha mulherengo e drogado, e que não ia
deixar Whitney jogar sua vida fora se casando com ele. Ela atacava verbalmente
todo mundo na Nippy, Inc. que não concordasse com ela, e finalmente Whitney
botou um ponto final. Na verdade elas chegaram a se agredir e Whitney a colocou
para fora da mansão, onde Robyn vinha morando há anos. Bobby agora estava
passando a maior parte do tempo lá, e mais de uma vez ele disse a Robyn que não
ia dividir sua casa com ela depois que ele e Whitney se casassem. “E também não
vou dividir minha esposa com você, então vá se acostumando!” Bobby declarou.
Alguém vazou a briga para os tablóides (me pergunto
quem!), criando todo o tipo de especulações a respeito da amante lésbica de
Whitney ser expulsa em favor do bad boy Bobby Brown. Com o seu casamento às
portas, Whitney percebeu que teria que tentar, mais uma vez, provar que era uma
mulher heterossexual se casando com o homem que amava. Ela falou com um
repórter do Los Angeles Times, alegando,
“Robyn é minha melhor amiga, que me conhece melhor que qualquer mulher jamais
conheceu. Temos sido chegadas há anos, mas quando conheci Bobby, Robyn e eu já
tínhamos passado tempo suficiente juntas. Nós éramos colegas de quarto, mas
agora que estou me casando, ela se mudou para o seu próprio apartamento, a
cerca de trinta minutos de distância.”
Algumas semanas antes do casamento, Robyn deu uma
completa reviravolta. Ela estava calorosa e simpática e pareceu aceitar que
Whitney não estivesse mais em sua vida. Ela chamou Regina e sugeriu que elas
fizessem um chá de panela para Whitney no Rihga Royal Hotel em Manhattan. Foi
uma festa cheia de estrelas com champagne, caviar, e muitas risadas. “Whitney
se divertiu bastante,” Regina me disse. “Ela ganhou uma porção de calcinhas e
camisolas sensuais, e alguém deu a ela um par de algemas de veludo e uma
camisinha que acende no escuro. Mas ela não vai precisar da camisinha. Ela
disse que pretende engravidar o quanto antes.”
O bom humor de Robyn só durou até o fim da festa,
depois ela voltou a falar mal de Bobby para todos que quisessem ouvir. Bobby
sentia por Robyn o mesmo que ela sentia por ele, e eles tentavam ficar fora do
caminho um do outro em consideração a Whitney. Mas com um casamento para
planejar ficava difícil. Uma noite um grupo estava sentado depois do jantar, discutindo
o casamento quando Bobby disse a Robyn que queria tirar umas coisas do peito.
Ele não gostava do fato de Whitney e Robyn compartilhar suas roupas, e disse a
ela que não queria vê-la mais usando as roupas de sua mulher. A revista Star
tinha acabado de sair com um artigo que provavelmente desencadeou esse
confronto.
De acordo com o que Janet Carlton havia escrito na Star, Whitney e Robyn foram vistas
fazendo compras juntas na Barneys em Nova Iorque. “Elas pegaram uma braçada de
roupas masculinas e o vendedor presumiu que fossem para Bobby, mas Whitney
disse, ‘Não, eu quero experimentá-las.’ Ela e Robyn experimentaram ternos
masculinos, paletós, e sapatos e acabaram levando suéteres idênticos da Dolce
& Gabbana.”
Robyn, sempre briguenta, se ofendeu com a opinião
de Bobby sobre o compartilhamento das roupas e se ergueu de um salto, apontando
o dedo em seu rosto. A discussão logo se transformou em uma disputa de gritos
com Robyn pulando em cima dele. Whitney a agarrou, tirando-a de cima dele e
levando-a para longe enquanto convidados boquiabertos olhavam espantados sem
acreditar no que viam.
Mais tarde Whitney ria disso, dizendo a um repórter,
“É claro que não é verdade! Primeiramente, se fosse verdade, Robyn teria sido
nocauteada. Mas Bobby é um cavalheiro. Ele nunca lutaria com uma mulher.” Os convidados
que haviam testemunhado a luta só menearam a cabeça e apostaram por quanto
tempo esse casamento ia durar – ou mesmo se ia acontecer.
Pessoas que conheciam Whitney há anos estavam vendo
uma mudança tomar conta dela. Ela tinha se tornado mais irritadiça, rabugenta e
pavio-curto. Ela sempre tinha detestado os repórteres, mas agora eles
simplesmente pareciam diverti-la. Ela não parecia mais ligar para o que
escreviam sobre ela. “Eles vão escrever o que quiserem de qualquer jeito,” ela
disse para mim e para Regina um dia. “Não importa o que eu diga. Eles simplesmente
inventam alguma merda e dizem que eu disse.”
Notei algo nela também. Ela começou a falar na gíria
dura das ruas, muito étnica e confrontante. Ela gingava quando andava, e se
estivesse vestindo jeans, ela pendurava seus dedões pelos laços da correia como
um homem.
“As pessoas acham que eu sou a Srta Certinha,” ela
disse a um repórter da revista Time. “Mas
eu não sou. Gosto de me divertir. Posso baixar o nível, a um nível
assustadoramente sujo, com você. Posso ficar atrevida. Aprendi a ficar mais
solta só por estar perto do Bobby. Aprendi a ficar um pouco mais relaxada – não
tão contida, sabe? Desde que tenho estado com ele, tenho ficado, sabe, um pouco
mais livre das minhas neuras.”
Bobby disse ao Los
Angeles Times, “Talvez eu seja um bad boy e ela pode ser a Queridinha da América,
mas é amor. Quando acontece, você tem que agarrar com unhas e dentes. Não pode
deixar escapar, não importa o que todos digam. Whitney é uma mulher que tem
orgulho de ser negra. Isso foi o que realmente me atraiu nela. Ela é linda, não
só por fora, mas por dentro. Quando terminamos um show, ele veste um jeans e nós
damos um role.
Presentes de casamento chegavam aos montes,
pinturas, cristais, jóias, prataria, utensílios de cozinha. Regina os abria e
ficava com os presentes que queria, depois mandava o restante para Whitney. Quando
disse a ela que estava roubando como um ladrão ordinário, ela mandou que eu
tomasse conta da minha própria vida.
Bobby ainda estava gerando má publicidade, devido a
uma acusação de embriaguez pública, e os fãs de Whitney a estavam censurando
publicamente com cartazes que diziam “Whitney, como pôde?” e “Não se case com
ele, Whitney.”
Whitney respondeu, “Sou como essa princesa
americana e a America branca quer que eu me case com um cara branco. Eles não
entendem por que eu ia querer um homem negro e forte.”
O amigo de longa data de Bobby, Jamie Foster Brown
(nenhum parentesco), editor da Sister 2
Sister, veio em seu auxílio e disse à imprensa, “Muitos homens ficam intimidados
com mulheres fortes e poderosas, mas Bobby não. Ele sempre apoiou Whitney. Ela conhece
o lado particular de Bobby, um lado que o público não conhece. Sei que ele é
bravo e perdeu o controle recentemente, mas eu também sei que ele é um homem
gentil, sensível e humilde, que adora cozinhar e que ama Whitney e ama seus
filhos. Todos os tipos de mulheres têm se jogado para cima dele desde que ele
tinha treze anos de idade. A maioria dos homens, especialmente os artistas, não
estão preparados para dizer não. Mas Whitney promete que isso não tem importância;
ela acredita que ele evoluirá. Os brancos não entendem como é difícil para uma
mulher negra bem-sucedida encontrar um negro com quem ela possa estar em pé de
igualdade. Estou te dizendo, não há muitas opções lá fora!”
Por sua vez, o comportamento de Robyn ficou tão
bizarro que acabou preocupando os Houstons. Ela fazia birra todos os dias,
ameaçando bater em todo mundo, xingando os outros a torto e a direito, e
fazendo os funcionários da Nippy, Inc. sentirem-se infelizes. Ela disse para
mim, Regina e John que “Se Whitney seguir adiante com esse casamento, vou
realizar uma coletiva de imprensa e contar para todo mundo que sou amante de
Whitney, que temos sido namoradas há anos, e depois me mato!”
Ela estava constantemente nos dizendo que ia vender
à imprensa a história de seu relacionamento com Whitney e todos na Nippy, Inc. Ela
alegava ter informação sobre uma transação de Bobby envolvendo drogas, e que ia
ligar para a polícia.
John estava no seu limite. Ele já tinha tentado
tudo o que podia para calar Robyn, mas ela estava fora de controle e continuava
a criar problema onde quer que fosse. Finalmente, ele aproximou-se de mim e
disse, “Temos que fazer alguma coisa a respeito daquela vadia filha da puta. Ela
está arruinando minha família e levando todo mundo à loucura. Ela sempre
controlou Whitney, e agora que não consegue mais, ela está perdendo a noção da
realidade. Estou seriamente com medo que ela acabe machucando alguém. Não
podemos deixar que isso aconteça, Kevin. Não deixarei que nada aconteça a
Nippy.”
“Eu gostaria de simplesmente explodir a cabeça desse
sapatão, mas se eu explodisse, eu ia matar a Whitney. Eu não quero perder meu
bebê.”
Conversamos por um bom tempo e finalmente ele
chegou onde queria. “Te pago seis mil dólares se você puser o temor de Deus
nela. Dê uma surra nela, quebre alguns ossos pra ela saber que eu não estou de
brincadeira.”
“Só tem um problema, John,” eu disse lentamente. Não
podia acreditar que ele estivesse falando sério. Estava protelando, tentando
ver o que mais ele tinha para dizer. “Como eu poderia chegar tão perto? Ela me
conhece e...”
Ele interrompeu com um aceno de mão e uma série de obscenidades.
“Venha por trás e bata na cabeça dela com um taco de beisebol. Depois coloque
as pernas dela no meio-fio e esmague-as, quebre suas rótulas e seus dois
braços!”
Ele continuou delirando por mais alguns minutos, e
eu fiquei balançando a cabeça, dizendo, “Não, John. Ei, cara, não posso fazer
isso...”
“Consigo um contrato de gravação para você. Eu prometo,
terá um álbum lançado até o final do mês. Tem que fazer isso por mim, Kevin.”
Não preciso nem dizer que passei. A caminho de
casa, saindo de sua casa, aprendi mais uma lição sobre crueldade. Regina me
perguntou por que eu não atacaria Robyn. “Não é grande coisa,” ela disse. “Você
estaria fazendo um favor para todo mundo, e ainda sairia com um contrato
assinado dessa. Por que você se recusou a fazer esse favor para o John? Eu mataria
aquela sapata miserável em um minuto se achasse que podia sair ilesa dessa. Mas
todo mundo sabe o quanto eu a odeio, então saberiam que fui eu.”
Quando voltamos ao apartamento, notei três belas
estatuas na mesa de Regina, perguntei de onde elas tinham vindo, e ela disse
que tinham sido mandadas para Whitney, mas que ela tinha gostado tanto delas
que decidiu ficar com elas para si. “São Lladro – da Espanha,” ela me disse, “e
são muito, muito caras.”
“Regina, isso é o mesmo que roubar,” eu disse. “Como
pode fazer isso com Whitney?”
“Não é roubar porque Whitney nunca vai saber. Ela não
faz idéia do que as pessoas mandam para ela.”
Faltavam três dias para o casamento e eu ainda não
tinha recebido o meu convite. Quando perguntava a Regina a respeito, ela usava
de evasivas com vagas promessas de que “estava a caminho,” mas eu estava
começando a me preocupar. Eu queria ir a esse casamento mais que qualquer coisa
no mundo. Tinha visto uma cópia da lista dos convidados, e parecia um quem é
quem dos grandes nomes de Hollywood. Oitocentas pessoas foram convidadas, mas só
consigo me lembrar de algumas delas, minhas celebridades favoritas de todos os
tempos como Stevie Wonder (que Regina depois me disse que também se apresentou
na recepção), Leslie Uggams, Patti LaBelle, Dionne Warwick, Aretha Franklin,
Gladys Knight, Natalie Cole – todos amigos de longa data e colegas artistas
negros. O que me derrubou foi saber que Donald Trump e Marla Maples também
foram! Eu nem sabia que Whitney os conhecia.
Nessa época eu fiz algo realmente estúpido. Regina disse
que Whitney estava uma pilha de nervos com todas as histórias nos jornais sobre
os caminhos tortuosos de Bobby no tráfico de drogas, e que ela estava com medo
de comprar maconha. Ela queria saber se eu poderia trazer um pouco para ela
quando viesse. “Além do mais, ela acha a erva de Chicago melhor, mais potente,”
Regina disse.
Eu teria feito qualquer coisa por Whitney nessa época,
então, como um tolo, eu concordei. Enfiei trinta gramas de maconha na cueca e
fui para o aeroporto. Estava suando como louco, com medo de que algum cão
farejador viesse atrás de mim. Não consigo dizer como fiquei tão nervoso
durante a viagem inteira, e prometi que nunca mais me arriscaria desse jeito
novamente. Então da próxima vez que Regina se aproximou, dizendo que Whitney
queria que eu trouxesse erva para ela, eu recusei de cara. De forma alguma eu
ia por minha liberdade em risco e encarar uma prisão, nem mesmo por Whitney Houston.
Final de tarde, 17 de julho, véspera do casamento,
tinha que encarar o fato de que não estaria lá. Meu convite nunca chegou, e eu
não conseguia falar com Regina pelo telefone. Estava obvio até mesmo para o
mais tolo do mundo o que tinha acontecido. A cópia do convite que eu tinha
visto no Globe era do meu. Regina tinha
interceptado o convite e vendido para eles. Partiu meu coração. Era a decepção
mais devastadora da minha vida.

Um comentário:
Não consigo ver os outros capítulos :(
terminou a tradução no 12 mesmo?
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