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Contenda na Família
Real
O
final do verão e o início do outono de 1992 foram difíceis para Whitney. Ela
ficou muito enjoada nos primeiros meses de sua gravidez, e com Regina
acrescentando mais estresse com suas ameaças e hostilidade constantes não ajudava
em nada. The Bodyguard estava
previsto para ser lançado, e Whitney teve que retornar ao estúdio para polir os
vocais que foram usados no filme. Ela cantou seis canções no filme, e eles
tinham que escolher uma para o tema. Kevin Costner sugeriu “I Will Always Love
You,” e Whitney achou que era a escolha perfeita.
Clive Davis e o
produtor-arranjador David Foster não estavam convencidos, todavia. Eles queriam
alguma coisa um pouco mais animada e sugeriram “I’m Every Woman,” mas Costner
prevaleceu. Ele também insistiu que Whitney começasse a canção cantando a
cappella. Ninguém mais gostou do arranjo, mas novamente, o que Costner queria,
Costner conseguia. E ele provou estar certo. Tornou-se um mega hit,
permanecendo no topo das paradas por inéditas quatorze semanas – o maior tempo
que uma canção ficou na primeira posição na história da Billboard.
Quando os repórteres perguntaram a Dolly Parton o
que ele achou de sua canção ter se tornado um enorme sucesso com a
interpretação de Whitney, ela simplesmente sorriu e disse, “Docinho, todas as
vezes que esse disco for tocado, significa mais dinheiro no meu bolso. Estou
agradecida até a morte!” Até hoje, ela já ganhou cerca de $3 milhões de dólares
com o lançamento.
A carreira de Whitney nunca esteve tão saudável e
ela nunca tinha ficado tão feliz. Ela adorava estar casada e grávida. Ela
ridicularizava todos os boatos de que Bobby ainda era o mesmo velho mulherengo,
chegando a dizer a revista Vibe,
“Tenho um bom marido. Ele cuida de
mim. Não preciso ter medo de nada porque sei que ele dá um jeito. Desrespeite-o
e terá um problema.”
A carreira outrora promissora de Bobby tinha
estagnado e seu álbum recém lançado era uma frustração. Suas finanças estavam
agonizando e ele estava à beira de perder sua casa em Atlanta quando sua mulher
veio em seu auxílio. A Receita Federal tinha os privilégios fiscais em $1.3
milhões de dólares de sua mansão em estilo Tudor quando Nippy, Inc. comprou-a
em leilão. Estava bem maltratada, obviamente alvo de vandalismo, com portas
penduradas em suas dobradiças, privadas entupidas, e cobras se arrastando no
fundo de uma piscina vazia.
Bobby
acabava de tornar-se o Sr Houston e isso o irritava. Sempre combativo, ele
ficou ainda mais ríspido com os repórteres e sempre viajava com “seus rapazes”
como backup de segurança. Ele estava envergonhado por seu álbum ter sido um
fracasso e sua carreira estar enfraquecendo enquanto a de sua esposa continuava
a decolar. Os boatos sobre drogas continuavam a persegui-lo, e quando Cissy
entrou na cozinha de Whitney e encontrou “seus rapazes” cheirando carreiras de
cocaína, ela ameaçou chamar a polícia. Dificilmente uma semana se passava sem
que os tablóides reportassem algum tumulto novo em que Bobby não estivesse
envolvido. Ele e Whitney eram vistos discutindo em público em diversas
ocasiões, induzindo notícias de que seu casamento já estava passando por
problemas. Whitney ria e dava de ombros. “Nós não discutimos apenas,” ela
disse. “Temos os velhos arranca-rabos que as pessoas casadas têm. Ele me deixa louca. Ele tem um temperamento
dos diabos, mas eu o amo muito.”
The Bodyguard estreou no dia 23 de
novembro de 1992, no Grummann’s Chinese Theater em Hollywood e contou com a
presença da brilhante elite do show business. O filme foi muito criticado pelos
críticos, mas completamente abraçado pelo público freqüentador de cinema.
Todos, ao que parecia, estavam clamando para dar uma olhada em Whitney Houston
lá em cima na tela de prata, e não ficaram decepcionados; ela nunca tinha
estado mais bonita. (O filme chegou a ganhar mais de $400 milhões de dólares no
mundo todo enquanto a trilha sonora vendeu 33 milhões de cópias, tornando-se um
sucesso no topo das paradas.) Três das canções no álbum, “I’m Every Woman,” “Queen of the Night,” e
“I Have Nothing,” tiveram influencia multimedia.
O público pode ter adorado Whitney, mas não sentiam
o mesmo por seu marido. “O que ela vê nele?” perguntavam os repórteres em todos
os artigos escritos sobre os recém-casados. Ninguém conseguia entender por que
ela continuava a apoiar seu marido mesmo quando ele continuava a comportar-se
mal, mas ela o apoiava. Em seu álbum, intitulado simplesmente Bobby, ela fez um dueto com ele,
“Something in Common,” e Bobby dedicou essa música a “todos aqueles que não
acreditam no amor, especialmente no nosso.”
Whitney estava esperando que sua participação no
disco de Bobby o ajudasse a fazer dele um sucesso, mas ele foi mal recebido e
as vendas foram frustrantes. Obviamente isso causou conflito no casamento
quando Bobby começou a achar que ele estava condenado para sempre a ser
comparado a sua famosa esposa. Ele sempre foi ambicioso e trabalhou muitos anos
para tornar-se um sucesso, agora ele não tinha tanta certeza de que
aconteceria.
Natal de 1992 foi um assunto solene para a Família Real.
O casamento tinha apenas cinco meses e já parecia estar forçando as costuras.
Whitney estava extremamente grávida com quase noventa e um quilos e estava
compreensivelmente desconfortável. Ter que lidar com a imprensa a respeito de
seu marido era ruim o bastante, mas seus pais ainda não tinham o aceitado
também. Boatos de que ele era viciado em craque persistiam, e Cissy acreditava
neles. Ela era meramente civilizada com seu genro, e Robyn Crawford era
igualmente fria com ele. Ele deve ter se sentido na cova dos leões com essas
duas mulheres de temperamento forte, dominadoras e criticas.
Whitney estava furiosa que as revistas continuassem
a especular sobre sua preferência sexual. “Sou uma mulher casada, pelo amor de
Deus! Uma mulher extremamente grávida e casada. Estou tão cansada de responder
a pergunta sobre ser gay. Quando vão me deixar em paz, inferno?”
O casamento de Bobby com Whitney jogou os holofotes
nele também, e ele não gostava nem um pouco, tanto quanto ela. “Nós estamos
apaixonados quer acreditem ou não,” ele dizia. “Não sou nenhum drogado e minha
esposa não é lésbica, okay? Não me casei com ela para continuar minha carreira
e ela não se casou comigo para dar um fim aos boatos sobre ser gay. Nós nos
apaixonamos, nos casamos, e vamos ter um filho, é isso.” Nunca um casamento
esteve sob tão intenso escrutínio, e isso os estava enlouquecendo.
Durante as festas de fim de ano, eu voltei com
Regina. Nós já havíamos voltado a nos falar por telefone, e eu ainda estava em
contato com John e Cissy também. Com a
perda do emprego na Nippy, Inc., Regina precisava de outra colocação e me pediu
para ajudá-la. Liguei para um amigo meu,
Allen Johnson, na Joey Boy Records, que deu a ela um emprego como
vice-presidente de publicidade. Seu salário era de $2.500 dólares por mês, e
ela também estava fazendo publicidade para o grupo gospel Comission, em
Detroit, por $1.600 dólares e para Walt Whitman and the Soul Children, por mais
$1.600 dólares. Mais que suficiente para viver muito confortavelmente, mas ela
ainda era gananciosa e queria mais. Ela me ligou um dia e disse que havia
conversado com o editor do Globe e
contou a eles sobre John me pedindo para dar uma surra em Robyn.
“Eles disseram que pagariam cinqüenta mil dólares
por sua história,” ela me contou, “e eles querem que você voe para Los Angeles
para encontrá-los.”
No começo eu recusei, mas ela me assegurou que eles
não usariam o meu nome ou foto, eles só queriam os detalhes da história. Eles
pagariam por meu tempo longe do trabalho e todas as minhas despesas, então eu
pensei a respeito e concordei. Estava frio em Chicago e alguns dias na
ensolarada Los Angeles soava bem. Além do mais, senti que deveria ir a público
com o que havia acontecido entre John e eu, no caso de alguma coisa me
acontecer mais tarde. Ele é um bastardo impiedoso que não está acostumado a
receber não como resposta, então eu estava preocupado com o que ele poderia
fazer. Fui acomodado em um belo condomínio em Westwood e tive uma reunião com
Kathy Tracy, uma repórter do Globe,
que me contou uma história bem diferente da que Regina tinha me contado. Eles
queriam que eu posasse para fotos e queriam usar o meu nome.
“Não foi isso o que me disseram,” eu disse a Kathy.
“Achei que vocês só quisessem ouvir minha história.”
“Nós temos que usar seu nome e foto ou poderíamos
ser processados por John Houston. Disse a Srta Brown do que precisávamos.”
Mais uma vez, Regina tinha mentido para mim. Eu já
estava pensando em desistir quando Kathy insistiu em um teste de polígrafo,
dois na verdade, administrado por um ex-agente da CIA. Eles fizeram muitas
perguntas sobre a família de Whitney e minha relação com eles, e eu passei.
Agora que tinham certeza de que minha história era verdadeira, eles queriam
muito publicá-la. Eu disse, “Deixe-me pensar a respeito e ligo para vocês mais
tarde.”
De volta ao condomínio, liguei para Regina e disse
a ela o que tinha acontecido. “Você sabe que não quero meu nome ou foto sendo
usados,” eu disse.
“Kevin, não seja burro,” ela disse. “Pegue a grana.
Estamos falando de cinqüenta mil aqui. E daí que queiram usar seu nome e foto.
Grandes merdas. Vai ser esquecido em poucas semanas.”
“De jeito nenhum,” disse a ela, depois liguei para
Kathy Tracy para dizer a ela que não estava interessado em fazer a matéria. Ela
me disse que Regina tinha feito um acordo de “compensação” com eles por ter
arranjado a história comigo, e Kathy tentou me convencer a fazê-la.
No avião, voltando para Chicago, pensei na confusão
que minha vida tinha se transformado por causa de Regina, e decidi que ia
assumir o comando novamente. John e Cissy ainda estavam sendo ameaçados de
serem expostos no livro de Regina, então eu decidi mudar de lado. Quando
chegasse em casa, ligaria para John e diria a ele o que sabia sobre o
manuscrito de Regina e me ofereceria para frustrar seus planos. Conhecia sua
advogada, Linda Mensche, e tinha participado de muitas reuniões com elas, e
achei que provavelmente poderia conseguir que ela me representasse.
Quando deixei Regina logo depois do casamento,
tinha começado a escrever todas as coisas ilegais que ela já tinha feito aos
Houstons e já tinha um manuscrito bem robusto de minha própria autoria. Regina
é muito preocupada com sua reputação no ramo da música e não ia querer que ninguém soubesse como ela realmente
trata os seus clientes. Imaginei que se pudesse ameaçá-la com uma exposição,
ela largaria sua própria exposição dos Houstons e eles ficariam gratos. Em
muitas ocasiões, tanto John como Whitney haviam me prometido um contrato com
uma gravadora e isso seria minha “compensação” – eu não queria nenhum dinheiro,
só queria o que eles haviam prometido, uma carreira como cantor.
Escrevi para John a minha proposta assim que
cheguei em casa. Queria que tudo estivesse registrado, uma vez que não confiava
mais em ninguém. Também juntei meu manuscrito, fiz cópias, e autentiquei no dia
14 de dezembro de 1992. Encontrei a advogada de Regina, Linda Mensche, e
perguntei a ela em que pé estava o processo de Regina, e ela me disse que
Regina não conseguia decidir o que queria fazer. Um minuto ela dizia que queria
seguir adiante com o livro, e no minuto seguinte ela queria negociar um acordo
com os Houstons por sua indenização, mas se recusava a assinar uma
retratação.
Estava jantando com Regina uma noite e toquei no
assunto, dizendo a ela que ela devia simplesmente aceitar a indenização que
John havia oferecido e seguir em frente com sua vida.
“Você está deixando todo mundo infeliz com esse
comportamento hostil,” disse a ela. “Se continuar com isso, os Houstons vão
ficar tão putos que não vão querer te dar mais nada.”
“Eles que se fodam,” ela disse. “Vou fazer milhões
com esse livro.”
“Pense em Whitney. Quer você queira admitir ou não,
ela foi muito boa com você durante muitos anos. Ela não precisa dessa merda na
vida, especialmente agora que está grávida. Posso entender como se sente a
respeito de John. Inferno, todos sabem que ele é uma cobra no mato, mas não vai
conseguir atingi-lo sem atingir Whitney.”
“Quem se importa? Ninguém ligou a mínima quando
eles me magoaram. Eles simplesmente me despediram e deram um chute no meu
rabo!”
Tentei explicar que ela tinha traído Whitney com
seu duplo-acordo, vendendo suas fotos de casamento e também a informação sobre
a lua de mel, mas Regina não via nada de errado nisso. Ela insistia que pelo menos
metade do que era escrito sobre Whitney nos tablóides vinha da própria Whitney,
então por que ela não podia fazer uns trocados por si mesma? Lembrei-a de todos
os presentes que ela havia roubado de Whitney e diversas outras coisas que
tinha feito que eram ilegais.
“Eu quero te ajudar de verdade,” disse a ela, “e
estou disposto a ir ao John negociar sua indenização, mas vai ter que assinar
uma retratação, prometendo que nunca escreverá nada sobre os Houstons.”
Ela riu na minha cara, e foi então que eu tirei o
meu manuscrito da pasta. Tinha mais cópias em casa, pois sabia que ela ia
tentar destruí-lo se pusesse as mãos nele. “É isso aí, querida. Ou você faz um
acordo com os Houstons ou eu publico meu próprio livro expondo você como uma
ladra e uma mentirosa. Acho que não quer isso. Sua reputação será destruída no
ramo da música. Você não vai conseguir emprego nem com o Tiny Tim.”
“Você está blefando,” ela disse, mas vi medo em
seus olhos quando ficou claro para ela todas as coisas que estive a par nos últimos
anos.
Alguns dias mais tarde, John me ligou e disse o
quanto apreciava o que estava tentando fazer. “Esta merda que Regina está
tentando fazer está me matando e deixando Whitney uma pilha de nervos. Ela não
precisava estar se preocupando com essa putinha conivente enquanto está
grávida. Ela já tem problemas suficientes com a mídia normalmente. Teria dado
um jeito na vagabunda por mim mesmo, mas tenho estado muito doente ultimamente.”
Ele tinha diabetes, sua visão estava falhando, e
ele já não era mais tão intimidante como costumava ser. Ele não tinha problemas
para me ajudar a iniciar minha carreira e disse, “Com toda essa merda
acontecendo, eu acabei esquecendo completamente a sua carreira na música, mas
se puder calar aquela cadela, vamos botar essa bola pra rolar.”
Ele me pediu que voasse para Nova Jersey para
encontrá-lo e levar o meu manuscrito. Donna, a esposa de Michael, que
trabalhava nos escritórios da Nippy, Inc., fez minhas reservas. Durante o vôo,
fantasiei sobre o quanto todos ficariam felizes e gratos por ter conseguido
tirar Regina de seus encalços. Eu tinha certeza
de que Whitney faria jus a sua promessa de gerenciar minha carreira. Depois de
toda a porcaria que tinha passado com a Família Real, eu merecia.
Fiz o check-in no Holiday Inn e desci para esperar
pelo John no bar. Faltavam três dias para o Natal e eu estava pensando que
tremendo presente de Natal seria esse. Eu realmente senti uma pontada de culpa por
Regina, mas a empurrei para fora do meu pensamento. Todos os problemas pelos
quais estava passando, ela mesma os tinha criado, e quase me destruiu no
processo. Era hora de começar a pensar
em mim mesmo. Estava sentado no bar, tomando um rum com Coca-cola, quando vi
John entrar flanqueado de cada lado por dois rapazes brancos. Caminhei até eles
e o cumprimentei e ele olhou bem dentro dos meus olhos com um olhar de puro ódio.
Ele não disse uma só palavra.
Um dos homens estendeu sua mão para mim e disse, “Oi,
Kevin. Sou Sheldon Platt, advogado de Whitney.” Ele me apresentou ao outro
homem, também um advogado, e John continuava a me encarar como se eu fosse um
pedaço de bosta grudado à sola do seu sapato. O silêncio cresceu até o Sr Platt
dizer, “Tenho que me desculpar por John. Ele anda meio indisposto ultimamente. Este
negócio com a Srta Brown é muito estressante para todos nós.”
Eu o ignorei e olhei bem dentro dos olhos de John. “Não
sei qual o seu problema, mas não estou gostando da sua atitude, John. Vim até
aqui para tentar ajudá-lo a sair de uma situação complicada, e você assume essa
postura agressiva. Não preciso dessa merda. Tenha um pouco de respeito ou levou
meu traseiro feliz de volta para Chicago!”
Isso chamou sua atenção e ele disse, “Kevin, sinto
muito. Sinto muito mesmo. Não é culpa sua. Tenho estado mais doente que um
cachorro e eu só quero acabar logo com isso o quanto antes. Não quero mais
processos pairando sobre nossas cabeças quando Whitney tiver seu bebê.”
Parabenizei-o
por tornar-se vovô e ele sorriu pela primeira vez. Fomos ao salão de
conferencias e Platt disse que John havia contado a ele sobre meu manuscrito, listando
todas as coisas que Regina havia feito enquanto trabalhava para Nippy, Inc. e
pediu para vê-lo. Não tive problemas com isso; havia levado comigo por esta razão,
mas agora estava começando a suspeitar. John tinha me levado a acreditar que assinaríamos
um contrato de gerenciamento de gravadora, e quando eu vi os advogados,
simplesmente deduzi que estivessem ali com um contrato.
“Estou com ele bem aqui,” disse, indicando minha
pasta. “Mas achei que estivéssemos aqui para discutir sobre a minha carreira. Por
que esses rapazes precisam ver o manuscrito?”
“É para isso que você está aqui, Kevin,” John disse, “mas os advogados precisam
apenas dar uma olhada para ver o que temos aqui.”
Não precisava sentir um sopro no ouvido para saber quando
alguém estava tentando me ludibriar.
O outro advogado entrou na conversa. “Precisamos
saber o que Regina fez, ilegalmente, enquanto trabalhava para a Srta Houston. E
é nossa intenção processá-la.
“Isso mesmo,” John gritou. “Quero jogar seu rabo na
cadeia por toda dor e agonia que causou a minha família.” Ele começou a discursar
sobre a cadela traiçoeira que ela era e como ela devia estar trepando com pelo
menos uma dúzia de outros homens enquanto estava morando comigo. Ele era como
um velho leão desdentado, ainda rugindo, mas ninguém mais prestava atenção
nele. Enquanto um dos advogados tentava acalmá-lo, o outro estava me cozinhando
sobre o livro de Regina. Ele queria saber se eu o tinha visto, e quando eu
disse que tinha, ele me pediu para dizer a ele o que tinha lido.
“Não vou fazer isso,” disse a eles. “Pensei que o
propósito dessa reunião fosse impedi-la de publicar o livro, não mandá-la para
a cadeia.”
Eles ofereceram pagar pela informação e perguntaram
quanto custaria para também verem o meu manuscrito. “Não se trata de dinheiro,”
eu disse. “Nunca se tratou de dinheiro. Quero que os Houstons façam jus a sua
promessa de me conseguir um contrato de gravação. Isso é tudo o que sempre
quis.”
Continuaram a me atormentar e me disseram, “Estamos
dispostos a te fazer um jovem muito rico. Tudo o que tem a fazer é nos dizer o
que sabe sobre o livro da Srta Brown e nos deixar ver o que escreveu.”
Olhei dentro dos olhos de John e uma onda de medo tomou
conta de mim. Cheguei a sentir os pêlos do meu braço se eriçarem. Alguma coisa
estava definitivamente errada aqui. Estava caindo numa emboscada. Resmunguei alguma
coisa do tipo “tenho que pensar melhor,” e voltei correndo para o meu quarto e
liguei para Regina. Não importa quantas vezes ela tinha mentido para mim e me
ferrado, eu ainda a amava. Não conseguia evitar. Minha única razão de querer
fazer um acordo com John era a de impedir que Regina escrevesse um livro e de
pressioná-lo a honrar nosso acordo em relação a minha carreira como cantor. Não
queria ser responsável por ela ser presa ou jogada na cadeia.
Depois que relatei o que havia transcorrido na
reunião, Regina perguntou se eu tinha mostrado o manuscrito e eu disse a ela
que não.
Disse a ela que o meu vôo era para o dia seguinte,
e ela disse que faria contatos para que eu pudesse sair dentro de uma hora. “Simplesmente
caia fora daí e não diga a ninguém que está saindo!”
Peguei minhas bolsas e fui direto para o aeroporto,
sentindo como se tivesse escapado realmente por um triz. Não levava jeito para
esse negócio de capa e espada. Desde que comecei a me envolver com os Houstons,
minha vida virou de cabeça para baixo.
Regina estava me esperando no aeroporto e se jogou
nos meus braços, me beijando e chorando e dizendo o quanto tinha sentido a
minha falta. Estávamos arrancando as roupas um do outro no segundo que chegamos
em casa e caímos na cama, prometendo não nos separarmos nunca mais. Sentia uma afinidade
com ela como se ambos fossemos vitimas da ira de John Houston. Também éramos companheiros
de conspiração de certa forma, e isso nos aproximou ainda mais.
Em janeiro de 1993, Robyn ligou para mim. Não nos falávamos
há algum tempo, então fiquei surpreso com sua ligação. Sua voz estava suave e
um pouco triste quando ela disse, “Ei, Kevin, como vai, querido?” Nós trocamos
amabilidades por alguns segundos, e então ela disse, “Ouvi alguns boatos aqui
pelo escritório que me deixaram perturbada e queria saber se são verdadeiros. John
ofereceu te pagar para me dar uma surra, quebrar meus braços e pernas?”
Eu não queria admitir, então eu disse, “Deixe-me
colocar dessa forma, Robyn. Não há dinheiro suficiente no mundo que me faça
machucar um dos meus amigos. E você é minha amiga. Nunca me fez mal nenhum e
sempre foi direta comigo até onde eu sei.”
Ela começou a chorar baixinho e em sua voz havia uma
tristeza pesada, e alívio também. “Sabia que nunca me machucaria, Kevin. Não acreditei
quando ouvi porque sempre senti que nos entendemos. Sempre pude ser eu mesma
com você. Não estou surpresa por John, no entanto. Ele é um cuzão e seu dia está
chegando. Ele não pode controlar todo mundo como fazia.”
Perguntei a ela como Whitney estava indo e ela
suspirou. “Bem, não estamos mais tão próximas como antes. É praticamente só negócios
agora. Sinto sua falta e tenho que ficar me lembrando de que ela está casada
agora, e grávida, e isso muda uma mulher.” Perguntei a ela como estava indo a
gravidez, e ela me disse que Whitney tinha desenvolvido toxemia, o que fez sua
pressão arterial subir e suas pernas e pés incharem.
“Ela tem que ficar com os pés para cima a maior
parte do tempo porque ela está enorme.
Ele dever estar com mais de 100 quilos, e seu médico não está gostando nada disso.
Ela ora todos os dias, ‘Querido Deus, deixai esse bebê nascer agora!’ É tão estranho vê-la assim,
Kevin. Ela não é mais a minha Nippy magricelinha.”
Conversamos por mais alguns minutos e ela desligou
com, “Por favor, cuide-se, Kevin. Tenha muito cuidado de agora em diante. E lembre-se
que te amo.”
Cerca de uma hora depois, John Houston me ligou. Ele
estava usando sua voz extralegal, salve-companheiro-bom-te-ver. Ele não perdeu
tempo e foi direto ao assunto. “Kevin, eu alguma vez já pedi que você
machucasse Robyn Crawford de alguma forma?”
Para ele sair com uma pergunta como essa, sabia que
devia estar comigo no viva-voz e alguém deveria estar ouvindo. “O que está
tentando fazer, John? Nós dois sabemos o que aconteceu.”
Ele deu uma gargalhada falsa e disse, “Não, não,
Kevin. Se eu realmente disse alguma coisa desse tipo, você devia saber que eu
estava brincando. Você com certeza não achou que eu estivesse falando sério, não
é mesmo?”
“Sim, John, eu realmente
achei que estivesse falando sério. Na verdade, eu tenho certeza de que estava falando sério. Você não me ofereceria
dinheiro e um contrato com uma gravadora se estive apenas de brincadeira.”
Ele ficou uma fera, gritando e xingando. “Seu
mentiroso de merda! Se você for a público com essa merda, eu vou negar
categoricamente e fazer da sua vida um inferno!” ele xingou e continuou um
pouco mais, gritando, “Você não vai sair facilmente dessa, Kevin. Estou te
avisando, mantenha essa sua boca fechada ou vai se arrepender, seu canalha!”
Ele bateu o telefone na minha cara e eu lembro de
ter pensado, Que jeito infernal de começar 1993!

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