domingo, 15 de setembro de 2013

Capítulo 12: Um Sucesso Monstruoso

12

Um Sucesso Monstruoso


Bobbi Kristina Houston Brown fez sua estréia no dia 4 de março no Centro Médico St. Barnabas em Livingston, Nova Jersey. Nascida de cesariana, ela pesava pouco mais que três quilos – não muito, considerando o enorme peso que Whitney ganhou durante sua gravidez. O orgulhoso papai estava segurando a mão de sua esposa quando o médico entregou o bebê, e uma das enfermeiras de plantão disse, “Você podia ver seu enorme sorriso mesmo através da máscara cirúrgica que estava usando. Iluminava todo o seu rosto.”
Quando Regina e eu ouvimos falar do nascimento do bebê, ela rompeu em lágrimas, soluçando, “Eu ia ser a madrinha, agora provavelmente nunca nem chegue a ver o bebê. Aquela maldita sapatão, e maldito John Houston por ter me despedido! Queria que os dois morressem fulminados!”
Mais tarde naquele mês, John ligou para a advogada de Regina, Linda Mensche, e disse a ela que se um livro fosse publicado sobre a família Houston, a Nippy, Inc. moveria uma ação judicial acusando a Srta Brown e seu cúmplice, Kevin Ammons, de extorsão. Linda riu e me disse que eram uma “escória antiética.” Ela queria seguir adiante com o caso e abrir um processo por “demissão injusta” contra a Nippy, Inc., mas Regina estava hesitante. Caso se tornasse público que ela era uma informante para os tablóides, era seria banida pelo mundo do entretenimento. Todas as celebridades no ramo odiavam os jornais e não sentiam nada além de desprezo por aqueles que os supriam com informações pessoais. 
Regina logo voltou a aprontar seus velhos truques e vendeu diversas histórias sobre Oprah Winfrey e Michael Jackson. Como ela não tinha mais acesso a informação sobre Whitney e Bobby, ela desenterrava qualquer sujeira que conseguisse encontrar sobre outras celebridades. Eu a ouvia com freqüência no telefone com Flo Anthony e Jamie Foster Brown, do Sister 2 Sister, mas se ela me pegava ouvindo, ela levava o telefone para o banheiro. Desde que foi despedida em agosto de 1992, ela se queixava para mim que esse era o único jeito de ela poder fazer dinheiro suficiente para cobrir suas despesas.
Alguns meses antes eu havia emprestado cinco mil dólares e descobri, para minha surpresa, que ela estava longe de estar dura. Estava passando o dia com meus filhos. Quando estávamos no carro, um dos meninos disse, “Pai, alguém esqueceu uma carteira no banco de trás.” Ele entregou-a para mim e não era uma carteira, era a caderneta bancária da poupança de Regina. Ela tinha $89.000 dólares em sua conta. Fiquei pálido, mas mantive a calma até levar os meninos para casa, então fui enfrentar Regina.
Ela disse que era uma caderneta velha, mas eu tinha visto as datas. Era corrente. Ela começou a chorar, agarrando-se a mim, implorando que eu a perdoasse, dizendo que precisava do dinheiro para pagar consultas médicas e “cuidar do seu futuro” já que estava desempregada. Ela disse, “Na verdade é nosso dinheiro, Kevin, porque nos amamos e vamos nos casar assim que sair seu divórcio.”
Ela soluçava histericamente e ameaçava se matar se eu a deixasse. Ela tinha uma pequena pistola .25 automática, e em diversas ocasiões ela a tinha pego e apontado para a sua cabeça. Eu ficava tão assustado quanto fascinado por ela.
Cinco meses depois do nascimento de sua filha, Whitney voltou para a estrada. Estava morrendo de vontade de vê-la novamente então consegui ingressos para o seu show em Miami. A noite foi um desastre total. Todo mundo teve que esperar do lado de fora até minutos antes do show começar. Depois do lado de dentro, tivemos que esperar ainda mais. Shows nunca começam na hora marcada, mas este estava surpreendentemente atrasado. Houve dois números de abertura, e a essa altura todos na platéia já estavam impacientes. Finalmente, quase às dez horas (uma hora e meia depois do tempo programado), Whitney entrou no palco, e eu pude ver por sua expressão que  ela estava em uma de suas crises nervosas típicas da Família Real. Ela não disse uma palavra de justificativa pelo atraso, simplesmente começou a cantar.
Ao final da primeira canção, uma fã subiu correndo ao palco e apontou um caderno de autógrafos para ela, implorando que o assinasse. Ela deu a pobre menina um olhar frio e arrogante e disse em alto e bom som pelo microfone, “Seu ingresso definitivamente diz ‘assento’ nele, não diz?”
A plateia arfou e explodiu em vaias e assobios, mas Whitney apenas sacudiu a cabeça e rosnou, “Olhem, já fui vaiada antes e isso realmente não me abala.”
No dia seguinte críticos e DJs bombardearam seu comportamento, e programas com participações por telefone no ar estavam cheios de fãs desgostosos que juravam nunca mais ir a outro show de Whitney Houston. Em uma crítica no Miami Herald, Leonard Pitts escreveu, “Houston subiu ao palco com uma atitude que cheirava a peixe podre. Foi o Hindenburg dos shows de música pop. Seu comportamento foi de quinta, amadora, arrogante, e abaixo da dignidade de uma cantora de seu talento e estatura.”
Uma das secretárias na Arista contou a Regina que “os homens” haviam chamado Whitney e avisado a ela que era melhor ela mudar seu jeito de Prima Donna ou ela teria que passar por um período de reajuste da sua postura. Ela deve ter ouvido porque não houve mais publicidade negativa durante o resto de sua turnê. Na verdade, ela ficou mais aberta que nunca. Ela sempre trazia seu bebê ao palco e a apresentava a plateia, depois pedia a Bobby que aparecesse e dissesse ‘oi.’
Whitney estava se apresentando em Monte Carlo na Riviera Francesa em 9 de agosto de 1993, no dia que fez trinta anos de idade. Bobby, com vinte e quatro anos de idade, fez para ela uma festa a bordo de um iate que estava ancorado no Mediterrâneo – o que os fez lembrar sua lua de mel apenas um ano antes.
Ao final de 1993 The Bodyguard havia totalizado mais de $400 milhões de dólares em todo o mundo e a trilha sonora havia vendido mais de 24 milhões de cópias, a maior venda de trilhas sonoras na história da música. Os críticos continuavam a malhar a estréia de Whitney como atriz enquanto seus fãs continuavam a ver o filme três, quatro vezes.
“I Will Always Love You” ganhou Number One World Single, Number One Hot Single, e Number One R&B Single no Billboard Music Awards anualao todo, Whitney levou onze prêmios aquela noite. Ela também se apresentou no show, dedicando “I Have Nothing” aos seus fãs e dizendo a eles, “Eu não existiria se não fossem vocês.” Não houve vaias ou assobios esta noite. Toda a plateia de pé deu a ela uma salva de palmas de três minutos.  
Regina manteve contato com o pessoal na Nippy, Inc. e continuava a pagar seu plano de saúde, então ela ia pescando uma fofoca aqui e ali de vez em quando. Eu já tinha me conformado que nunca assinaria um contrato com uma gravadora. Se eu não podia viver da música, então eu ia ajudar crianças. Fundei o Power Club, uma organização sem fins lucrativos em Chicago, e tentei colocar minha vida de volta nos trilhos. Tinha esperança de que sem a pressão da família Houston, Regina e eu pudéssemos ter uma chance juntos. Devia ter pensado um pouco mais a respeito.
Em novembro de 1993, parei em frente ao prédio de Regina e a vi sentada em um carro esportivo com outro homem. Quando ela me viu, ela saltou do carro, correu até onde eu estava e começou a balbuciar, “Não se preocupe, querido, esse é só um amigo meu – e ele é gay.” Ela estava tentando me beijar, mas eu a empurrei e fui embora. Desta vez, disse a mim mesmo, estava completamente acabado. Não retornava suas chamadas quando ela me mandava alguma mensagem pelo Pager, e tentava não pensar nela. Cerca de uma semana e meia mais tarde estava no meu escritório quando ouvi pelo radio que a ex-assessora  de Whitney Houston, Regina Brown, estava noiva de George Daniels, dono da loja George’s Music Room na zona oeste. Eu os tinha apresentado e agora eles iam se casar. Isso me chocou. Eu não soube que eles sequer namoraram. Para ouvir Regina dizer que eu era o único homem na vida dela.
A próxima vez que ela ligou, ouvi o que ela tinha para dizer. Ela jurou que amava só a mim, mas que precisava de segurança em sua vida e sabia que eu nunca me casaria com ela. Ela implorou que eu entendesse e depois disse, “Não quero abrir mão de você, querido – não quero abrir mão do ótimo sexo. Eu preciso de um amor gostoso, então poderíamos continuar nos vendo, não podemos? George nunca vai saber e ninguém se machuca.”
“Sexo era tudo o que tínhamos na verdade, no fim das contas,” disse a ela, “então é só dizer quando precisar dos meus serviços.”  

O calendário extenuante de Whitney estava começando a cobrar o seu preço e ela parecia exausta e mesmo abatida no palco. Ela estava magra e seu pavio ainda mais curto que o normal. No começo de 1994 ela começou uma turnê que englobava vinte e duas cidades. Os tablóides continuavam a escrever que seu casamento era uma farsa e que ela estava “mais íntima do que nunca de sua companheira de longa data, Robyn Crawford.” A habitualmente reservada Crawford foi ficando tão exasperada com os persistentes rumores quanto Whitney estava, e ela deu sua própria entrevista, afirmando, “Whitney Houston é uma mulher casada, tradicionalmente casada. Ela adora seu marido e sua filha.  O alicerce que construímos há anos atrás, a amizade que compartilhamos, ficou lá no passado.
“Agora são negócios. Aqueles que trabalham para ela temos que mudar para nos acomodar às mudanças. Diria que, como pessoa, Whitney continua a mesma. Ela não é arbitrária ou temperamental ou arrogante, mas embora caminhe com suavidade, ela carrega consigo uma vara invisível. Se você a puser contra a parede, vai se arrepender. Acho que são as pessoas ao seu redor, incluindo a mim mesma, que temos que nos ajustar ao fato de que agora ela é tão famosa, tão requisitada.”
Infelizmente, a fama nem sempre atrai apenas bons fãs. Desde 1991, Whitney tem sido perseguida por um andarilho demente, Charles Russell Gilberg, que acredita que ela seja sua alma-gêmea e que ele é o verdadeiro pai de Bobbi Kris. Ele começou a escrever cartas prometendo ficar com Whitney e com seu bebê, o que compreensivelmente a aterrorizou e essa é apenas uma das razões de haver um esquema de segurança tão forte cercando sua família. No início de 1994, Gilberg mudou-se para Newark, nova Jersey, para ficar mais perto de Whitney, levando-a a obter uma ordem de restrição.
Ela viaja com uma comitiva de seguranças, não por ser uma prima Donna, mas porque teme por sua vida. E ela leva o seu bebê consigo, pois tem medo de deixá-la fora do alcance de sua vista. Os fãs a censuraram por isso também, acusando-a de, alguma forma, prejudicar o bebê, arrastando-a de uma cidade para outra, mas o fato é que vovó Cissy é responsável por Bobbi Kris enquanto estiverem na estrada e lhe dá todo amor e carinho que ela poderia desejar.  

No vigésimo primeiro American Music Awards anual, Whitney ganhou em oito impressionantes categorias – e, novamente, no Grammy Awards, ela ganhou o prêmio de Melhor Vocalista Pop por “I Will Always Love You.” A trilha sonora do The Bodyguard ganhou o prêmio de Álbum do Ano, e “I Will Always Love You” o de Melhor Gravação do Ano.
Embora tenha começado com uma nota promissora, 1994 viria a ser um ano difícil para Whitney. Ela não estava lidando bem com o estresse da turnê. Ela estava constantemente atrasada para as apresentações, dando desculpas vagas sobre “problemas de garganta” quando se dava ao trabalho de dar qualquer desculpa. Fotógrafos e fãs que se aproximavam demais eram impedidos por uma muralha de seguranças que ordenavam, “Afastem-se!”
Bobby pôs sua carreira de lado para acompanhar sua esposa, e internos reportam que isso colocou ainda mais pressão no casamento. Whitney o chamava no palco, pulava em seus braços, e envolvia suas pernas ao redor de seu corpo, agarrando-se a ele, enquanto dizia a plateia, “Sou uma mulher apaixonada e o homem pelo qual estou apaixonada está muito apaixonado por mim!” Depois ela o mandava de volta aos bastidores onde a Família Real comentava sobre o seu mal-humorado embaraço.
Em seu vigésimo quinto aniversário, Whitney fez para ele uma festa sensacional na elegante e cara Taverna do restaurante Green na cidade de Nova Iorque. Jamie Foster Brown cobriu o evento para a revista Sister 2 Sister e disse o seguinte: “Bobby, sua mãe Carole e Whitney subiram ao palco para receber e agradecer a presença dos convidados. A mãe de Bobby estava feliz. Ela falou, muito emocionada, e desconexa, que amava todos os seus filhos. Ela também disse amar Whitney, não por ser Whitney Houston, mas por ser sua nora. Bobby disse ‘Não importa o que pensem, meu casamento com Whitney é pra valer. E se não o respeitam, então que se fodam todos vocês!’”  
Após a festa, na sala de imprensa, um confronto físico eclodiu entre Bobby e um fotógrafo que havia sido contratado para cobrir a festa. Dizem que o fotógrafo fez um comentário sobre a mãe do bad boy esquentadinho que ele não gostou, lhe dando uma bofetada pela cara. Aqueles que eram próximos do casal diziam que a tensão de sair em turnê com sua esposa o estava deixando cada vez mais impaciente e mal-humorado. Whitney era muito exigente e Bobby não estava acostumado a ser relegado à posição de “ele está com a Whitney” – seu medo inicial de se tornar o Sr Whitney Houston parecia estar tornando-se real e isso beliscava o seu ego.
Whitney, cansada, disse a um repórter, “Quão famoso você pode ser? Quantas canções você pode ter no topo das paradas? Ter tudo isso, ter dinheiro e tudo isso, não me fizeram feliz. E ninguém entende isso. É sempre, ‘Oh, menina, estar no seu lugar!’ mas não fazem a mínima idéia. Nenhuma noção!”

    The Bodyguard tinha se tornado um sucesso tão grande que na primavera de 1994 os estúdios cinematográficos estavam inundando Whitney com roteiros. O único no qual ela mostrou ter algum interesse foi The Bishop’s Wife, um remake dos anos 40 de arrancar lágrimas estrelando Carry Grant, Loretta Young, e David Niven. Mas ela tinha uma turnê de shows para terminar, então, como no caso do The Bodyguard, ela disse ao estúdio que retornaria para eles quando estivesse livre de suas obrigações.
As tensões entre Bobby e Robyn finalmente entraram em erupção em março. A Família Real estava no Hotel Península em Beverly Hills, e Whitney e Bobby tinham sido observados em diversas ocasiões discutindo em público entre eles e com Robyn. Como relatado no livro Diva, de Jeffrey Bowman, seguranças foram convocados cedo na manhã de 24 de março por Robyn Crawford: “Quando nós chegamos ao quarto do hotel, Robyn Crawford atendeu à porta. Ela tinha um arranhão na mão e marcas vermelhas nos braços e no pescoço. Embora tivesse minimizado qualquer incidente que possa ter ocorrido, algo estava visivelmente errado. Depois de alguns instantes, os seguranças da própria Whitney Houston, que aparentemente também haviam sido chamados, chegaram.
“O Sr Brown estava esbravejando e ameaçando a Srta Crawford e nós perguntamos a Sra Whitney se ela gostaria que nós permanecêssemos até que a polícia, que também havia sido notificada, chegasse. Mas ela disse que podia controlar a situação dali. Percebemos por seu comportamento que aparentemente o Sr Brown devia estar bebendo. Parecia que Brown, Houston, e Crawford estavam todos envolvidos em algum tipo de luta.”
Nos dois meses seguintes, tanto a imprensa legítima quanto os tablóides reportaram sobre as numerosas discussões em público entre os briguentos da família Brown. Eles não pareciam ligar para quem estava por perto quando entravam em uma de suas brigas de alta tensão. Os problemas financeiros de Bobby estavam aumentando, sua carreira estava na lixeira, e sua esposa só ficava cada vez mais rica e famosa. Ela apareceu na revista Forbes, na lista dos artistas mais bem pagos do mundo, na vigésima terceira posição, com uma renda de $33 milhões de dólares.
“A auto-estima de Bobby sofreu uma queda livre,” um amigo de Regina nos contou. “Ele recebeu um mandado da Receita Federal de mais de três milhões de dólares em impostos atrasados, e não tinha a grana, nem um jeito de consegui-la. Whitney já tinha pagado sua fiança uma vez, mas agora que eles estavam brigando o tempo todo, ele já não está tão certo de ter sua ajuda novamente.”
Pessoas do convívio deles dizem que as brigas constantes não eram por causa de dinheiro, mas mulheres. Mais de uma vez, Bobby foi visto com mulheres que evidentemente não eram sua mulher. Mas parecia que não importava o quanto Whitney pudesse brigar com seu marido sobre essas questões, quando confrontada por um repórter, ela defendia ferrenhamente o seu marido. Ela disse à revista Ebony, “O casamento é uma linda instituição. As pessoas não conhecem o Bobby porque não falavam muito dele exceto que Bobby é esse homem sexy que faz toda essa performance sexual no palco. Mas Bobby é um homem de família. Bobby ama sua mãe, ama sua família.  Ele sai quando quer ouvir música, quando quer saber o que está acontecendo. Ele chega em casa. Sei onde meu marido está; sei o que meu marido faz. Há certas coisas com as quais não concordo e Bobby sabe disso. E há coisas que ele não aprova. É por isso que estamos juntos, porque ambos temos os mesmos padrões.”
Ela seguiu em frente, dizendo que tinha ouvido os boatos de que “duas pessoas negras bem-sucedidas não davam certo como um casal. É por isso que as mulheres negras às vezes se casam com homens brancos? Bobby e eu damos certo porque estamos determinados a fazer dar certo. E funciona porque confiamos um no outro e não acreditamos no que as pessoas falam. Bobby e eu somos homem e mulher. Somos casados, temos uma filha, passamos pelas coisas, temos nossas brigas como todo mundo.”
Bobby continuou a acompanhar Whitney em sua turnê, mesmo com os tablóides os separando e reconciliando semanalmente. Então em junho, Whitney chamou Bobby no palco como sempre fazia no início de uma apresentação e deu a ela a feliz notícia que estava grávida novamente. A plateia gritou em aprovação enquanto os Browns se beijavam apaixonadamente.
“Nunca encontrei nada na vida que me realizasse mais que ser mãe,” Whitney disse, radiante de alegria. “Mal posso esperar para dar um irmãozinho ou uma irmãzinha para Bobbi Kris. Gostaríamos de ter três filhos, e espero que este seja um menino.”
Mas não era para ser. Ela teve um aborto espontâneo um mês depois.
Depois de menos de uma semana de descanso, ela estava de volta ao circuito com sua turnê com Bobby ao seu lado. Fãs disseram que ela parecia cansada e abatida e seu humor ainda menor que o costumeiro. Seus atrasos às apresentações continuaram e sua atitude era “vá para o inferno” se alguém ousasse tocar no assunto. Em agosto, enquanto se apresentava em Anaheim, Califórnia, ela surpreendeu a plateia, ao pedir, em prantos, que os holofotes fossem postos nos filhos de O.J. Simpson e Nicole Brown, Sydney e Justin, que estavam na plateia. Lágrimas rolaram de seu rosto e ela parecia não notar os suspiros de choque da plateia. Um fã disse, “Foi humilhante e muito estranho – todos ficaram envergonhados.”
Outro fã acrescentou, “Sydney e Justin pareciam muito desconfortáveis e achei de muito mau gosto fazer aquilo com as pobres crianças. Será que já não tiveram holofotes suficientes sobre eles para durar uma vida inteira?”

Pessoalmente, 1994 tinha sido um ano infernal para Whitney, mas profissionalmente ela tinha posto na estante um número surpreendente de premiações e adulações. Naquele outono, ela e sua comitiva voaram para a África do Sul para um compromisso de três semanas, o qual foi chamado de “o maior evento na mídia desde a posse de Nelson Mandela.” O show de Whitney reuniu música, libertação, história, e amor enquanto mais de setenta mil negros e brancos sul-africanos lotavam o Estádio Ellis Park em Johanesburgo. Foi a primeira vez que um show reuniu Sul Africanos de todas as raças e partidos políticos e ligou temporariamente a África do Sul aos Estados Unidos através de uma conexão pela HBO, que levou o evento para milhões de espectadores.
Anunciado simplesmente como “Whitney – O Show Por Uma Nova África do Sul”- ela entrou para o clube exclusivo das superstars globais de um só nome. Em um deslumbrante vestido dourado colado à sua figura esbelta, ela entrou no palco agitando as bandeiras dos Estados Unidos e da África do Sul uma em cada mão. O vestido foi acentuado com designs africanos arrojados de uma couraça com longos pendentes de contas e grandes medalhões dourados que caiam até abaixo da virilha. Brincos de contas brilhantes, na altura dos ombros, saiam de seu turbante dourado, que era preso no centro da testa por um fecho de jóia.       
O momento delicado da sensacional turnê foi quando ela referiu-se a controversa Winnie Mandela como “sua rainha” e foi recebida por uma saraivada de vaias da plateia. Sempre mal-humorada, Whitney sacudiu a cabeça e respondeu: “Eu não me importo com o que vocês pensam!”
O restante do compromisso de três semanas correu sem problemas, tanto que Whitney os impressionou em Durban e Cape Town, excursionou por Soweto, e visitou diversos orfanatos. As manchetes dos jornais anunciavam, “A Rainha do Pop Visita Rei Mswati III,” em Swaziland. Ela disse aos repórteres que “o que mais a impressionara tinha sido o orgulho, a força, e a dignidade das pessoas em face do que parecia ser dificuldades insuperáveis. Isto parece a minha casa espiritual e eu adoraria a oportunidade de voltar para outra visita.”
Ela graciosamente se submeteu a várias sessões de fotos com o Presidente Mandela e a certa altura chegou a chorar abertamente em seu ombro. Cissy, que havia acompanhado sua filha, foi convidada a subir ao palco em Cape Town e fez uma empolgante performance de uma de suas velhas canções gospel. Bobbi Kris havia ficado nos Estados Unidos com uma babá.   
De volta aos Estados Unidos, fãs e repórteres ainda estavam picotando tanto Whitney quanto Bobby. Histórias de uso e tráfico de drogas continuavam a perseguir Bobby onde quer que fosse – e ele continuava a responder às acusações com os punhos. Quando Whitney não estava lutando com ele, ela lutava por ele, constantemente dando aos seus fãs (e a si mesma) novas garantias de que seu casamento era bom. Boatos vieram à tona no final de 1994 de que ele havia engravidado outra mulher, e foi finalmente confirmado que ele tinha mesmo tido seu quarto filho, nascido logo após seu casamento em 1992. Ele está atualmente enfrentando um processo de paternidade por este caso.
Cada revista de cinema que trazia uma reportagem sobre Whitney, também levava cartas de fãs descontentes que já estavam fartos da dupla mais improvável da década.  Todo mundo, ao que parecia, estava cansado das brigas em público e notícias de mais discórdia entre os belicosos Browns. Uma dessas cartas, escrita para a revista Fresh! resumia o sentimento geral entre os fãs:
“Whitney Houston passa todo o seu tempo tentando nos convencer de como seu marido idiota é maravilhoso e fica aborrecida porque dizem que ela se casou com o tipo errado. O que ela esperava? Ela era tão boa e simpática, e ele passa metade do seu tempo engravidando alguém e depois as larga. A única razão dele não tê-la largado é porque ela é rica e pode fazer muito pela carreira dele.”
Essa parecia ser a opinião de quase todos os repórteres que entrevistavam o casal, e questionavam a lógica de tal união. “Se não conseguem se entender, divorciem-se, mas por favor, poupe-nos da constante lavagem de roupa suja em público.”
Pamela Howell, uma escritora free-lance da Atlanta, teve uma experiência interessante com Bobby Brown. Ela foi aos bastidores para entrevistá-lo após um show de premiações local e não tinha dito mais que algumas palavras quando “ele começou a me abraçar e me beijar. Eu acabei ficando com a cabeça presa debaixo do braço dele. Ele nunca respondeu nenhuma das minhas perguntas. Ele só queria me apalpar. Ele agiu como um cafajeste.”
Enquanto a personalidade espinhosa e dura das ruas de Bobby aguçava a ira dos fãs e repórteres, a inata simpatia de Whitney mantinha sua popularidade em alta.  Ela era difícil e humilde, suave e dura como osso, possuidora de gratidão e atitude. Ela podia praguejar como um estivador em um momento e depois louvar a Deus no momento seguinte. Seu rosto podia assumir o sarcástico ar de arrogância se alguém a desagradasse, e depois suavizar-se em uma brilhante Madonna quando olha para o rosto de sua filha. Ela era um paradoxo, e isso era o que mantinha o público interessado em cada passo seu.  
Ela contou à revista Ebony, “Minha mãe cantava para mim quando estava em seu ventre; eu cantei para Bobbi Kris quando ela estava no meu. Acredito que a criança começa a se desenvolver a partir de então, e tudo o que puser dentro de você, tudo o que ler, tudo o que pensar, tudo o que fizer, afeta a criança. Então eu basicamente apenas lia e ouvia música. E viajava com o meu marido em turnê, então Bobbi Kris ouvia música constantemente.”

“Whitney é uma pessoa normal que gosta de fazer coisas normais e gostaria de levar uma vida normal,” disse Cissy. “Mas obviamente, não consegue.”  

2 comentários:

Thivisama disse...

Poxa, bem que poderia ter a continuação do livro. Faltavam mais 6 capítulos. Uma pena!

Unknown disse...

Por que não continuou?