segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Capítulo 11: Contenda na Família Real

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Contenda na Família Real


O final do verão e o início do outono de 1992 foram difíceis para Whitney. Ela ficou muito enjoada nos primeiros meses de sua gravidez, e com Regina acrescentando mais estresse com suas ameaças e hostilidade constantes não ajudava em nada. The Bodyguard estava previsto para ser lançado, e Whitney teve que retornar ao estúdio para polir os vocais que foram usados no filme. Ela cantou seis canções no filme, e eles tinham que escolher uma para o tema. Kevin Costner sugeriu “I Will Always Love You,” e Whitney achou que era a escolha perfeita.
                Clive Davis e o produtor-arranjador David Foster não estavam convencidos, todavia. Eles queriam alguma coisa um pouco mais animada e sugeriram “I’m Every Woman,” mas Costner prevaleceu. Ele também insistiu que Whitney começasse a canção cantando a cappella. Ninguém mais gostou do arranjo, mas novamente, o que Costner queria, Costner conseguia. E ele provou estar certo. Tornou-se um mega hit, permanecendo no topo das paradas por inéditas quatorze semanas – o maior tempo que uma canção ficou na primeira posição na história da Billboard.   
Quando os repórteres perguntaram a Dolly Parton o que ele achou de sua canção ter se tornado um enorme sucesso com a interpretação de Whitney, ela simplesmente sorriu e disse, “Docinho, todas as vezes que esse disco for tocado, significa mais dinheiro no meu bolso. Estou agradecida até a morte!” Até hoje, ela já ganhou cerca de $3 milhões de dólares com o lançamento.
A carreira de Whitney nunca esteve tão saudável e ela nunca tinha ficado tão feliz. Ela adorava estar casada e grávida. Ela ridicularizava todos os boatos de que Bobby ainda era o mesmo velho mulherengo, chegando a dizer a revista Vibe, “Tenho um bom marido. Ele cuida de mim. Não preciso ter medo de nada porque sei que ele dá um jeito. Desrespeite-o e terá um problema.”
A carreira outrora promissora de Bobby tinha estagnado e seu álbum recém lançado era uma frustração. Suas finanças estavam agonizando e ele estava à beira de perder sua casa em Atlanta quando sua mulher veio em seu auxílio. A Receita Federal tinha os privilégios fiscais em $1.3 milhões de dólares de sua mansão em estilo Tudor quando Nippy, Inc. comprou-a em leilão. Estava bem maltratada, obviamente alvo de vandalismo, com portas penduradas em suas dobradiças, privadas entupidas, e cobras se arrastando no fundo de uma piscina vazia.
   Bobby acabava de tornar-se o Sr Houston e isso o irritava. Sempre combativo, ele ficou ainda mais ríspido com os repórteres e sempre viajava com “seus rapazes” como backup de segurança. Ele estava envergonhado por seu álbum ter sido um fracasso e sua carreira estar enfraquecendo enquanto a de sua esposa continuava a decolar. Os boatos sobre drogas continuavam a persegui-lo, e quando Cissy entrou na cozinha de Whitney e encontrou “seus rapazes” cheirando carreiras de cocaína, ela ameaçou chamar a polícia. Dificilmente uma semana se passava sem que os tablóides reportassem algum tumulto novo em que Bobby não estivesse envolvido. Ele e Whitney eram vistos discutindo em público em diversas ocasiões, induzindo notícias de que seu casamento já estava passando por problemas. Whitney ria e dava de ombros. “Nós não discutimos apenas,” ela disse. “Temos os velhos arranca-rabos que as pessoas casadas têm. Ele me deixa louca. Ele tem um temperamento dos diabos, mas eu o amo muito.”

 The Bodyguard estreou no dia 23 de novembro de 1992, no Grummann’s Chinese Theater em Hollywood e contou com a presença da brilhante elite do show business. O filme foi muito criticado pelos críticos, mas completamente abraçado pelo público freqüentador de cinema. Todos, ao que parecia, estavam clamando para dar uma olhada em Whitney Houston lá em cima na tela de prata, e não ficaram decepcionados; ela nunca tinha estado mais bonita. (O filme chegou a ganhar mais de $400 milhões de dólares no mundo todo enquanto a trilha sonora vendeu 33 milhões de cópias, tornando-se um sucesso no topo das paradas.) Três das canções no álbum, “I’m Every Woman,” “Queen of the Night,” e “I Have Nothing,” tiveram influencia multimedia.
O público pode ter adorado Whitney, mas não sentiam o mesmo por seu marido. “O que ela vê nele?” perguntavam os repórteres em todos os artigos escritos sobre os recém-casados. Ninguém conseguia entender por que ela continuava a apoiar seu marido mesmo quando ele continuava a comportar-se mal, mas ela o apoiava. Em seu álbum, intitulado simplesmente Bobby, ela fez um dueto com ele, “Something in Common,” e Bobby dedicou essa música a “todos aqueles que não acreditam no amor, especialmente no nosso.”
Whitney estava esperando que sua participação no disco de Bobby o ajudasse a fazer dele um sucesso, mas ele foi mal recebido e as vendas foram frustrantes. Obviamente isso causou conflito no casamento quando Bobby começou a achar que ele estava condenado para sempre a ser comparado a sua famosa esposa. Ele sempre foi ambicioso e trabalhou muitos anos para tornar-se um sucesso, agora ele não tinha tanta certeza de que aconteceria.
Natal de 1992 foi um assunto solene para a Família Real. O casamento tinha apenas cinco meses e já parecia estar forçando as costuras. Whitney estava extremamente grávida com quase noventa e um quilos e estava compreensivelmente desconfortável. Ter que lidar com a imprensa a respeito de seu marido era ruim o bastante, mas seus pais ainda não tinham o aceitado também. Boatos de que ele era viciado em craque persistiam, e Cissy acreditava neles. Ela era meramente civilizada com seu genro, e Robyn Crawford era igualmente fria com ele. Ele deve ter se sentido na cova dos leões com essas duas mulheres de temperamento forte, dominadoras e criticas.
Whitney estava furiosa que as revistas continuassem a especular sobre sua preferência sexual. “Sou uma mulher casada, pelo amor de Deus! Uma mulher extremamente grávida e casada. Estou tão cansada de responder a pergunta sobre ser gay. Quando vão me deixar em paz, inferno?”    
O casamento de Bobby com Whitney jogou os holofotes nele também, e ele não gostava nem um pouco, tanto quanto ela. “Nós estamos apaixonados quer acreditem ou não,” ele dizia. “Não sou nenhum drogado e minha esposa não é lésbica, okay? Não me casei com ela para continuar minha carreira e ela não se casou comigo para dar um fim aos boatos sobre ser gay. Nós nos apaixonamos, nos casamos, e vamos ter um filho, é isso.” Nunca um casamento esteve sob tão intenso escrutínio, e isso os estava enlouquecendo. 

Durante as festas de fim de ano, eu voltei com Regina. Nós já havíamos voltado a nos falar por telefone, e eu ainda estava em contato com John e Cissy também.  Com a perda do emprego na Nippy, Inc., Regina precisava de outra colocação e me pediu para ajudá-la.  Liguei para um amigo meu, Allen Johnson, na Joey Boy Records, que deu a ela um emprego como vice-presidente de publicidade. Seu salário era de $2.500 dólares por mês, e ela também estava fazendo publicidade para o grupo gospel Comission, em Detroit, por $1.600 dólares e para Walt Whitman and the Soul Children, por mais $1.600 dólares. Mais que suficiente para viver muito confortavelmente, mas ela ainda era gananciosa e queria mais. Ela me ligou um dia e disse que havia conversado com o editor do Globe e contou a eles sobre John me pedindo para dar uma surra em Robyn.
“Eles disseram que pagariam cinqüenta mil dólares por sua história,” ela me contou, “e eles querem que você voe para Los Angeles para encontrá-los.”
No começo eu recusei, mas ela me assegurou que eles não usariam o meu nome ou foto, eles só queriam os detalhes da história. Eles pagariam por meu tempo longe do trabalho e todas as minhas despesas, então eu pensei a respeito e concordei. Estava frio em Chicago e alguns dias na ensolarada Los Angeles soava bem. Além do mais, senti que deveria ir a público com o que havia acontecido entre John e eu, no caso de alguma coisa me acontecer mais tarde. Ele é um bastardo impiedoso que não está acostumado a receber não como resposta, então eu estava preocupado com o que ele poderia fazer. Fui acomodado em um belo condomínio em Westwood e tive uma reunião com Kathy Tracy, uma repórter do Globe, que me contou uma história bem diferente da que Regina tinha me contado. Eles queriam que eu posasse para fotos e queriam usar o meu nome.
“Não foi isso o que me disseram,” eu disse a Kathy. “Achei que vocês só quisessem ouvir minha história.”
“Nós temos que usar seu nome e foto ou poderíamos ser processados por John Houston. Disse a Srta Brown do que precisávamos.”
Mais uma vez, Regina tinha mentido para mim. Eu já estava pensando em desistir quando Kathy insistiu em um teste de polígrafo, dois na verdade, administrado por um ex-agente da CIA. Eles fizeram muitas perguntas sobre a família de Whitney e minha relação com eles, e eu passei. Agora que tinham certeza de que minha história era verdadeira, eles queriam muito publicá-la. Eu disse, “Deixe-me pensar a respeito e ligo para vocês mais tarde.”
De volta ao condomínio, liguei para Regina e disse a ela o que tinha acontecido. “Você sabe que não quero meu nome ou foto sendo usados,” eu disse.
“Kevin, não seja burro,” ela disse. “Pegue a grana. Estamos falando de cinqüenta mil aqui. E daí que queiram usar seu nome e foto. Grandes merdas. Vai ser esquecido em poucas semanas.”
“De jeito nenhum,” disse a ela, depois liguei para Kathy Tracy para dizer a ela que não estava interessado em fazer a matéria. Ela me disse que Regina tinha feito um acordo de “compensação” com eles por ter arranjado a história comigo, e Kathy tentou me convencer a fazê-la.
No avião, voltando para Chicago, pensei na confusão que minha vida tinha se transformado por causa de Regina, e decidi que ia assumir o comando novamente. John e Cissy ainda estavam sendo ameaçados de serem expostos no livro de Regina, então eu decidi mudar de lado. Quando chegasse em casa, ligaria para John e diria a ele o que sabia sobre o manuscrito de Regina e me ofereceria para frustrar seus planos. Conhecia sua advogada, Linda Mensche, e tinha participado de muitas reuniões com elas, e achei que provavelmente poderia conseguir que ela me representasse.
Quando deixei Regina logo depois do casamento, tinha começado a escrever todas as coisas ilegais que ela já tinha feito aos Houstons e já tinha um manuscrito bem robusto de minha própria autoria. Regina é muito preocupada com sua reputação no ramo da música e não ia querer que ninguém soubesse como ela realmente trata os seus clientes. Imaginei que se pudesse ameaçá-la com uma exposição, ela largaria sua própria exposição dos Houstons e eles ficariam gratos. Em muitas ocasiões, tanto John como Whitney haviam me prometido um contrato com uma gravadora e isso seria minha “compensação” – eu não queria nenhum dinheiro, só queria o que eles haviam prometido, uma carreira como cantor.
Escrevi para John a minha proposta assim que cheguei em casa. Queria que tudo estivesse registrado, uma vez que não confiava mais em ninguém. Também juntei meu manuscrito, fiz cópias, e autentiquei no dia 14 de dezembro de 1992. Encontrei a advogada de Regina, Linda Mensche, e perguntei a ela em que pé estava o processo de Regina, e ela me disse que Regina não conseguia decidir o que queria fazer. Um minuto ela dizia que queria seguir adiante com o livro, e no minuto seguinte ela queria negociar um acordo com os Houstons por sua indenização, mas se recusava a assinar uma retratação. 
Estava jantando com Regina uma noite e toquei no assunto, dizendo a ela que ela devia simplesmente aceitar a indenização que John havia oferecido e seguir em frente com sua vida.
“Você está deixando todo mundo infeliz com esse comportamento hostil,” disse a ela. “Se continuar com isso, os Houstons vão ficar tão putos que não vão querer te dar mais nada.”
“Eles que se fodam,” ela disse. “Vou fazer milhões com esse livro.”
“Pense em Whitney. Quer você queira admitir ou não, ela foi muito boa com você durante muitos anos. Ela não precisa dessa merda na vida, especialmente agora que está grávida. Posso entender como se sente a respeito de John. Inferno, todos sabem que ele é uma cobra no mato, mas não vai conseguir atingi-lo sem atingir Whitney.”
“Quem se importa? Ninguém ligou a mínima quando eles me magoaram. Eles simplesmente me despediram e deram um chute no meu rabo!”
Tentei explicar que ela tinha traído Whitney com seu duplo-acordo, vendendo suas fotos de casamento e também a informação sobre a lua de mel, mas Regina não via nada de errado nisso. Ela insistia que pelo menos metade do que era escrito sobre Whitney nos tablóides vinha da própria Whitney, então por que ela não podia fazer uns trocados por si mesma? Lembrei-a de todos os presentes que ela havia roubado de Whitney e diversas outras coisas que tinha feito que eram ilegais.
“Eu quero te ajudar de verdade,” disse a ela, “e estou disposto a ir ao John negociar sua indenização, mas vai ter que assinar uma retratação, prometendo que nunca escreverá nada sobre os Houstons.”
Ela riu na minha cara, e foi então que eu tirei o meu manuscrito da pasta. Tinha mais cópias em casa, pois sabia que ela ia tentar destruí-lo se pusesse as mãos nele. “É isso aí, querida. Ou você faz um acordo com os Houstons ou eu publico meu próprio livro expondo você como uma ladra e uma mentirosa. Acho que não quer isso. Sua reputação será destruída no ramo da música. Você não vai conseguir emprego nem com o Tiny Tim.”
“Você está blefando,” ela disse, mas vi medo em seus olhos quando ficou claro para ela todas as coisas que estive a par nos últimos anos.

Alguns dias mais tarde, John me ligou e disse o quanto apreciava o que estava tentando fazer. “Esta merda que Regina está tentando fazer está me matando e deixando Whitney uma pilha de nervos. Ela não precisava estar se preocupando com essa putinha conivente enquanto está grávida. Ela já tem problemas suficientes com a mídia normalmente. Teria dado um jeito na vagabunda por mim mesmo, mas tenho estado muito doente ultimamente.”
Ele tinha diabetes, sua visão estava falhando, e ele já não era mais tão intimidante como costumava ser. Ele não tinha problemas para me ajudar a iniciar minha carreira e disse, “Com toda essa merda acontecendo, eu acabei esquecendo completamente a sua carreira na música, mas se puder calar aquela cadela, vamos botar essa bola pra rolar.”
Ele me pediu que voasse para Nova Jersey para encontrá-lo e levar o meu manuscrito. Donna, a esposa de Michael, que trabalhava nos escritórios da Nippy, Inc., fez minhas reservas. Durante o vôo, fantasiei sobre o quanto todos ficariam felizes e gratos por ter conseguido tirar Regina de seus encalços. Eu tinha certeza de que Whitney faria jus a sua promessa de gerenciar minha carreira. Depois de toda a porcaria que tinha passado com a Família Real, eu merecia.
Fiz o check-in no Holiday Inn e desci para esperar pelo John no bar. Faltavam três dias para o Natal e eu estava pensando que tremendo presente de Natal seria esse. Eu realmente senti uma pontada de culpa por Regina, mas a empurrei para fora do meu pensamento. Todos os problemas pelos quais estava passando, ela mesma os tinha criado, e quase me destruiu no processo.  Era hora de começar a pensar em mim mesmo. Estava sentado no bar, tomando um rum com Coca-cola, quando vi John entrar flanqueado de cada lado por dois rapazes brancos. Caminhei até eles e o cumprimentei e ele olhou bem dentro dos meus olhos com um olhar de puro ódio. Ele não disse uma só palavra.
Um dos homens estendeu sua mão para mim e disse, “Oi, Kevin. Sou Sheldon Platt, advogado de Whitney.” Ele me apresentou ao outro homem, também um advogado, e John continuava a me encarar como se eu fosse um pedaço de bosta grudado à sola do seu sapato. O silêncio cresceu até o Sr Platt dizer, “Tenho que me desculpar por John. Ele anda meio indisposto ultimamente. Este negócio com a Srta Brown é muito estressante para todos nós.”   
Eu o ignorei e olhei bem dentro dos olhos de John. “Não sei qual o seu problema, mas não estou gostando da sua atitude, John. Vim até aqui para tentar ajudá-lo a sair de uma situação complicada, e você assume essa postura agressiva. Não preciso dessa merda. Tenha um pouco de respeito ou levou meu traseiro feliz de volta para Chicago!”
Isso chamou sua atenção e ele disse, “Kevin, sinto muito. Sinto muito mesmo. Não é culpa sua. Tenho estado mais doente que um cachorro e eu só quero acabar logo com isso o quanto antes. Não quero mais processos pairando sobre nossas cabeças quando Whitney tiver seu bebê.”
 Parabenizei-o por tornar-se vovô e ele sorriu pela primeira vez. Fomos ao salão de conferencias e Platt disse que John havia contado a ele sobre meu manuscrito, listando todas as coisas que Regina havia feito enquanto trabalhava para Nippy, Inc. e pediu para vê-lo. Não tive problemas com isso; havia levado comigo por esta razão, mas agora estava começando a suspeitar. John tinha me levado a acreditar que assinaríamos um contrato de gerenciamento de gravadora, e quando eu vi os advogados, simplesmente deduzi que estivessem ali com um contrato.
“Estou com ele bem aqui,” disse, indicando minha pasta. “Mas achei que estivéssemos aqui para discutir sobre a minha carreira. Por que esses rapazes precisam ver o manuscrito?”
“É para isso que você está aqui, Kevin,” John disse, “mas os advogados precisam apenas dar uma olhada para ver o que temos aqui.”
Não precisava sentir um sopro no ouvido para saber quando alguém estava tentando me ludibriar.
O outro advogado entrou na conversa. “Precisamos saber o que Regina fez, ilegalmente, enquanto trabalhava para a Srta Houston. E é nossa intenção processá-la.
“Isso mesmo,” John gritou. “Quero jogar seu rabo na cadeia por toda dor e agonia que causou a minha família.” Ele começou a discursar sobre a cadela traiçoeira que ela era e como ela devia estar trepando com pelo menos uma dúzia de outros homens enquanto estava morando comigo. Ele era como um velho leão desdentado, ainda rugindo, mas ninguém mais prestava atenção nele. Enquanto um dos advogados tentava acalmá-lo, o outro estava me cozinhando sobre o livro de Regina. Ele queria saber se eu o tinha visto, e quando eu disse que tinha, ele me pediu para dizer a ele o que tinha lido.
“Não vou fazer isso,” disse a eles. “Pensei que o propósito dessa reunião fosse impedi-la de publicar o livro, não mandá-la para a cadeia.”
Eles ofereceram pagar pela informação e perguntaram quanto custaria para também verem o meu manuscrito. “Não se trata de dinheiro,” eu disse. “Nunca se tratou de dinheiro. Quero que os Houstons façam jus a sua promessa de me conseguir um contrato de gravação. Isso é tudo o que sempre quis.”
Continuaram a me atormentar e me disseram, “Estamos dispostos a te fazer um jovem muito rico. Tudo o que tem a fazer é nos dizer o que sabe sobre o livro da Srta Brown e nos deixar ver o que escreveu.”
Olhei dentro dos olhos de John e uma onda de medo tomou conta de mim. Cheguei a sentir os pêlos do meu braço se eriçarem. Alguma coisa estava definitivamente errada aqui. Estava caindo numa emboscada. Resmunguei alguma coisa do tipo “tenho que pensar melhor,” e voltei correndo para o meu quarto e liguei para Regina. Não importa quantas vezes ela tinha mentido para mim e me ferrado, eu ainda a amava. Não conseguia evitar. Minha única razão de querer fazer um acordo com John era a de impedir que Regina escrevesse um livro e de pressioná-lo a honrar nosso acordo em relação a minha carreira como cantor. Não queria ser responsável por ela ser presa ou jogada na cadeia.   
Depois que relatei o que havia transcorrido na reunião, Regina perguntou se eu tinha mostrado o manuscrito e eu disse a ela que não.
Disse a ela que o meu vôo era para o dia seguinte, e ela disse que faria contatos para que eu pudesse sair dentro de uma hora. “Simplesmente caia fora daí e não diga a ninguém que está saindo!”
Peguei minhas bolsas e fui direto para o aeroporto, sentindo como se tivesse escapado realmente por um triz. Não levava jeito para esse negócio de capa e espada. Desde que comecei a me envolver com os Houstons, minha vida virou de cabeça para baixo.
Regina estava me esperando no aeroporto e se jogou nos meus braços, me beijando e chorando e dizendo o quanto tinha sentido a minha falta. Estávamos arrancando as roupas um do outro no segundo que chegamos em casa e caímos na cama, prometendo não nos separarmos nunca mais. Sentia uma afinidade com ela como se ambos fossemos vitimas da ira de John Houston. Também éramos companheiros de conspiração de certa forma, e isso nos aproximou ainda mais.

Em janeiro de 1993, Robyn ligou para mim. Não nos falávamos há algum tempo, então fiquei surpreso com sua ligação. Sua voz estava suave e um pouco triste quando ela disse, “Ei, Kevin, como vai, querido?” Nós trocamos amabilidades por alguns segundos, e então ela disse, “Ouvi alguns boatos aqui pelo escritório que me deixaram perturbada e queria saber se são verdadeiros. John ofereceu te pagar para me dar uma surra, quebrar meus braços e pernas?”
Eu não queria admitir, então eu disse, “Deixe-me colocar dessa forma, Robyn. Não há dinheiro suficiente no mundo que me faça machucar um dos meus amigos. E você é minha amiga. Nunca me fez mal nenhum e sempre foi direta comigo até onde eu sei.”
Ela começou a chorar baixinho e em sua voz havia uma tristeza pesada, e alívio também. “Sabia que nunca me machucaria, Kevin. Não acreditei quando ouvi porque sempre senti que nos entendemos. Sempre pude ser eu mesma com você. Não estou surpresa por John, no entanto. Ele é um cuzão e seu dia está chegando. Ele não pode controlar todo mundo como fazia.”
Perguntei a ela como Whitney estava indo e ela suspirou. “Bem, não estamos mais tão próximas como antes. É praticamente só negócios agora. Sinto sua falta e tenho que ficar me lembrando de que ela está casada agora, e grávida, e isso muda uma mulher.” Perguntei a ela como estava indo a gravidez, e ela me disse que Whitney tinha desenvolvido toxemia, o que fez sua pressão arterial subir e suas pernas e pés incharem.        
“Ela tem que ficar com os pés para cima a maior parte do tempo porque ela está enorme. Ele dever estar com mais de 100 quilos, e seu médico não está gostando nada disso. Ela ora todos os dias, ‘Querido Deus, deixai esse bebê nascer agora!’ É tão estranho vê-la assim, Kevin. Ela não é mais a minha Nippy magricelinha.”
Conversamos por mais alguns minutos e ela desligou com, “Por favor, cuide-se, Kevin. Tenha muito cuidado de agora em diante. E lembre-se que te amo.”
Cerca de uma hora depois, John Houston me ligou. Ele estava usando sua voz extralegal, salve-companheiro-bom-te-ver. Ele não perdeu tempo e foi direto ao assunto. “Kevin, eu alguma vez já pedi que você machucasse Robyn Crawford de alguma forma?”
Para ele sair com uma pergunta como essa, sabia que devia estar comigo no viva-voz e alguém deveria estar ouvindo. “O que está tentando fazer, John? Nós dois sabemos o que aconteceu.”
Ele deu uma gargalhada falsa e disse, “Não, não, Kevin. Se eu realmente disse alguma coisa desse tipo, você devia saber que eu estava brincando. Você com certeza não achou que eu estivesse falando sério, não é mesmo?”
“Sim, John, eu realmente achei que estivesse falando sério. Na verdade, eu tenho certeza de que estava falando sério. Você não me ofereceria dinheiro e um contrato com uma gravadora se estive apenas de brincadeira.”
Ele ficou uma fera, gritando e xingando. “Seu mentiroso de merda! Se você for a público com essa merda, eu vou negar categoricamente e fazer da sua vida um inferno!” ele xingou e continuou um pouco mais, gritando, “Você não vai sair facilmente dessa, Kevin. Estou te avisando, mantenha essa sua boca fechada ou vai se arrepender, seu canalha!”

Ele bateu o telefone na minha cara e eu lembro de ter pensado, Que jeito  infernal de começar 1993!

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