domingo, 15 de setembro de 2013

Capítulo 12: Um Sucesso Monstruoso

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Um Sucesso Monstruoso


Bobbi Kristina Houston Brown fez sua estréia no dia 4 de março no Centro Médico St. Barnabas em Livingston, Nova Jersey. Nascida de cesariana, ela pesava pouco mais que três quilos – não muito, considerando o enorme peso que Whitney ganhou durante sua gravidez. O orgulhoso papai estava segurando a mão de sua esposa quando o médico entregou o bebê, e uma das enfermeiras de plantão disse, “Você podia ver seu enorme sorriso mesmo através da máscara cirúrgica que estava usando. Iluminava todo o seu rosto.”
Quando Regina e eu ouvimos falar do nascimento do bebê, ela rompeu em lágrimas, soluçando, “Eu ia ser a madrinha, agora provavelmente nunca nem chegue a ver o bebê. Aquela maldita sapatão, e maldito John Houston por ter me despedido! Queria que os dois morressem fulminados!”
Mais tarde naquele mês, John ligou para a advogada de Regina, Linda Mensche, e disse a ela que se um livro fosse publicado sobre a família Houston, a Nippy, Inc. moveria uma ação judicial acusando a Srta Brown e seu cúmplice, Kevin Ammons, de extorsão. Linda riu e me disse que eram uma “escória antiética.” Ela queria seguir adiante com o caso e abrir um processo por “demissão injusta” contra a Nippy, Inc., mas Regina estava hesitante. Caso se tornasse público que ela era uma informante para os tablóides, era seria banida pelo mundo do entretenimento. Todas as celebridades no ramo odiavam os jornais e não sentiam nada além de desprezo por aqueles que os supriam com informações pessoais. 
Regina logo voltou a aprontar seus velhos truques e vendeu diversas histórias sobre Oprah Winfrey e Michael Jackson. Como ela não tinha mais acesso a informação sobre Whitney e Bobby, ela desenterrava qualquer sujeira que conseguisse encontrar sobre outras celebridades. Eu a ouvia com freqüência no telefone com Flo Anthony e Jamie Foster Brown, do Sister 2 Sister, mas se ela me pegava ouvindo, ela levava o telefone para o banheiro. Desde que foi despedida em agosto de 1992, ela se queixava para mim que esse era o único jeito de ela poder fazer dinheiro suficiente para cobrir suas despesas.
Alguns meses antes eu havia emprestado cinco mil dólares e descobri, para minha surpresa, que ela estava longe de estar dura. Estava passando o dia com meus filhos. Quando estávamos no carro, um dos meninos disse, “Pai, alguém esqueceu uma carteira no banco de trás.” Ele entregou-a para mim e não era uma carteira, era a caderneta bancária da poupança de Regina. Ela tinha $89.000 dólares em sua conta. Fiquei pálido, mas mantive a calma até levar os meninos para casa, então fui enfrentar Regina.
Ela disse que era uma caderneta velha, mas eu tinha visto as datas. Era corrente. Ela começou a chorar, agarrando-se a mim, implorando que eu a perdoasse, dizendo que precisava do dinheiro para pagar consultas médicas e “cuidar do seu futuro” já que estava desempregada. Ela disse, “Na verdade é nosso dinheiro, Kevin, porque nos amamos e vamos nos casar assim que sair seu divórcio.”
Ela soluçava histericamente e ameaçava se matar se eu a deixasse. Ela tinha uma pequena pistola .25 automática, e em diversas ocasiões ela a tinha pego e apontado para a sua cabeça. Eu ficava tão assustado quanto fascinado por ela.
Cinco meses depois do nascimento de sua filha, Whitney voltou para a estrada. Estava morrendo de vontade de vê-la novamente então consegui ingressos para o seu show em Miami. A noite foi um desastre total. Todo mundo teve que esperar do lado de fora até minutos antes do show começar. Depois do lado de dentro, tivemos que esperar ainda mais. Shows nunca começam na hora marcada, mas este estava surpreendentemente atrasado. Houve dois números de abertura, e a essa altura todos na platéia já estavam impacientes. Finalmente, quase às dez horas (uma hora e meia depois do tempo programado), Whitney entrou no palco, e eu pude ver por sua expressão que  ela estava em uma de suas crises nervosas típicas da Família Real. Ela não disse uma palavra de justificativa pelo atraso, simplesmente começou a cantar.
Ao final da primeira canção, uma fã subiu correndo ao palco e apontou um caderno de autógrafos para ela, implorando que o assinasse. Ela deu a pobre menina um olhar frio e arrogante e disse em alto e bom som pelo microfone, “Seu ingresso definitivamente diz ‘assento’ nele, não diz?”
A plateia arfou e explodiu em vaias e assobios, mas Whitney apenas sacudiu a cabeça e rosnou, “Olhem, já fui vaiada antes e isso realmente não me abala.”
No dia seguinte críticos e DJs bombardearam seu comportamento, e programas com participações por telefone no ar estavam cheios de fãs desgostosos que juravam nunca mais ir a outro show de Whitney Houston. Em uma crítica no Miami Herald, Leonard Pitts escreveu, “Houston subiu ao palco com uma atitude que cheirava a peixe podre. Foi o Hindenburg dos shows de música pop. Seu comportamento foi de quinta, amadora, arrogante, e abaixo da dignidade de uma cantora de seu talento e estatura.”
Uma das secretárias na Arista contou a Regina que “os homens” haviam chamado Whitney e avisado a ela que era melhor ela mudar seu jeito de Prima Donna ou ela teria que passar por um período de reajuste da sua postura. Ela deve ter ouvido porque não houve mais publicidade negativa durante o resto de sua turnê. Na verdade, ela ficou mais aberta que nunca. Ela sempre trazia seu bebê ao palco e a apresentava a plateia, depois pedia a Bobby que aparecesse e dissesse ‘oi.’
Whitney estava se apresentando em Monte Carlo na Riviera Francesa em 9 de agosto de 1993, no dia que fez trinta anos de idade. Bobby, com vinte e quatro anos de idade, fez para ela uma festa a bordo de um iate que estava ancorado no Mediterrâneo – o que os fez lembrar sua lua de mel apenas um ano antes.
Ao final de 1993 The Bodyguard havia totalizado mais de $400 milhões de dólares em todo o mundo e a trilha sonora havia vendido mais de 24 milhões de cópias, a maior venda de trilhas sonoras na história da música. Os críticos continuavam a malhar a estréia de Whitney como atriz enquanto seus fãs continuavam a ver o filme três, quatro vezes.
“I Will Always Love You” ganhou Number One World Single, Number One Hot Single, e Number One R&B Single no Billboard Music Awards anualao todo, Whitney levou onze prêmios aquela noite. Ela também se apresentou no show, dedicando “I Have Nothing” aos seus fãs e dizendo a eles, “Eu não existiria se não fossem vocês.” Não houve vaias ou assobios esta noite. Toda a plateia de pé deu a ela uma salva de palmas de três minutos.  
Regina manteve contato com o pessoal na Nippy, Inc. e continuava a pagar seu plano de saúde, então ela ia pescando uma fofoca aqui e ali de vez em quando. Eu já tinha me conformado que nunca assinaria um contrato com uma gravadora. Se eu não podia viver da música, então eu ia ajudar crianças. Fundei o Power Club, uma organização sem fins lucrativos em Chicago, e tentei colocar minha vida de volta nos trilhos. Tinha esperança de que sem a pressão da família Houston, Regina e eu pudéssemos ter uma chance juntos. Devia ter pensado um pouco mais a respeito.
Em novembro de 1993, parei em frente ao prédio de Regina e a vi sentada em um carro esportivo com outro homem. Quando ela me viu, ela saltou do carro, correu até onde eu estava e começou a balbuciar, “Não se preocupe, querido, esse é só um amigo meu – e ele é gay.” Ela estava tentando me beijar, mas eu a empurrei e fui embora. Desta vez, disse a mim mesmo, estava completamente acabado. Não retornava suas chamadas quando ela me mandava alguma mensagem pelo Pager, e tentava não pensar nela. Cerca de uma semana e meia mais tarde estava no meu escritório quando ouvi pelo radio que a ex-assessora  de Whitney Houston, Regina Brown, estava noiva de George Daniels, dono da loja George’s Music Room na zona oeste. Eu os tinha apresentado e agora eles iam se casar. Isso me chocou. Eu não soube que eles sequer namoraram. Para ouvir Regina dizer que eu era o único homem na vida dela.
A próxima vez que ela ligou, ouvi o que ela tinha para dizer. Ela jurou que amava só a mim, mas que precisava de segurança em sua vida e sabia que eu nunca me casaria com ela. Ela implorou que eu entendesse e depois disse, “Não quero abrir mão de você, querido – não quero abrir mão do ótimo sexo. Eu preciso de um amor gostoso, então poderíamos continuar nos vendo, não podemos? George nunca vai saber e ninguém se machuca.”
“Sexo era tudo o que tínhamos na verdade, no fim das contas,” disse a ela, “então é só dizer quando precisar dos meus serviços.”  

O calendário extenuante de Whitney estava começando a cobrar o seu preço e ela parecia exausta e mesmo abatida no palco. Ela estava magra e seu pavio ainda mais curto que o normal. No começo de 1994 ela começou uma turnê que englobava vinte e duas cidades. Os tablóides continuavam a escrever que seu casamento era uma farsa e que ela estava “mais íntima do que nunca de sua companheira de longa data, Robyn Crawford.” A habitualmente reservada Crawford foi ficando tão exasperada com os persistentes rumores quanto Whitney estava, e ela deu sua própria entrevista, afirmando, “Whitney Houston é uma mulher casada, tradicionalmente casada. Ela adora seu marido e sua filha.  O alicerce que construímos há anos atrás, a amizade que compartilhamos, ficou lá no passado.
“Agora são negócios. Aqueles que trabalham para ela temos que mudar para nos acomodar às mudanças. Diria que, como pessoa, Whitney continua a mesma. Ela não é arbitrária ou temperamental ou arrogante, mas embora caminhe com suavidade, ela carrega consigo uma vara invisível. Se você a puser contra a parede, vai se arrepender. Acho que são as pessoas ao seu redor, incluindo a mim mesma, que temos que nos ajustar ao fato de que agora ela é tão famosa, tão requisitada.”
Infelizmente, a fama nem sempre atrai apenas bons fãs. Desde 1991, Whitney tem sido perseguida por um andarilho demente, Charles Russell Gilberg, que acredita que ela seja sua alma-gêmea e que ele é o verdadeiro pai de Bobbi Kris. Ele começou a escrever cartas prometendo ficar com Whitney e com seu bebê, o que compreensivelmente a aterrorizou e essa é apenas uma das razões de haver um esquema de segurança tão forte cercando sua família. No início de 1994, Gilberg mudou-se para Newark, nova Jersey, para ficar mais perto de Whitney, levando-a a obter uma ordem de restrição.
Ela viaja com uma comitiva de seguranças, não por ser uma prima Donna, mas porque teme por sua vida. E ela leva o seu bebê consigo, pois tem medo de deixá-la fora do alcance de sua vista. Os fãs a censuraram por isso também, acusando-a de, alguma forma, prejudicar o bebê, arrastando-a de uma cidade para outra, mas o fato é que vovó Cissy é responsável por Bobbi Kris enquanto estiverem na estrada e lhe dá todo amor e carinho que ela poderia desejar.  

No vigésimo primeiro American Music Awards anual, Whitney ganhou em oito impressionantes categorias – e, novamente, no Grammy Awards, ela ganhou o prêmio de Melhor Vocalista Pop por “I Will Always Love You.” A trilha sonora do The Bodyguard ganhou o prêmio de Álbum do Ano, e “I Will Always Love You” o de Melhor Gravação do Ano.
Embora tenha começado com uma nota promissora, 1994 viria a ser um ano difícil para Whitney. Ela não estava lidando bem com o estresse da turnê. Ela estava constantemente atrasada para as apresentações, dando desculpas vagas sobre “problemas de garganta” quando se dava ao trabalho de dar qualquer desculpa. Fotógrafos e fãs que se aproximavam demais eram impedidos por uma muralha de seguranças que ordenavam, “Afastem-se!”
Bobby pôs sua carreira de lado para acompanhar sua esposa, e internos reportam que isso colocou ainda mais pressão no casamento. Whitney o chamava no palco, pulava em seus braços, e envolvia suas pernas ao redor de seu corpo, agarrando-se a ele, enquanto dizia a plateia, “Sou uma mulher apaixonada e o homem pelo qual estou apaixonada está muito apaixonado por mim!” Depois ela o mandava de volta aos bastidores onde a Família Real comentava sobre o seu mal-humorado embaraço.
Em seu vigésimo quinto aniversário, Whitney fez para ele uma festa sensacional na elegante e cara Taverna do restaurante Green na cidade de Nova Iorque. Jamie Foster Brown cobriu o evento para a revista Sister 2 Sister e disse o seguinte: “Bobby, sua mãe Carole e Whitney subiram ao palco para receber e agradecer a presença dos convidados. A mãe de Bobby estava feliz. Ela falou, muito emocionada, e desconexa, que amava todos os seus filhos. Ela também disse amar Whitney, não por ser Whitney Houston, mas por ser sua nora. Bobby disse ‘Não importa o que pensem, meu casamento com Whitney é pra valer. E se não o respeitam, então que se fodam todos vocês!’”  
Após a festa, na sala de imprensa, um confronto físico eclodiu entre Bobby e um fotógrafo que havia sido contratado para cobrir a festa. Dizem que o fotógrafo fez um comentário sobre a mãe do bad boy esquentadinho que ele não gostou, lhe dando uma bofetada pela cara. Aqueles que eram próximos do casal diziam que a tensão de sair em turnê com sua esposa o estava deixando cada vez mais impaciente e mal-humorado. Whitney era muito exigente e Bobby não estava acostumado a ser relegado à posição de “ele está com a Whitney” – seu medo inicial de se tornar o Sr Whitney Houston parecia estar tornando-se real e isso beliscava o seu ego.
Whitney, cansada, disse a um repórter, “Quão famoso você pode ser? Quantas canções você pode ter no topo das paradas? Ter tudo isso, ter dinheiro e tudo isso, não me fizeram feliz. E ninguém entende isso. É sempre, ‘Oh, menina, estar no seu lugar!’ mas não fazem a mínima idéia. Nenhuma noção!”

    The Bodyguard tinha se tornado um sucesso tão grande que na primavera de 1994 os estúdios cinematográficos estavam inundando Whitney com roteiros. O único no qual ela mostrou ter algum interesse foi The Bishop’s Wife, um remake dos anos 40 de arrancar lágrimas estrelando Carry Grant, Loretta Young, e David Niven. Mas ela tinha uma turnê de shows para terminar, então, como no caso do The Bodyguard, ela disse ao estúdio que retornaria para eles quando estivesse livre de suas obrigações.
As tensões entre Bobby e Robyn finalmente entraram em erupção em março. A Família Real estava no Hotel Península em Beverly Hills, e Whitney e Bobby tinham sido observados em diversas ocasiões discutindo em público entre eles e com Robyn. Como relatado no livro Diva, de Jeffrey Bowman, seguranças foram convocados cedo na manhã de 24 de março por Robyn Crawford: “Quando nós chegamos ao quarto do hotel, Robyn Crawford atendeu à porta. Ela tinha um arranhão na mão e marcas vermelhas nos braços e no pescoço. Embora tivesse minimizado qualquer incidente que possa ter ocorrido, algo estava visivelmente errado. Depois de alguns instantes, os seguranças da própria Whitney Houston, que aparentemente também haviam sido chamados, chegaram.
“O Sr Brown estava esbravejando e ameaçando a Srta Crawford e nós perguntamos a Sra Whitney se ela gostaria que nós permanecêssemos até que a polícia, que também havia sido notificada, chegasse. Mas ela disse que podia controlar a situação dali. Percebemos por seu comportamento que aparentemente o Sr Brown devia estar bebendo. Parecia que Brown, Houston, e Crawford estavam todos envolvidos em algum tipo de luta.”
Nos dois meses seguintes, tanto a imprensa legítima quanto os tablóides reportaram sobre as numerosas discussões em público entre os briguentos da família Brown. Eles não pareciam ligar para quem estava por perto quando entravam em uma de suas brigas de alta tensão. Os problemas financeiros de Bobby estavam aumentando, sua carreira estava na lixeira, e sua esposa só ficava cada vez mais rica e famosa. Ela apareceu na revista Forbes, na lista dos artistas mais bem pagos do mundo, na vigésima terceira posição, com uma renda de $33 milhões de dólares.
“A auto-estima de Bobby sofreu uma queda livre,” um amigo de Regina nos contou. “Ele recebeu um mandado da Receita Federal de mais de três milhões de dólares em impostos atrasados, e não tinha a grana, nem um jeito de consegui-la. Whitney já tinha pagado sua fiança uma vez, mas agora que eles estavam brigando o tempo todo, ele já não está tão certo de ter sua ajuda novamente.”
Pessoas do convívio deles dizem que as brigas constantes não eram por causa de dinheiro, mas mulheres. Mais de uma vez, Bobby foi visto com mulheres que evidentemente não eram sua mulher. Mas parecia que não importava o quanto Whitney pudesse brigar com seu marido sobre essas questões, quando confrontada por um repórter, ela defendia ferrenhamente o seu marido. Ela disse à revista Ebony, “O casamento é uma linda instituição. As pessoas não conhecem o Bobby porque não falavam muito dele exceto que Bobby é esse homem sexy que faz toda essa performance sexual no palco. Mas Bobby é um homem de família. Bobby ama sua mãe, ama sua família.  Ele sai quando quer ouvir música, quando quer saber o que está acontecendo. Ele chega em casa. Sei onde meu marido está; sei o que meu marido faz. Há certas coisas com as quais não concordo e Bobby sabe disso. E há coisas que ele não aprova. É por isso que estamos juntos, porque ambos temos os mesmos padrões.”
Ela seguiu em frente, dizendo que tinha ouvido os boatos de que “duas pessoas negras bem-sucedidas não davam certo como um casal. É por isso que as mulheres negras às vezes se casam com homens brancos? Bobby e eu damos certo porque estamos determinados a fazer dar certo. E funciona porque confiamos um no outro e não acreditamos no que as pessoas falam. Bobby e eu somos homem e mulher. Somos casados, temos uma filha, passamos pelas coisas, temos nossas brigas como todo mundo.”
Bobby continuou a acompanhar Whitney em sua turnê, mesmo com os tablóides os separando e reconciliando semanalmente. Então em junho, Whitney chamou Bobby no palco como sempre fazia no início de uma apresentação e deu a ela a feliz notícia que estava grávida novamente. A plateia gritou em aprovação enquanto os Browns se beijavam apaixonadamente.
“Nunca encontrei nada na vida que me realizasse mais que ser mãe,” Whitney disse, radiante de alegria. “Mal posso esperar para dar um irmãozinho ou uma irmãzinha para Bobbi Kris. Gostaríamos de ter três filhos, e espero que este seja um menino.”
Mas não era para ser. Ela teve um aborto espontâneo um mês depois.
Depois de menos de uma semana de descanso, ela estava de volta ao circuito com sua turnê com Bobby ao seu lado. Fãs disseram que ela parecia cansada e abatida e seu humor ainda menor que o costumeiro. Seus atrasos às apresentações continuaram e sua atitude era “vá para o inferno” se alguém ousasse tocar no assunto. Em agosto, enquanto se apresentava em Anaheim, Califórnia, ela surpreendeu a plateia, ao pedir, em prantos, que os holofotes fossem postos nos filhos de O.J. Simpson e Nicole Brown, Sydney e Justin, que estavam na plateia. Lágrimas rolaram de seu rosto e ela parecia não notar os suspiros de choque da plateia. Um fã disse, “Foi humilhante e muito estranho – todos ficaram envergonhados.”
Outro fã acrescentou, “Sydney e Justin pareciam muito desconfortáveis e achei de muito mau gosto fazer aquilo com as pobres crianças. Será que já não tiveram holofotes suficientes sobre eles para durar uma vida inteira?”

Pessoalmente, 1994 tinha sido um ano infernal para Whitney, mas profissionalmente ela tinha posto na estante um número surpreendente de premiações e adulações. Naquele outono, ela e sua comitiva voaram para a África do Sul para um compromisso de três semanas, o qual foi chamado de “o maior evento na mídia desde a posse de Nelson Mandela.” O show de Whitney reuniu música, libertação, história, e amor enquanto mais de setenta mil negros e brancos sul-africanos lotavam o Estádio Ellis Park em Johanesburgo. Foi a primeira vez que um show reuniu Sul Africanos de todas as raças e partidos políticos e ligou temporariamente a África do Sul aos Estados Unidos através de uma conexão pela HBO, que levou o evento para milhões de espectadores.
Anunciado simplesmente como “Whitney – O Show Por Uma Nova África do Sul”- ela entrou para o clube exclusivo das superstars globais de um só nome. Em um deslumbrante vestido dourado colado à sua figura esbelta, ela entrou no palco agitando as bandeiras dos Estados Unidos e da África do Sul uma em cada mão. O vestido foi acentuado com designs africanos arrojados de uma couraça com longos pendentes de contas e grandes medalhões dourados que caiam até abaixo da virilha. Brincos de contas brilhantes, na altura dos ombros, saiam de seu turbante dourado, que era preso no centro da testa por um fecho de jóia.       
O momento delicado da sensacional turnê foi quando ela referiu-se a controversa Winnie Mandela como “sua rainha” e foi recebida por uma saraivada de vaias da plateia. Sempre mal-humorada, Whitney sacudiu a cabeça e respondeu: “Eu não me importo com o que vocês pensam!”
O restante do compromisso de três semanas correu sem problemas, tanto que Whitney os impressionou em Durban e Cape Town, excursionou por Soweto, e visitou diversos orfanatos. As manchetes dos jornais anunciavam, “A Rainha do Pop Visita Rei Mswati III,” em Swaziland. Ela disse aos repórteres que “o que mais a impressionara tinha sido o orgulho, a força, e a dignidade das pessoas em face do que parecia ser dificuldades insuperáveis. Isto parece a minha casa espiritual e eu adoraria a oportunidade de voltar para outra visita.”
Ela graciosamente se submeteu a várias sessões de fotos com o Presidente Mandela e a certa altura chegou a chorar abertamente em seu ombro. Cissy, que havia acompanhado sua filha, foi convidada a subir ao palco em Cape Town e fez uma empolgante performance de uma de suas velhas canções gospel. Bobbi Kris havia ficado nos Estados Unidos com uma babá.   
De volta aos Estados Unidos, fãs e repórteres ainda estavam picotando tanto Whitney quanto Bobby. Histórias de uso e tráfico de drogas continuavam a perseguir Bobby onde quer que fosse – e ele continuava a responder às acusações com os punhos. Quando Whitney não estava lutando com ele, ela lutava por ele, constantemente dando aos seus fãs (e a si mesma) novas garantias de que seu casamento era bom. Boatos vieram à tona no final de 1994 de que ele havia engravidado outra mulher, e foi finalmente confirmado que ele tinha mesmo tido seu quarto filho, nascido logo após seu casamento em 1992. Ele está atualmente enfrentando um processo de paternidade por este caso.
Cada revista de cinema que trazia uma reportagem sobre Whitney, também levava cartas de fãs descontentes que já estavam fartos da dupla mais improvável da década.  Todo mundo, ao que parecia, estava cansado das brigas em público e notícias de mais discórdia entre os belicosos Browns. Uma dessas cartas, escrita para a revista Fresh! resumia o sentimento geral entre os fãs:
“Whitney Houston passa todo o seu tempo tentando nos convencer de como seu marido idiota é maravilhoso e fica aborrecida porque dizem que ela se casou com o tipo errado. O que ela esperava? Ela era tão boa e simpática, e ele passa metade do seu tempo engravidando alguém e depois as larga. A única razão dele não tê-la largado é porque ela é rica e pode fazer muito pela carreira dele.”
Essa parecia ser a opinião de quase todos os repórteres que entrevistavam o casal, e questionavam a lógica de tal união. “Se não conseguem se entender, divorciem-se, mas por favor, poupe-nos da constante lavagem de roupa suja em público.”
Pamela Howell, uma escritora free-lance da Atlanta, teve uma experiência interessante com Bobby Brown. Ela foi aos bastidores para entrevistá-lo após um show de premiações local e não tinha dito mais que algumas palavras quando “ele começou a me abraçar e me beijar. Eu acabei ficando com a cabeça presa debaixo do braço dele. Ele nunca respondeu nenhuma das minhas perguntas. Ele só queria me apalpar. Ele agiu como um cafajeste.”
Enquanto a personalidade espinhosa e dura das ruas de Bobby aguçava a ira dos fãs e repórteres, a inata simpatia de Whitney mantinha sua popularidade em alta.  Ela era difícil e humilde, suave e dura como osso, possuidora de gratidão e atitude. Ela podia praguejar como um estivador em um momento e depois louvar a Deus no momento seguinte. Seu rosto podia assumir o sarcástico ar de arrogância se alguém a desagradasse, e depois suavizar-se em uma brilhante Madonna quando olha para o rosto de sua filha. Ela era um paradoxo, e isso era o que mantinha o público interessado em cada passo seu.  
Ela contou à revista Ebony, “Minha mãe cantava para mim quando estava em seu ventre; eu cantei para Bobbi Kris quando ela estava no meu. Acredito que a criança começa a se desenvolver a partir de então, e tudo o que puser dentro de você, tudo o que ler, tudo o que pensar, tudo o que fizer, afeta a criança. Então eu basicamente apenas lia e ouvia música. E viajava com o meu marido em turnê, então Bobbi Kris ouvia música constantemente.”

“Whitney é uma pessoa normal que gosta de fazer coisas normais e gostaria de levar uma vida normal,” disse Cissy. “Mas obviamente, não consegue.”  

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Capítulo 11: Contenda na Família Real

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Contenda na Família Real


O final do verão e o início do outono de 1992 foram difíceis para Whitney. Ela ficou muito enjoada nos primeiros meses de sua gravidez, e com Regina acrescentando mais estresse com suas ameaças e hostilidade constantes não ajudava em nada. The Bodyguard estava previsto para ser lançado, e Whitney teve que retornar ao estúdio para polir os vocais que foram usados no filme. Ela cantou seis canções no filme, e eles tinham que escolher uma para o tema. Kevin Costner sugeriu “I Will Always Love You,” e Whitney achou que era a escolha perfeita.
                Clive Davis e o produtor-arranjador David Foster não estavam convencidos, todavia. Eles queriam alguma coisa um pouco mais animada e sugeriram “I’m Every Woman,” mas Costner prevaleceu. Ele também insistiu que Whitney começasse a canção cantando a cappella. Ninguém mais gostou do arranjo, mas novamente, o que Costner queria, Costner conseguia. E ele provou estar certo. Tornou-se um mega hit, permanecendo no topo das paradas por inéditas quatorze semanas – o maior tempo que uma canção ficou na primeira posição na história da Billboard.   
Quando os repórteres perguntaram a Dolly Parton o que ele achou de sua canção ter se tornado um enorme sucesso com a interpretação de Whitney, ela simplesmente sorriu e disse, “Docinho, todas as vezes que esse disco for tocado, significa mais dinheiro no meu bolso. Estou agradecida até a morte!” Até hoje, ela já ganhou cerca de $3 milhões de dólares com o lançamento.
A carreira de Whitney nunca esteve tão saudável e ela nunca tinha ficado tão feliz. Ela adorava estar casada e grávida. Ela ridicularizava todos os boatos de que Bobby ainda era o mesmo velho mulherengo, chegando a dizer a revista Vibe, “Tenho um bom marido. Ele cuida de mim. Não preciso ter medo de nada porque sei que ele dá um jeito. Desrespeite-o e terá um problema.”
A carreira outrora promissora de Bobby tinha estagnado e seu álbum recém lançado era uma frustração. Suas finanças estavam agonizando e ele estava à beira de perder sua casa em Atlanta quando sua mulher veio em seu auxílio. A Receita Federal tinha os privilégios fiscais em $1.3 milhões de dólares de sua mansão em estilo Tudor quando Nippy, Inc. comprou-a em leilão. Estava bem maltratada, obviamente alvo de vandalismo, com portas penduradas em suas dobradiças, privadas entupidas, e cobras se arrastando no fundo de uma piscina vazia.
   Bobby acabava de tornar-se o Sr Houston e isso o irritava. Sempre combativo, ele ficou ainda mais ríspido com os repórteres e sempre viajava com “seus rapazes” como backup de segurança. Ele estava envergonhado por seu álbum ter sido um fracasso e sua carreira estar enfraquecendo enquanto a de sua esposa continuava a decolar. Os boatos sobre drogas continuavam a persegui-lo, e quando Cissy entrou na cozinha de Whitney e encontrou “seus rapazes” cheirando carreiras de cocaína, ela ameaçou chamar a polícia. Dificilmente uma semana se passava sem que os tablóides reportassem algum tumulto novo em que Bobby não estivesse envolvido. Ele e Whitney eram vistos discutindo em público em diversas ocasiões, induzindo notícias de que seu casamento já estava passando por problemas. Whitney ria e dava de ombros. “Nós não discutimos apenas,” ela disse. “Temos os velhos arranca-rabos que as pessoas casadas têm. Ele me deixa louca. Ele tem um temperamento dos diabos, mas eu o amo muito.”

 The Bodyguard estreou no dia 23 de novembro de 1992, no Grummann’s Chinese Theater em Hollywood e contou com a presença da brilhante elite do show business. O filme foi muito criticado pelos críticos, mas completamente abraçado pelo público freqüentador de cinema. Todos, ao que parecia, estavam clamando para dar uma olhada em Whitney Houston lá em cima na tela de prata, e não ficaram decepcionados; ela nunca tinha estado mais bonita. (O filme chegou a ganhar mais de $400 milhões de dólares no mundo todo enquanto a trilha sonora vendeu 33 milhões de cópias, tornando-se um sucesso no topo das paradas.) Três das canções no álbum, “I’m Every Woman,” “Queen of the Night,” e “I Have Nothing,” tiveram influencia multimedia.
O público pode ter adorado Whitney, mas não sentiam o mesmo por seu marido. “O que ela vê nele?” perguntavam os repórteres em todos os artigos escritos sobre os recém-casados. Ninguém conseguia entender por que ela continuava a apoiar seu marido mesmo quando ele continuava a comportar-se mal, mas ela o apoiava. Em seu álbum, intitulado simplesmente Bobby, ela fez um dueto com ele, “Something in Common,” e Bobby dedicou essa música a “todos aqueles que não acreditam no amor, especialmente no nosso.”
Whitney estava esperando que sua participação no disco de Bobby o ajudasse a fazer dele um sucesso, mas ele foi mal recebido e as vendas foram frustrantes. Obviamente isso causou conflito no casamento quando Bobby começou a achar que ele estava condenado para sempre a ser comparado a sua famosa esposa. Ele sempre foi ambicioso e trabalhou muitos anos para tornar-se um sucesso, agora ele não tinha tanta certeza de que aconteceria.
Natal de 1992 foi um assunto solene para a Família Real. O casamento tinha apenas cinco meses e já parecia estar forçando as costuras. Whitney estava extremamente grávida com quase noventa e um quilos e estava compreensivelmente desconfortável. Ter que lidar com a imprensa a respeito de seu marido era ruim o bastante, mas seus pais ainda não tinham o aceitado também. Boatos de que ele era viciado em craque persistiam, e Cissy acreditava neles. Ela era meramente civilizada com seu genro, e Robyn Crawford era igualmente fria com ele. Ele deve ter se sentido na cova dos leões com essas duas mulheres de temperamento forte, dominadoras e criticas.
Whitney estava furiosa que as revistas continuassem a especular sobre sua preferência sexual. “Sou uma mulher casada, pelo amor de Deus! Uma mulher extremamente grávida e casada. Estou tão cansada de responder a pergunta sobre ser gay. Quando vão me deixar em paz, inferno?”    
O casamento de Bobby com Whitney jogou os holofotes nele também, e ele não gostava nem um pouco, tanto quanto ela. “Nós estamos apaixonados quer acreditem ou não,” ele dizia. “Não sou nenhum drogado e minha esposa não é lésbica, okay? Não me casei com ela para continuar minha carreira e ela não se casou comigo para dar um fim aos boatos sobre ser gay. Nós nos apaixonamos, nos casamos, e vamos ter um filho, é isso.” Nunca um casamento esteve sob tão intenso escrutínio, e isso os estava enlouquecendo. 

Durante as festas de fim de ano, eu voltei com Regina. Nós já havíamos voltado a nos falar por telefone, e eu ainda estava em contato com John e Cissy também.  Com a perda do emprego na Nippy, Inc., Regina precisava de outra colocação e me pediu para ajudá-la.  Liguei para um amigo meu, Allen Johnson, na Joey Boy Records, que deu a ela um emprego como vice-presidente de publicidade. Seu salário era de $2.500 dólares por mês, e ela também estava fazendo publicidade para o grupo gospel Comission, em Detroit, por $1.600 dólares e para Walt Whitman and the Soul Children, por mais $1.600 dólares. Mais que suficiente para viver muito confortavelmente, mas ela ainda era gananciosa e queria mais. Ela me ligou um dia e disse que havia conversado com o editor do Globe e contou a eles sobre John me pedindo para dar uma surra em Robyn.
“Eles disseram que pagariam cinqüenta mil dólares por sua história,” ela me contou, “e eles querem que você voe para Los Angeles para encontrá-los.”
No começo eu recusei, mas ela me assegurou que eles não usariam o meu nome ou foto, eles só queriam os detalhes da história. Eles pagariam por meu tempo longe do trabalho e todas as minhas despesas, então eu pensei a respeito e concordei. Estava frio em Chicago e alguns dias na ensolarada Los Angeles soava bem. Além do mais, senti que deveria ir a público com o que havia acontecido entre John e eu, no caso de alguma coisa me acontecer mais tarde. Ele é um bastardo impiedoso que não está acostumado a receber não como resposta, então eu estava preocupado com o que ele poderia fazer. Fui acomodado em um belo condomínio em Westwood e tive uma reunião com Kathy Tracy, uma repórter do Globe, que me contou uma história bem diferente da que Regina tinha me contado. Eles queriam que eu posasse para fotos e queriam usar o meu nome.
“Não foi isso o que me disseram,” eu disse a Kathy. “Achei que vocês só quisessem ouvir minha história.”
“Nós temos que usar seu nome e foto ou poderíamos ser processados por John Houston. Disse a Srta Brown do que precisávamos.”
Mais uma vez, Regina tinha mentido para mim. Eu já estava pensando em desistir quando Kathy insistiu em um teste de polígrafo, dois na verdade, administrado por um ex-agente da CIA. Eles fizeram muitas perguntas sobre a família de Whitney e minha relação com eles, e eu passei. Agora que tinham certeza de que minha história era verdadeira, eles queriam muito publicá-la. Eu disse, “Deixe-me pensar a respeito e ligo para vocês mais tarde.”
De volta ao condomínio, liguei para Regina e disse a ela o que tinha acontecido. “Você sabe que não quero meu nome ou foto sendo usados,” eu disse.
“Kevin, não seja burro,” ela disse. “Pegue a grana. Estamos falando de cinqüenta mil aqui. E daí que queiram usar seu nome e foto. Grandes merdas. Vai ser esquecido em poucas semanas.”
“De jeito nenhum,” disse a ela, depois liguei para Kathy Tracy para dizer a ela que não estava interessado em fazer a matéria. Ela me disse que Regina tinha feito um acordo de “compensação” com eles por ter arranjado a história comigo, e Kathy tentou me convencer a fazê-la.
No avião, voltando para Chicago, pensei na confusão que minha vida tinha se transformado por causa de Regina, e decidi que ia assumir o comando novamente. John e Cissy ainda estavam sendo ameaçados de serem expostos no livro de Regina, então eu decidi mudar de lado. Quando chegasse em casa, ligaria para John e diria a ele o que sabia sobre o manuscrito de Regina e me ofereceria para frustrar seus planos. Conhecia sua advogada, Linda Mensche, e tinha participado de muitas reuniões com elas, e achei que provavelmente poderia conseguir que ela me representasse.
Quando deixei Regina logo depois do casamento, tinha começado a escrever todas as coisas ilegais que ela já tinha feito aos Houstons e já tinha um manuscrito bem robusto de minha própria autoria. Regina é muito preocupada com sua reputação no ramo da música e não ia querer que ninguém soubesse como ela realmente trata os seus clientes. Imaginei que se pudesse ameaçá-la com uma exposição, ela largaria sua própria exposição dos Houstons e eles ficariam gratos. Em muitas ocasiões, tanto John como Whitney haviam me prometido um contrato com uma gravadora e isso seria minha “compensação” – eu não queria nenhum dinheiro, só queria o que eles haviam prometido, uma carreira como cantor.
Escrevi para John a minha proposta assim que cheguei em casa. Queria que tudo estivesse registrado, uma vez que não confiava mais em ninguém. Também juntei meu manuscrito, fiz cópias, e autentiquei no dia 14 de dezembro de 1992. Encontrei a advogada de Regina, Linda Mensche, e perguntei a ela em que pé estava o processo de Regina, e ela me disse que Regina não conseguia decidir o que queria fazer. Um minuto ela dizia que queria seguir adiante com o livro, e no minuto seguinte ela queria negociar um acordo com os Houstons por sua indenização, mas se recusava a assinar uma retratação. 
Estava jantando com Regina uma noite e toquei no assunto, dizendo a ela que ela devia simplesmente aceitar a indenização que John havia oferecido e seguir em frente com sua vida.
“Você está deixando todo mundo infeliz com esse comportamento hostil,” disse a ela. “Se continuar com isso, os Houstons vão ficar tão putos que não vão querer te dar mais nada.”
“Eles que se fodam,” ela disse. “Vou fazer milhões com esse livro.”
“Pense em Whitney. Quer você queira admitir ou não, ela foi muito boa com você durante muitos anos. Ela não precisa dessa merda na vida, especialmente agora que está grávida. Posso entender como se sente a respeito de John. Inferno, todos sabem que ele é uma cobra no mato, mas não vai conseguir atingi-lo sem atingir Whitney.”
“Quem se importa? Ninguém ligou a mínima quando eles me magoaram. Eles simplesmente me despediram e deram um chute no meu rabo!”
Tentei explicar que ela tinha traído Whitney com seu duplo-acordo, vendendo suas fotos de casamento e também a informação sobre a lua de mel, mas Regina não via nada de errado nisso. Ela insistia que pelo menos metade do que era escrito sobre Whitney nos tablóides vinha da própria Whitney, então por que ela não podia fazer uns trocados por si mesma? Lembrei-a de todos os presentes que ela havia roubado de Whitney e diversas outras coisas que tinha feito que eram ilegais.
“Eu quero te ajudar de verdade,” disse a ela, “e estou disposto a ir ao John negociar sua indenização, mas vai ter que assinar uma retratação, prometendo que nunca escreverá nada sobre os Houstons.”
Ela riu na minha cara, e foi então que eu tirei o meu manuscrito da pasta. Tinha mais cópias em casa, pois sabia que ela ia tentar destruí-lo se pusesse as mãos nele. “É isso aí, querida. Ou você faz um acordo com os Houstons ou eu publico meu próprio livro expondo você como uma ladra e uma mentirosa. Acho que não quer isso. Sua reputação será destruída no ramo da música. Você não vai conseguir emprego nem com o Tiny Tim.”
“Você está blefando,” ela disse, mas vi medo em seus olhos quando ficou claro para ela todas as coisas que estive a par nos últimos anos.

Alguns dias mais tarde, John me ligou e disse o quanto apreciava o que estava tentando fazer. “Esta merda que Regina está tentando fazer está me matando e deixando Whitney uma pilha de nervos. Ela não precisava estar se preocupando com essa putinha conivente enquanto está grávida. Ela já tem problemas suficientes com a mídia normalmente. Teria dado um jeito na vagabunda por mim mesmo, mas tenho estado muito doente ultimamente.”
Ele tinha diabetes, sua visão estava falhando, e ele já não era mais tão intimidante como costumava ser. Ele não tinha problemas para me ajudar a iniciar minha carreira e disse, “Com toda essa merda acontecendo, eu acabei esquecendo completamente a sua carreira na música, mas se puder calar aquela cadela, vamos botar essa bola pra rolar.”
Ele me pediu que voasse para Nova Jersey para encontrá-lo e levar o meu manuscrito. Donna, a esposa de Michael, que trabalhava nos escritórios da Nippy, Inc., fez minhas reservas. Durante o vôo, fantasiei sobre o quanto todos ficariam felizes e gratos por ter conseguido tirar Regina de seus encalços. Eu tinha certeza de que Whitney faria jus a sua promessa de gerenciar minha carreira. Depois de toda a porcaria que tinha passado com a Família Real, eu merecia.
Fiz o check-in no Holiday Inn e desci para esperar pelo John no bar. Faltavam três dias para o Natal e eu estava pensando que tremendo presente de Natal seria esse. Eu realmente senti uma pontada de culpa por Regina, mas a empurrei para fora do meu pensamento. Todos os problemas pelos quais estava passando, ela mesma os tinha criado, e quase me destruiu no processo.  Era hora de começar a pensar em mim mesmo. Estava sentado no bar, tomando um rum com Coca-cola, quando vi John entrar flanqueado de cada lado por dois rapazes brancos. Caminhei até eles e o cumprimentei e ele olhou bem dentro dos meus olhos com um olhar de puro ódio. Ele não disse uma só palavra.
Um dos homens estendeu sua mão para mim e disse, “Oi, Kevin. Sou Sheldon Platt, advogado de Whitney.” Ele me apresentou ao outro homem, também um advogado, e John continuava a me encarar como se eu fosse um pedaço de bosta grudado à sola do seu sapato. O silêncio cresceu até o Sr Platt dizer, “Tenho que me desculpar por John. Ele anda meio indisposto ultimamente. Este negócio com a Srta Brown é muito estressante para todos nós.”   
Eu o ignorei e olhei bem dentro dos olhos de John. “Não sei qual o seu problema, mas não estou gostando da sua atitude, John. Vim até aqui para tentar ajudá-lo a sair de uma situação complicada, e você assume essa postura agressiva. Não preciso dessa merda. Tenha um pouco de respeito ou levou meu traseiro feliz de volta para Chicago!”
Isso chamou sua atenção e ele disse, “Kevin, sinto muito. Sinto muito mesmo. Não é culpa sua. Tenho estado mais doente que um cachorro e eu só quero acabar logo com isso o quanto antes. Não quero mais processos pairando sobre nossas cabeças quando Whitney tiver seu bebê.”
 Parabenizei-o por tornar-se vovô e ele sorriu pela primeira vez. Fomos ao salão de conferencias e Platt disse que John havia contado a ele sobre meu manuscrito, listando todas as coisas que Regina havia feito enquanto trabalhava para Nippy, Inc. e pediu para vê-lo. Não tive problemas com isso; havia levado comigo por esta razão, mas agora estava começando a suspeitar. John tinha me levado a acreditar que assinaríamos um contrato de gerenciamento de gravadora, e quando eu vi os advogados, simplesmente deduzi que estivessem ali com um contrato.
“Estou com ele bem aqui,” disse, indicando minha pasta. “Mas achei que estivéssemos aqui para discutir sobre a minha carreira. Por que esses rapazes precisam ver o manuscrito?”
“É para isso que você está aqui, Kevin,” John disse, “mas os advogados precisam apenas dar uma olhada para ver o que temos aqui.”
Não precisava sentir um sopro no ouvido para saber quando alguém estava tentando me ludibriar.
O outro advogado entrou na conversa. “Precisamos saber o que Regina fez, ilegalmente, enquanto trabalhava para a Srta Houston. E é nossa intenção processá-la.
“Isso mesmo,” John gritou. “Quero jogar seu rabo na cadeia por toda dor e agonia que causou a minha família.” Ele começou a discursar sobre a cadela traiçoeira que ela era e como ela devia estar trepando com pelo menos uma dúzia de outros homens enquanto estava morando comigo. Ele era como um velho leão desdentado, ainda rugindo, mas ninguém mais prestava atenção nele. Enquanto um dos advogados tentava acalmá-lo, o outro estava me cozinhando sobre o livro de Regina. Ele queria saber se eu o tinha visto, e quando eu disse que tinha, ele me pediu para dizer a ele o que tinha lido.
“Não vou fazer isso,” disse a eles. “Pensei que o propósito dessa reunião fosse impedi-la de publicar o livro, não mandá-la para a cadeia.”
Eles ofereceram pagar pela informação e perguntaram quanto custaria para também verem o meu manuscrito. “Não se trata de dinheiro,” eu disse. “Nunca se tratou de dinheiro. Quero que os Houstons façam jus a sua promessa de me conseguir um contrato de gravação. Isso é tudo o que sempre quis.”
Continuaram a me atormentar e me disseram, “Estamos dispostos a te fazer um jovem muito rico. Tudo o que tem a fazer é nos dizer o que sabe sobre o livro da Srta Brown e nos deixar ver o que escreveu.”
Olhei dentro dos olhos de John e uma onda de medo tomou conta de mim. Cheguei a sentir os pêlos do meu braço se eriçarem. Alguma coisa estava definitivamente errada aqui. Estava caindo numa emboscada. Resmunguei alguma coisa do tipo “tenho que pensar melhor,” e voltei correndo para o meu quarto e liguei para Regina. Não importa quantas vezes ela tinha mentido para mim e me ferrado, eu ainda a amava. Não conseguia evitar. Minha única razão de querer fazer um acordo com John era a de impedir que Regina escrevesse um livro e de pressioná-lo a honrar nosso acordo em relação a minha carreira como cantor. Não queria ser responsável por ela ser presa ou jogada na cadeia.   
Depois que relatei o que havia transcorrido na reunião, Regina perguntou se eu tinha mostrado o manuscrito e eu disse a ela que não.
Disse a ela que o meu vôo era para o dia seguinte, e ela disse que faria contatos para que eu pudesse sair dentro de uma hora. “Simplesmente caia fora daí e não diga a ninguém que está saindo!”
Peguei minhas bolsas e fui direto para o aeroporto, sentindo como se tivesse escapado realmente por um triz. Não levava jeito para esse negócio de capa e espada. Desde que comecei a me envolver com os Houstons, minha vida virou de cabeça para baixo.
Regina estava me esperando no aeroporto e se jogou nos meus braços, me beijando e chorando e dizendo o quanto tinha sentido a minha falta. Estávamos arrancando as roupas um do outro no segundo que chegamos em casa e caímos na cama, prometendo não nos separarmos nunca mais. Sentia uma afinidade com ela como se ambos fossemos vitimas da ira de John Houston. Também éramos companheiros de conspiração de certa forma, e isso nos aproximou ainda mais.

Em janeiro de 1993, Robyn ligou para mim. Não nos falávamos há algum tempo, então fiquei surpreso com sua ligação. Sua voz estava suave e um pouco triste quando ela disse, “Ei, Kevin, como vai, querido?” Nós trocamos amabilidades por alguns segundos, e então ela disse, “Ouvi alguns boatos aqui pelo escritório que me deixaram perturbada e queria saber se são verdadeiros. John ofereceu te pagar para me dar uma surra, quebrar meus braços e pernas?”
Eu não queria admitir, então eu disse, “Deixe-me colocar dessa forma, Robyn. Não há dinheiro suficiente no mundo que me faça machucar um dos meus amigos. E você é minha amiga. Nunca me fez mal nenhum e sempre foi direta comigo até onde eu sei.”
Ela começou a chorar baixinho e em sua voz havia uma tristeza pesada, e alívio também. “Sabia que nunca me machucaria, Kevin. Não acreditei quando ouvi porque sempre senti que nos entendemos. Sempre pude ser eu mesma com você. Não estou surpresa por John, no entanto. Ele é um cuzão e seu dia está chegando. Ele não pode controlar todo mundo como fazia.”
Perguntei a ela como Whitney estava indo e ela suspirou. “Bem, não estamos mais tão próximas como antes. É praticamente só negócios agora. Sinto sua falta e tenho que ficar me lembrando de que ela está casada agora, e grávida, e isso muda uma mulher.” Perguntei a ela como estava indo a gravidez, e ela me disse que Whitney tinha desenvolvido toxemia, o que fez sua pressão arterial subir e suas pernas e pés incharem.        
“Ela tem que ficar com os pés para cima a maior parte do tempo porque ela está enorme. Ele dever estar com mais de 100 quilos, e seu médico não está gostando nada disso. Ela ora todos os dias, ‘Querido Deus, deixai esse bebê nascer agora!’ É tão estranho vê-la assim, Kevin. Ela não é mais a minha Nippy magricelinha.”
Conversamos por mais alguns minutos e ela desligou com, “Por favor, cuide-se, Kevin. Tenha muito cuidado de agora em diante. E lembre-se que te amo.”
Cerca de uma hora depois, John Houston me ligou. Ele estava usando sua voz extralegal, salve-companheiro-bom-te-ver. Ele não perdeu tempo e foi direto ao assunto. “Kevin, eu alguma vez já pedi que você machucasse Robyn Crawford de alguma forma?”
Para ele sair com uma pergunta como essa, sabia que devia estar comigo no viva-voz e alguém deveria estar ouvindo. “O que está tentando fazer, John? Nós dois sabemos o que aconteceu.”
Ele deu uma gargalhada falsa e disse, “Não, não, Kevin. Se eu realmente disse alguma coisa desse tipo, você devia saber que eu estava brincando. Você com certeza não achou que eu estivesse falando sério, não é mesmo?”
“Sim, John, eu realmente achei que estivesse falando sério. Na verdade, eu tenho certeza de que estava falando sério. Você não me ofereceria dinheiro e um contrato com uma gravadora se estive apenas de brincadeira.”
Ele ficou uma fera, gritando e xingando. “Seu mentiroso de merda! Se você for a público com essa merda, eu vou negar categoricamente e fazer da sua vida um inferno!” ele xingou e continuou um pouco mais, gritando, “Você não vai sair facilmente dessa, Kevin. Estou te avisando, mantenha essa sua boca fechada ou vai se arrepender, seu canalha!”

Ele bateu o telefone na minha cara e eu lembro de ter pensado, Que jeito  infernal de começar 1993!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Capítulo 10: Apressando as Fotos do Casamento

10

Apressando as
Fotos do Casamento


No dia 18 de julho de 1992, a Diva do Pop e o Bad Boy do R&B trocaram votos. As núpcias foram realizadas na mansão multimilionária de Whitney em Nova Jersey. A orquestra de dezessete músicos do New York Metropolitan Opera tocaram a marcha nupcial enquanto John Houston conduzia sua Nippy pelo corredor ornado de flores.
Como descrito por Jeffrey Bowman em seu livro Diva, os convidados engasgaram ao ver o deslumbrante vestido de Whitney. O vestido de $30.000 dólares, feito de renda francesa de Lyon com pérolas iridescentes, pérolas brancas e lantejoulas, arrastava no chão. Sua frente era em corpete, com rendas macias cobrindo o colo e os ombros de Whitney, levando a uma gargantilha de pérolas com acabamento em contas. O vestido era realçado com uma calda de mais de um metro – a renda sozinha custando mais de $4.000 dólares. Whitney usou um gorro de contas combinando, ao qual um véu foi preso. Sapatos brancos, simples e de salto baixo garantiram que ela não parecesse mais alta que seu marido.
“Bobby, que parecia extremamente nervoso, vestia um terno branco com caldas. Sua camisa era gola de monge, fechada com uma jóia de prata.”
Regina me disse que nunca tinha visto Whitney tão linda e feliz. “Estou começando a acreditar que ela está realmente apaixonada por esse garoto,” ela disse.  “Eles não conseguiam manter suas mãos ou olhos longe um do outro. Assim que o pastor os declarou marido e mulher, sete pombas brancas forma soltas e voaram sobre suas cabeças. Foi o casamento mais esplêndido no mundo.”
Então Regina me abraçou e disse em uma voz pequena, “Gostaria tanto que estivesse lá, querido. Estou deprimida que seu convite tenha se extraviado.”
Encostei minha cabeça no encosto do sofá e fechei os meus olhos enquanto ela falava sobre o casamento e a recepção. Acho que ouvir de alguém que esteve presente era melhor que nada.
Ela disse que Whitney havia contratado um exército de guarda-costas, e os convidados tinham que passar por um detector de metais e cinco pontos de inspeção para entrar. Seguranças permaneceram na entrada da festa o tempo todo. “Whitney não soube,” Regina disse, “mas John contratou seus próprios seguranças para ficarem de olho em Robyn. Ele estava com medo que ela executasse seus muitos planos de matar Bobby. Ele disse, ‘aquela vaca é louca o bastante para tentar uma façanha como essa,’ e ele não queria correr nenhum risco de Nippy se machucar.” 
Regina ficou surpresa e um pouco ofendida que Whitney tivesse escolhido Robyn para sua dama de honra porque ela queria ter ficado ao lado da noiva. “Pensei que ela quisesse uma mulher como dama ao invés de uma sapata velha e desagradável.” 
Ela me contou que na manhã do casamento, Whitney mandou um Porsche preto de presente para Robyn, para assegurar que ela ficasse de bom humor e não fizesse uma cena e a envergonhasse. A imprensa noticiou que o Porsche tinha sido um presente de agradecimento pelos muitos anos de lealdade de Robyn.
Regina gritava de tanto rir, rolando na cama, e dizendo, “Está mais para muitos anos de cheiração de cú e lambeção de xoxota.” 
Nenhuma câmera havia sido permitida no casamento exceto as do fotógrafo oficial, Marc Murphy Bryant, que Whitney havia contratado. Antes de sair em lua de mel, ela disse a Regina para vender algumas das fotos ao National Enquirer e dar a John Houston o dinheiro. Em caso de emergência, ela também disse a Regina onde ela e Bobby estavam planejando passar a lua de mel e a fez jurar segredo. Eles ficariam fora por duas semanas, e Whitney precisava tirar umas férias dos olhares indiscretos e do estresse dos últimos meses. Ela não queria que ninguém perturbasse seus planos, especialmente os paparazzi.
Depois de comemorar até o amanhecer com seus convidados, os noivos voaram a bordo do Concorde para a Europa, onde um iate estaria esperando para levá-los em um cruzeiro Mediterrâneo de dez dias. O iate tinha nove tripulantes e estava equipado com tudo o que os recém-casados iam precisar – jacuzzi, TV, VCR, estéreo – tudo pago pelas gravadoras Arista e MCA.
“Presente de casamento bem elegante.” Regina disse quando me contou. “Não que não possam bancar. Whitney fez milhões de dólares para eles.” Tudo era sobre dinheiro para Regina.
No dia seguinte, Regina começou as disputas e os embates. Ela sabia que John Houston estava esperando $15.000 dólares então ela começou a discutir com os tablóides, vendo quem pagaria mais. Ela fez um acordo de $85.000 dólares mais um adicional de $2.500 dólares pelo paradeiro da lua de mel. Agora tudo o que tinha a fazer era por as mãos nos negativos e fazer suas cópias. Ninguém teria sido mais esperto. Ela pagaria a John seus $15.000 dólares e faria um pequeno lucro para si. Antes de partir, Whitney disse a Regina que queria que Robyn fosse com ela buscar as fotos ao meio dia na segunda-feira.
Há tempos Robyn vinha suspeitando que Regina fosse quem estava vazando informação na Nippy, Inc., mas Whitney não lhe deu crédito. Contudo, para satisfazer Robyn e suas suspeitas, Whitney concordou que ela fosse com Regina pegar as fotografias e negativos do Marc Bryant – só por precaução.
Regina ligou para Marc Bryant no domingo e contou a ele uma história sobre precisar pegar “algumas fotos hoje mais tarde, e depois Robyn e eu passaremos amanhã para o restante.” Marc tinha tirado literalmente centenas de fotos então não era problema, e ele inocentemente deixou Regina fazer sua retirada.
Nesse meio tempo, John ligou para Regina e perguntou se ele poderia dar uma olhada nas fotos antes, já que ele queria algumas para o seu “álbum pessoal,” quando o tempo todo ele mesmo também já tinha feito outro acordo com um tablóide de Londres! Todo mundo tinha uma agenda, incluindo Robyn. Ela queria ver as fotos primeiro porque tinha feito um arranjo com a Johnsons Publications por uma foto exclusiva de Bobby e Whitney, e ela também tinha prometido mandar algumas para a revista Ebony.
Regina havia planejado chegar ao estúdio de Marc antes de Robyn e substituir as fotos que havia copiado, mas Robyn chegou cedo e, vasculhando as fotos, percebeu que diversas delas estavam faltando. Robyn ficou lívida e exigiu saber o que Regina estava fazendo com as fotos. Inocentemente, Regina disse a ela que John queria dar uma olhada nelas antes que fossem enviadas ao Enquirer. “Veja. Aqui estão. Qual o problema?”
Regina me ligou (ela tinha passado os últimos três dias na casa de Whitney em Nova Jersey) e me contou que Robyn havia lhe dado o olhar mais frio, mais duro, mais odioso que ela já tinha visto. Depois Robyn disse, “Sei o que está tramando, Regina, e dessa vez você não vai sair ilesa dessa.”
“Eu juro por Deus, Kevin, fiquei toda arrepiada. Parecia que uma bruxa estava caminhando sobre o meu tumulo.”
Eu peguei Regina no aeroporto naquela noite e nós não estávamos em seu condomínio mais que três minutos quando Robyn ligou. Regina atendeu, ouviu por alguns segundos, depois ficou fula, gritando com toda força dos seus pulmões, “Morra, sua sapatão! Não tenho que ouvir suas merdas!” Ela bateu o telefone e ele tocou novamente imediatamente. Ela atendeu e gritou, “Não tenho medo de você, sua sapata doente! Espere só a Whitney voltar, você vai estar numa merda de dar dó!” Ela bateu o telefone mais uma vez e ele começou a tocar novamente, então dessa vez eu atendi, achando que seria melhor eu dar um fim a isso tudo.
“Ela só está puta porque Whitney quer levar uma vida normal,” Regina estava berrando. “Droga de sapatão estúpida – queria que ela morresse e deixasse todo mundo em paz!”
Quando Robyn ouviu minha voz, ela disse, “Lamento que esteja envolvido com essa piranha, Kevin, porque ela está ferrada. Diga a ela por mim que os dias dela na Nippy, Inc. estão contados. Sempre suspeitei que ela fosse quem estava alimentando os jornais, e agora eu tenho certeza. Pode dizer a ela também que ela é uma puta traidora e baixa e que eu mal posso esperar para ver sua cabeça rolar quando Whitney voltar para casa.”
Não tive a chance de dizer uma só palavra antes de Regina arrancar os fios do telefone da parede e jogá-lo do outro lado da sala. Ela estava soluçando histericamente e dizendo, “Eu não fiz nada de errado – só fiz o que Whitney me mandou fazer. Vendi as fotos para o Enquirer e vou dar o dinheiro ao John, exatamente como Whitney me pediu para fazer.”
Sugeri que ligasse para o John e contasse a ele o que acabara de acontecer com Robyn. “Se você estava seguindo as ordens de Whitney,” eu disse, “não deveria haver problema nenhum.” Eu sabia do seu acordo de $85.000 dólares – mais o adicional de $2.500 dólares pelos planos da lua de mel – mas ela não sabia que eu sabia. Mal podia esperar para ver como ela planejava sair dessa. Ela era mestre na arte da manipulação, então eu me servi de uma taça de vinho e me encostei para assistir uma artista em ação.
Ela juntou o telefone e o plugou na tomada e discou o número de John. Suas mãos estavam tremendo. Nunca a tinha visto tão chateada assim antes, mas não senti um pingo de pena dela. Este confronto estava para acontecer há muito tempo. Ela explicou ao John o que tinha ocorrido com Robyn e disse a ele, “Eu não fiz nada errado, John. Estava seguindo as instruções de Whitney. Tenho um cheque para você na minha bolsa de quinze mil dólares.”
“Nominal a mim?” John perguntou. “No meu nome?” Quando Regina disse que sim, ele disse, “Isso foi uma tremenda burrice, Regina. Você sabe que não posso ter cheques nominais a mim. Os tablóides podem rastreá-los até Whitney. Ela provavelmente quis dizer que era para você fazer um acordo em dinheiro ou fazer o cheque nominal a outra pessoa.”
Regina me disse que todas as vezes que alguém na Nippy, Inc. vendia uma história para os tablóides, eles faziam o cheque nominal a alguém de fora da Família Real, geralmente uma das tias de Whitney. John pediu para falar comigo, e quando eu atendi ao telefone, ele me disse que seu advogado, Sheldon Platt, estava na outra linha para ouvir o que estávamos dizendo.        
“Regina fodeu com tudo dessa vez,” John disse. “Whitney vai ficar furiosa quando voltar para casa. Vai ser muito ruim se o público pensar que ela está vendendo as fotos do seu próprio casamento para um desses jornalecos. Então preciso que me faça um favor. Você irá à Flórida [onde fica o escritório do Enquirer] trocar o cheque por outro, nominal a Ellen White. Regina não pode entrar no escritório agora porque eles poderão ligá-la a Nippy.” Ellen White é uma amiga muito próxima da família e já usaram o nome dela no passado, dando a ela alguns dólares quando um cheque é feito nominal a ela.
Ele ofereceu pagar todas as minhas despesas, então eu disse, “Claro, John, farei isso por você.”
Regina ligou para o editor John South do National Enquirer, e ele concordou em trocar o cheque, então nos pusemos a caminho.
Ficamos no Ocean Grand Hotel em West Palm Beach. Mal chegamos ao nosso quarto, John Houston ligou, gritando e xingando. Ele disse que Robyn tinha lhe informado a respeito da traição de Regina com as fotos do casamento. Aparentemente, a Associated Press e a Johnson Publications tinham direitos exclusivos às fotos e um contrato assinado com Robyn. Se qualquer uma das fotos aparecesse em alguma outra publicação, eles poderiam e provavelmente iriam processar a Nippy, Inc. John Houston ordenou que Regina ligasse para John South e cancelasse o acordo, devolvesse o cheque, e voltasse a Chicago.
Agora Regina estava realmente ansiosa. Deve ter sido a chamada mais difícil que teve que fazer, mas ela conseguiu falar com South ao telefone e explicar que tinha havido uma “confusão e um mal-entendido,” e que ela sentia muito, mas tinha que cancelar o acordo com o Enquirer
South disse que era tarde demais para recuar, que era um negócio fechado, e ela começou a implorar e suplicar-lhe para, por favor, abrir uma exceção para ela. “Meu emprego está em risco,” ela disse a ele. “Tenho que sair dessa transação ou estarei em sérios apuros.”
Ele disse que sentia, mas que já era tarde demais; ela não podia fazer mais nada, exceto trocar o cheque nominal ao John por um nominal a Ellen White. Na manhã seguinte fui até o escritório de South e fiz a troca, e pegamos o próximo vôo de volta a Chicago. Regina não disse mais que uma dúzia de palavras. Ela estava deprimida e assustada, pensando no que ia acontecer ao seu emprego. John Houston agora sabia tudo sobre os $85.000 dólares mais os $2.500 dólares dos planos da lua de mel, e estava pronto para confrontá-la quando a visse da próxima vez. Descobrimos mais tarde que ele havia falado pessoalmente com South e descoberto as falcatruas de Regina. Ele havia falado também com Robyn e descoberto a respeito das fotos que Regina havia copiado.
Quando voltamos ao apartamento, havia um recado de John, ordenando que Regina estivesse na Nippy, Inc. no primeiro horário pela manhã para uma reunião. Ela implorou que eu fosse com ela. Ela estava com medo do que John e Robyn fariam com ela. “Eles vão me dar uma surra,” ela não parava de dizer, e estava chorando e suplicando que, por favor, eu fosse com ela e a protegesse.
“Você se meteu nessa confusão,” eu disse a ela, “e vai ter que sair dessa sozinha. Quantas vezes eu lhe disse que não perdoava o que estava fazendo com Whitney? Você deixou a ganância tirar o melhor de você. Tudo o que você pensa é em dinheiro, e não se importa com quem se machuca contando que seja paga.”
Na manhã seguinte, estava visitando minha mãe, quando o bip soou. Era uma mensagem de emergência de Regina, ligando do escritório. Eu retornei a ligação e ela estava histérica, chorando tanto que eu mal podia entender o que estava dizendo. “Aquela maldita sapatão tentou me matar,” ela disse. “Ela me atacou e me esganou e meu pescoço está sangrando! Eu disse que isso ia acontecer. Eu implorei que viesse comigo, mas você não aceitou.”
Consegui acalmá-la e ela disse que Robyn pulou em cima dela, derrubando-a ao chão e tentando sufocá-la. Quando John tentou tirá-la de cima, ela deu um tapa no rosto dele e começou a bater nele também. Estava farto de toda violência ao meu redor.  Nunca tinha visto um bando de gente tão inconstante e desejei poder simplesmente me afastar de todos eles. Mas eles continuavam balançando aquela cenoura na minha frente, me prometendo um contrato com uma gravadora, e eu ainda queria acreditar neles. Tive um pressentimento de que Regina seria demitida quando Whitney voltasse de sua lua de mel, e eu estava certo.
Regina me ligou dos escritórios da Nippy, Inc. e estava furiosa. “Acabei de ser demitida,” ela disse. “John ainda está aqui e eu disse a ele que esse foi o maior erro que ele e Whitney já fizeram! Estou farta dessa merda e eu vou arrebentar a boca desse balão.” Ela estava falando alto, mais para John que para mim. “Estou feliz que tenha acontecido. Posso ganhar dinheiro escrevendo um livro, mais do que ganhei aqui. Vou contar ao mundo sobre a Dona Boazinha ser uma sapata, e vou contar que John tentou te convencer a dar uma sova em Robyn. Eu estava lá, lembra? Ouvi cada palavra.”
Ouvi a voz de John ao fundo dizendo, “Isso seria um erro muito, muito grande, Regina.”
Disse a ela que a encontraria no aeroporto e que conversaríamos sobre isso mais tarde.
Assim que chegamos em casa, ela me atacou, acusando-me por ter perdido seu emprego. “Se você tivesse feito o que John pediu e tivesse dado uma surra naquela sapatão, eu ainda estaria trabalhando para Whitney. Ele não lhe pediu para matá-la, pelo amor de Deus, só mandá-la para o hospital por alguns meses. Aposto que não teria sido tão rápida em contar histórias a meu respeito com o maxilar quebrado!”
 Os próximos dias foram terríveis porque Regina não parava de gritar furiosamente e dizer a todo mundo que ia escrever a exposição mais quente sobre a Família Real. “E eu sei onde todos os corpos estão enterrados,” ela disse. John e Cissy ligaram ambos diversas vezes, suplicando que Regina “desista dessa idéia idiota e acalme-se para que nós possamos ter uma conversa civilizada.” Cissy perguntou a ela se ela se sentiria melhor caso recebesse uma indenização e disse que a Nippy, Inc. estava disposta a pagar bem por seus anos de serviços prestados, se ela parasse de ameaçar escrever um livro.
Então Whitney ligou e Regina ouviu por alguns segundos, e depois disse, “Está um pouco tarde para desculpas agora. Você não liga a mínima para mim. Só está com medo que eu escreva um livro e diga ao mundo como você realmente é.” Elas falaram por alguns minutos com Regina ficando agressiva e xingando-a abertamente, e em seguida batendo com o telefone. Tocou um segundo depois, e quando eu atendi, Whitney disse, “Kevin, ponha Regina no telefone.” Regina se recusou a falar com ela e Whitney falou comigo, “Kevin, é melhor você falar com essa maluca que ela está fodendo com a pessoa errada. Ninguém vai falar comigo assim ou ameaçar a mim ou a minha família. E diga a ela por mim que ela é uma piranha baixa e traidora.”
No resto da semana John e Cissy ligaram diariamente para tentar colocar um pouco de juízo na cabeça de Regina. Em um dado momento, Cissy até ofereceu tentar conseguir o emprego de Regina de volta para ela, mas Regina disse, “Enfia – eu não trabalharia para ela novamente por dinheiro nenhum!”
Cissy suplicou que, por favor, pegasse o cheque da indenização e os deixasse em paz. Ela disse que Whitney estava grávida e que todo esse tumulto não fazia bem para ela. Cissy estava tentando tudo o que estava em seu poder para acalmar Regina, mas John era outra história. Ele disse para mim, “Kevin, diga a essa cadela maluca que se ela escrever um livro, ela não vai viver o suficiente para lê-lo!”
Uma oferta então foi feita de $500.000 dólares se Regina assinasse uma retratação, e ela disse a eles, “Merda, cara, tenho uma oferta de um editor por mais que isso – e quando o livro for lançado, farei milhões!”
Whitney ligou e disse a Regina que se ela escrevesse um livro, Whitney a processaria por cada centavo que tivesse.
Regina estava constantemente tramando um jeito de se vingar dos Houstons pelo jeito como a estavam tratando. Tentei muitas vezes colocar um pouco de senso em sua cabeça, e a persuadi a aceitar a indenização e seguir com sua vida, mas ela se recusou. De forma alguma ela ia assinar uma retratação. Lembrei a ela que Whitney estava grávida e que essa era pra ser um momento feliz, não um cheio de estresse. Ela simplesmente disse, “Foda-se ela – e você também, se não for me apoiar nisso.”

Foi então que fiz minhas malas e voltei para minha mulher e filhos.  

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Capítulo 9: Whitney, Robyn e o Bad Boy do R&B

9

Whitney, Robyn
e o Bad Boy do R&B


Quando Cissy ficou sabendo sobre o noivado de Whitney com Bobby, ela vestiu sua capa de cristã, que estava sempre à mão, e choramingou, dizendo que Bobby não era bom o bastante para sua filha. “Somos uma família estritamente cristã,” ela disse. “Temos costumes e acreditamos em Deus e na família. Bobby Brown obviamente não. Ele já tem dois filhos nascidos fora do casamento – que nós saibamos – e não teve escrúpulos em engravidar nossa filha antes de fazerem qualquer voto. Esta não é a espécie de homem que quero como genro!”
Robyn colocou de forma mais sucinta: “Ele é um punk. Eu não gosto dele.”
Até John Houston, que geralmente não se envolvia em problemas pessoais, encontrou-se com Whitney e pediu que reconsiderasse, que pensasse cuidadosamente antes de casar-se. “Se não o fizer,” ele disse solenemente, “estará cometendo o maior erro da sua vida. E partirá o coração de sua mãe.”
Whitney não ouvia ninguém. Ela estava feliz. E daí que Bobby tivesse “um histórico. Todos nós temos.” Logo o passado se tornaria presente e a faria pensar se, realmente, ela estava fazendo a coisa certa. Um dos tablóides publicou que o bad boy Bobby tinha acabado de ser pai – pela terceira vez. E a mãe definitivamente não era sua noiva. A mãe do novo filho de Bobby era uma mulher com quem ele havia crescido nos conjuntos Orchard Park e ela também era a mãe de sua filha de dois anos.
Whitney ficou furiosa e disse a Regina que estava se sentindo humilhada e envergonhada. Como Bobby podia querer ter alguma coisa com outra mulher quando ele tinha a ela? Ele tinha muito a explicar, e aparentemente ele o fez muito bem. Ele convenceu Whitney de que a mulher já era coisa do passado, dizendo a ela que depois que se envolveu com ela, Whitney, ele havia rompido todos os laços com o passado. Infelizmente, ele não sabia que a mulher já estava grávida na época. Ele jurou ter sido fiel desde que ele e Whitney começaram a sair. Ela acreditou nele e o anel de noivado permaneceu em seu dedo.
Descobri mais tarde que Robyn havia contratado um investigador particular para pesquisar o passado de Bobby e ver se conseguia desenterrar alguma sujeira dele. Quando ela descobriu a mulher com quem ele tinha tido um romance desde que eram adolescentes, ela também descobriu que a mulher havia dado à luz recentemente ao segundo filho de Bobby. Ela estava contando com o famoso temperamento de Whitney para acabar com o noivado. Mas seu tiro saiu pela culatra.
Durante as filmagens do The Bodyguard, Whitney tirou umas folgas para reparar sua imagem e promover o filme. O canal ABC-TV exibiu um especial, “Whitney Houston: This is My Life,” dando ao público uma idéia das atividades diárias de uma superstar. Ela foi filmada na Nippy, Inc., como uma líder corporativa interagindo com seus empregados, em seguida visitando seus pais, descansando em casa, em sua luxuosa mansão, e se emocionando com Kevin Costner no set do The Bodyguard.
O ritmo de produção estava diminuindo, e enquanto Costner e o diretor Mick Jackson viam as gravações, eles perceberam que tinham um problema. Apesar de toda beleza e sensualidade de Whitney, ela aparentava ser fria e rígida nas filmagens. O amor que deveria estar surgindo entre sua personagem e Costner não estava acontecendo.
“Não havia química,” Jackson disse. “Pareciam dois companheiros passando o dia juntos ao invés dos amantes avassaladores que deveriam ser.”
Costner tinha uma clausula em seu contrato que dava a ele a opção de reeditar o corte final do filme caso não estivesse satisfeito com o corte do diretor. Ele não estava satisfeito. Ele havia prometido a Whitney que se ela fizesse este filme com ele, ele a faria “ficar bem na fita,” e ela não estava tão bem quanto ele achou que ela poderia. Ele sabia que este era seu primeiro papel, que ela era uma cantora, não uma atriz, e ele achou que era sua responsabilidade fazer a coisa certa por ela. Sua beleza clássica brilhava em todas as cenas, então ele cortou algumas das falas mais difíceis e concentrou-se em seu rosto e corpo.
No corte final, há muitos closes de seus grandes olhos amendoados, saudosos e um pouco tristes, refletindo seu medo e incerteza. A câmera se detém em seu corpo sensual e movimentos graciosos. A força pungente da canção-tema, “I Will Always Love You,” tocando ao fundo, dando vivacidade onde não havia nenhuma.
“I Will Always Love You” havia sido escrita pela cantora country Dolly Parton há mais de duas décadas antes, e tinha feito pouco sucesso com ela. Quando Whitney a regravou, escalou nas paradas até o topo, tornando-se um megahit.
Com o término das filmagens, Whitney voltou sua atenção ao planejamento do seu casamento. A princípio, ela e Bobby tinham querido simplesmente fugir e evitar a imprensa que eles sabiam ia persegui-los, mas Cissy não queria nem ouvir falar nisso. Se sua filha teimosa insistia em seguir em frente com esse casamento, então Cissy queria que fosse um casamento para entrar para a história. Ela mesma não tinha tido um casamento elegante, então mais uma vez ela estaria vivendo suas fantasias através de Whitney.
Com a relutante aceitação de Cissy em relação a Bobby, John deu sua benção. Talvez houvesse algum dinheiro a ser feito com esse garoto inexperiente. Ele começou a olhar seu futuro genro como um possível negócio arriscado. A carreira de Bobby estava vacilante e John acreditava que poderia revitalizá-la. Talvez tivesse mais sorte assessorando a carreira de um homem do que teve com as duas mulheres obstinadas de sua vida. Ele deu início a uma campanha para conquistar Bobby.
Brigar estava em alta como nunca na Família Real, e até Clive Davis entrou na dança. Ele estava preocupado com a imagem de bad boy de Bobby e tinha medo que respingasse em Whitney. A Arista Records tinha gasto milhões de dólares e muitos anos criando e polindo a imagem de querida e íntegra cristã de sua cliente, e ela era de longe sua artista mais bem-sucedida. Manter seu status de superstar era mais importante que nunca, e Davis estremeceu com a idéia de que ela pudesse jogar tudo isso pelo ralo com um canalha das ruas. Ele convocou uma reunião com ela e pediu para sua garantia pessoal que Bobby estivesse pronto para comprometer-se.
Em seguida, o advogado de Whitney convocou uma reunião e apresentou a ela um acordo pré-nupcial para que Bobby o assinasse. Ela ficou ofendida e disse isso a ele. Seu noivo a amava, não o seu dinheiro. Regina disse que Cissy ficou furiosa por Whitney não aceitar o conselho de seu advogado. Afinal de contas, ela agora valia mais de $30 milhões de dólares e Cissy não queria que Bobby pusesse as mãos em um centavo sequer desse dinheiro.
A lista de convidados continuava a crescer, e quando Whitney pessoalmente me convidou, disse a ela que nada me impediria de ir. Ela disse que me mandaria um convite e me pediu que o guardasse, porque teriam tanta segurança que ninguém poderia entrar sem um. Prometi guardá-lo como a minha própria vida.   
Mais tarde naquela noite enquanto Regina e eu estávamos jantando, ela me perguntou, “Kevin, se alguém te oferecesse cinco mil dólares por seu convite de casamento, você o venderia?”
“Claro que não,” eu disse. “Prometi a Whitney que estaria lá e que nada me impediria de ir.” Fiquei curioso e perguntei por que me havia feito tal pergunta.
“Tenho recebido dezenas de ligações da imprensa. Todos estão querendo uma cópia do convite para publicar em seus jornais.” Ela riu e disse, “Parece que a pequena Nippy é o ticket mais quente da cidade esses dias.”
Vários dias depois, perguntei a Regina quando poderia esperar meu convite, e ela disse que estariam sendo entregues três dias antes do casamento por razões de segurança. Não pensei em nada no momento, até que um dia, passando por uma banca de jornal, vi uma foto de Whitney na capa do Globe com legendas sobre o seu convite de casamento. Comprei o jornal e dentro dele havia uma cópia do seu “convite oficial de casamento” assim como informação sobre que tipo de vestido ela estaria usando. O primeiro pensamento a vir em minha mente foi, obviamente, Regina. Eu sabia que ela tinha alguma coisa a ver com isso.
Quando voltei ao seu apartamento, mostrei a ela o jornal e ela deu de ombros e disse, “É falso. Os convites reais estão sendo feitos à mão e o designer ainda está trabalhando neles.”
Acreditei nela, mas alguns dias depois eu a peguei. Era manhã de domingo e ela achou que eu ainda estivesse dormindo, mas eu tinha levantado por algum motivo e enquanto passava pela porta da cozinha, a vi em cima de um banco, guardando uma pasta em cima do armário. Fingi que não tinha visto nada e ela logo saiu para encontrar com sua mãe na igreja.
Peguei a pasta e abri. Estava cheia de histórias que ela havia vendido para os tablóides sobre todo mundo, desde Whitney até Michael Jackson, Oprah Winfrey, e muitos outros astros. Havia fotocópias dos cheques que ela tinha recebido e as quantias eram atordoantes. Não é de admirar que pudesse morar como uma rainha nesse apartamento luxuoso na melhor parte da cidade! E lá estava o convite de casamento de Whitney.
Vasculhei todos os seus papeis e descobri que ela tinha uma sofisticada operação secreta. Muitas de suas fontes vinham do escritório do colunista Irving “Kup” Kupcinet do Chicago Sun Times. Kup recebia telegramas do mundo inteiro para a sua coluna, e alguém os escolhia e os repassava para Regina, quem só então os vendia para os tablóides. Encontrei informação sobre Stedman Graham, namorado de Oprah Winfrey. Regina o conhecia há anos, e todas as vezes que se falavam, ela cavoucava pedacinhos de informação dele sobre Oprah, mudando um pouco a história apenas o bastante para que ele não reconhecesse de onde tinha vindo, e vendendo aos jornais.
Olhando para trás, eu era uma grande prostituta tanto quanto ela. Eu queria o estrelato mais que qualquer coisa e estava convencido de que Regina era o meu ticket para a família Houston e o seu apoio.
Quando ela chegou em casa, estava sentado no sofá, segurando a pasta, e ela começou a xingar e esbravejar, dizendo “Com ousa revirar meus pertences pessoais,” e começou a me estapear, mas segurei o seu braço. “Você está doente,” eu disse. “Precisa de ajuda. Como pôde fazer isso com Whitney? Ela sempre te tratou bem e te pagou um bom salário. Por que você faria algo assim? Apenas diga o porquê.”
“Preciso de dinheiro,” disse carrancuda. “Tenho muitas contas e ainda ajudo minha mãe. Você sabe disso.”
Era verdade. Tinha a visto dar cheques a sua mãe de tempo em tempo, mas certamente nenhum tão alto assim. “Sua ganância será a sua ruína,” disse a ela. “Tem traído muita gente e o seu carma vai te cobrar.” Senti um enjôo no estômago por saber que amava uma mulher que podia ser tão desonesta, e quis ir o mais longe dela que fosse possível. “Você sabe,” eu disse, “não são só as histórias, mas como pôde vender o convite de casamento de Whitney? É muito baixa, cara. Realmente uma porcaria.”
Estava indo para a porta e disse, mais para mim mesmo que para ela, “Estou quase contando a Whitney o que fez.”
 Ele veio voando pela sala e se jogou em cima de mim, enroscando seus braços e pernas em volta de mim, chorando e implorando que não contasse a Whitney. “Por favor, Kevin, por favor, querido,” ela soluçava. “Não faça isso. Vou mudar, eu prometo. Dê-me uma nova chance, por favor, querido.”
Ela começou a me beijar e se esfregar em mim, descendo para segurar e acariciar o meu pênis. Senti-me enfraquecer como sempre me sentia quando ela ligava seu tipo especial de fazer amor. Este dia não foi diferente quando me permiti ser levado ao seu quarto.

À medida que o dia do casamento se aproximava, a tensão na Nippy, inc. estava explodindo em toda parte. A mulher que tinha acabado de ter um filho de Bobby ligava constantemente, ameaçando arruinar o casamento e “destruir Whitney Houston” se ela não o cancelasse. Robyn tinha tentado de tudo que podia pensar para separar Bobby e Whitney, mas não estava dando certo. Então foi que John aproximou-se de mim e disse que estava disposto a pagar “muito dinheiro para que dessem um fim em Robyn.” Depois ele mudou para “só dar uma boa surra nela, quebrar alguns ossos e ensinar a vadia intrometida a cuidar da sua própria vida. Se alguém a matasse, isso partiria o coração de Nippy.”
Robyn estava pirando o tempo todo, falando mal de Bobby, dizendo o quanto era um canalha mulherengo e drogado, e que não ia deixar Whitney jogar sua vida fora se casando com ele. Ela atacava verbalmente todo mundo na Nippy, Inc. que não concordasse com ela, e finalmente Whitney botou um ponto final. Na verdade elas chegaram a se agredir e Whitney a colocou para fora da mansão, onde Robyn vinha morando há anos. Bobby agora estava passando a maior parte do tempo lá, e mais de uma vez ele disse a Robyn que não ia dividir sua casa com ela depois que ele e Whitney se casassem. “E também não vou dividir minha esposa com você, então vá se acostumando!” Bobby declarou.
Alguém vazou a briga para os tablóides (me pergunto quem!), criando todo o tipo de especulações a respeito da amante lésbica de Whitney ser expulsa em favor do bad boy Bobby Brown. Com o seu casamento às portas, Whitney percebeu que teria que tentar, mais uma vez, provar que era uma mulher heterossexual se casando com o homem que amava. Ela falou com um repórter do Los Angeles Times, alegando, “Robyn é minha melhor amiga, que me conhece melhor que qualquer mulher jamais conheceu. Temos sido chegadas há anos, mas quando conheci Bobby, Robyn e eu já tínhamos passado tempo suficiente juntas. Nós éramos colegas de quarto, mas agora que estou me casando, ela se mudou para o seu próprio apartamento, a cerca de trinta minutos de distância.”     
Algumas semanas antes do casamento, Robyn deu uma completa reviravolta. Ela estava calorosa e simpática e pareceu aceitar que Whitney não estivesse mais em sua vida. Ela chamou Regina e sugeriu que elas fizessem um chá de panela para Whitney no Rihga Royal Hotel em Manhattan. Foi uma festa cheia de estrelas com champagne, caviar, e muitas risadas. “Whitney se divertiu bastante,” Regina me disse. “Ela ganhou uma porção de calcinhas e camisolas sensuais, e alguém deu a ela um par de algemas de veludo e uma camisinha que acende no escuro. Mas ela não vai precisar da camisinha. Ela disse que pretende engravidar o quanto antes.”
O bom humor de Robyn só durou até o fim da festa, depois ela voltou a falar mal de Bobby para todos que quisessem ouvir. Bobby sentia por Robyn o mesmo que ela sentia por ele, e eles tentavam ficar fora do caminho um do outro em consideração a Whitney. Mas com um casamento para planejar ficava difícil. Uma noite um grupo estava sentado depois do jantar, discutindo o casamento quando Bobby disse a Robyn que queria tirar umas coisas do peito. Ele não gostava do fato de Whitney e Robyn compartilhar suas roupas, e disse a ela que não queria vê-la mais usando as roupas de sua mulher.  A revista Star tinha acabado de sair com um artigo que provavelmente desencadeou esse confronto.
De acordo com o que Janet Carlton havia escrito na Star, Whitney e Robyn foram vistas fazendo compras juntas na Barneys em Nova Iorque. “Elas pegaram uma braçada de roupas masculinas e o vendedor presumiu que fossem para Bobby, mas Whitney disse, ‘Não, eu quero experimentá-las.’ Ela e Robyn experimentaram ternos masculinos, paletós, e sapatos e acabaram levando suéteres idênticos da Dolce & Gabbana.”
Robyn, sempre briguenta, se ofendeu com a opinião de Bobby sobre o compartilhamento das roupas e se ergueu de um salto, apontando o dedo em seu rosto. A discussão logo se transformou em uma disputa de gritos com Robyn pulando em cima dele. Whitney a agarrou, tirando-a de cima dele e levando-a para longe enquanto convidados boquiabertos olhavam espantados sem acreditar no que viam.     
Mais tarde Whitney ria disso, dizendo a um repórter, “É claro que não é verdade! Primeiramente, se fosse verdade, Robyn teria sido nocauteada. Mas Bobby é um cavalheiro. Ele nunca lutaria com uma mulher.” Os convidados que haviam testemunhado a luta só menearam a cabeça e apostaram por quanto tempo esse casamento ia durar – ou mesmo se ia acontecer.
Pessoas que conheciam Whitney há anos estavam vendo uma mudança tomar conta dela. Ela tinha se tornado mais irritadiça, rabugenta e pavio-curto. Ela sempre tinha detestado os repórteres, mas agora eles simplesmente pareciam diverti-la. Ela não parecia mais ligar para o que escreviam sobre ela. “Eles vão escrever o que quiserem de qualquer jeito,” ela disse para mim e para Regina um dia. “Não importa o que eu diga. Eles simplesmente inventam alguma merda e dizem que eu disse.”
Notei algo nela também. Ela começou a falar na gíria dura das ruas, muito étnica e confrontante. Ela gingava quando andava, e se estivesse vestindo jeans, ela pendurava seus dedões pelos laços da correia como um homem.
“As pessoas acham que eu sou a Srta Certinha,” ela disse a um repórter da revista Time. “Mas eu não sou. Gosto de me divertir. Posso baixar o nível, a um nível assustadoramente sujo, com você. Posso ficar atrevida. Aprendi a ficar mais solta só por estar perto do Bobby. Aprendi a ficar um pouco mais relaxada – não tão contida, sabe? Desde que tenho estado com ele, tenho ficado, sabe, um pouco mais livre das minhas neuras.”
Bobby disse ao Los Angeles Times, “Talvez eu seja um bad boy e ela pode ser a Queridinha da América, mas é amor. Quando acontece, você tem que agarrar com unhas e dentes. Não pode deixar escapar, não importa o que todos digam. Whitney é uma mulher que tem orgulho de ser negra. Isso foi o que realmente me atraiu nela. Ela é linda, não só por fora, mas por dentro. Quando terminamos um show, ele veste um jeans e nós damos um role.

Presentes de casamento chegavam aos montes, pinturas, cristais, jóias, prataria, utensílios de cozinha. Regina os abria e ficava com os presentes que queria, depois mandava o restante para Whitney. Quando disse a ela que estava roubando como um ladrão ordinário, ela mandou que eu tomasse conta da minha própria vida.
Bobby ainda estava gerando má publicidade, devido a uma acusação de embriaguez pública, e os fãs de Whitney a estavam censurando publicamente com cartazes que diziam “Whitney, como pôde?” e “Não se case com ele, Whitney.”
Whitney respondeu, “Sou como essa princesa americana e a America branca quer que eu me case com um cara branco. Eles não entendem por que eu ia querer um homem negro e forte.”
O amigo de longa data de Bobby, Jamie Foster Brown (nenhum parentesco), editor da Sister 2 Sister, veio em seu auxílio e disse à imprensa, “Muitos homens ficam intimidados com mulheres fortes e poderosas, mas Bobby não. Ele sempre apoiou Whitney. Ela conhece o lado particular de Bobby, um lado que o público não conhece. Sei que ele é bravo e perdeu o controle recentemente, mas eu também sei que ele é um homem gentil, sensível e humilde, que adora cozinhar e que ama Whitney e ama seus filhos. Todos os tipos de mulheres têm se jogado para cima dele desde que ele tinha treze anos de idade. A maioria dos homens, especialmente os artistas, não estão preparados para dizer não. Mas Whitney promete que isso não tem importância; ela acredita que ele evoluirá. Os brancos não entendem como é difícil para uma mulher negra bem-sucedida encontrar um negro com quem ela possa estar em pé de igualdade. Estou te dizendo, não há muitas opções lá fora!”

Por sua vez, o comportamento de Robyn ficou tão bizarro que acabou preocupando os Houstons. Ela fazia birra todos os dias, ameaçando bater em todo mundo, xingando os outros a torto e a direito, e fazendo os funcionários da Nippy, Inc. sentirem-se infelizes. Ela disse para mim, Regina e John que “Se Whitney seguir adiante com esse casamento, vou realizar uma coletiva de imprensa e contar para todo mundo que sou amante de Whitney, que temos sido namoradas há anos, e depois me mato!”
Ela estava constantemente nos dizendo que ia vender à imprensa a história de seu relacionamento com Whitney e todos na Nippy, Inc. Ela alegava ter informação sobre uma transação de Bobby envolvendo drogas, e que ia ligar para a polícia.
John estava no seu limite. Ele já tinha tentado tudo o que podia para calar Robyn, mas ela estava fora de controle e continuava a criar problema onde quer que fosse. Finalmente, ele aproximou-se de mim e disse, “Temos que fazer alguma coisa a respeito daquela vadia filha da puta. Ela está arruinando minha família e levando todo mundo à loucura. Ela sempre controlou Whitney, e agora que não consegue mais, ela está perdendo a noção da realidade. Estou seriamente com medo que ela acabe machucando alguém. Não podemos deixar que isso aconteça, Kevin. Não deixarei que nada aconteça a Nippy.”
“Eu gostaria de simplesmente explodir a cabeça desse sapatão, mas se eu explodisse, eu ia matar a Whitney. Eu não quero perder meu bebê.”
Conversamos por um bom tempo e finalmente ele chegou onde queria. “Te pago seis mil dólares se você puser o temor de Deus nela. Dê uma surra nela, quebre alguns ossos pra ela saber que eu não estou de brincadeira.”
“Só tem um problema, John,” eu disse lentamente. Não podia acreditar que ele estivesse falando sério. Estava protelando, tentando ver o que mais ele tinha para dizer. “Como eu poderia chegar tão perto? Ela me conhece e...”
Ele interrompeu com um aceno de mão e uma série de obscenidades. “Venha por trás e bata na cabeça dela com um taco de beisebol. Depois coloque as pernas dela no meio-fio e esmague-as, quebre suas rótulas e seus dois braços!”
Ele continuou delirando por mais alguns minutos, e eu fiquei balançando a cabeça, dizendo, “Não, John. Ei, cara, não posso fazer isso...”
“Consigo um contrato de gravação para você. Eu prometo, terá um álbum lançado até o final do mês. Tem que fazer isso por mim, Kevin.”
Não preciso nem dizer que passei. A caminho de casa, saindo de sua casa, aprendi mais uma lição sobre crueldade. Regina me perguntou por que eu não atacaria Robyn. “Não é grande coisa,” ela disse. “Você estaria fazendo um favor para todo mundo, e ainda sairia com um contrato assinado dessa. Por que você se recusou a fazer esse favor para o John? Eu mataria aquela sapata miserável em um minuto se achasse que podia sair ilesa dessa. Mas todo mundo sabe o quanto eu a odeio, então saberiam que fui eu.”
Quando voltamos ao apartamento, notei três belas estatuas na mesa de Regina, perguntei de onde elas tinham vindo, e ela disse que tinham sido mandadas para Whitney, mas que ela tinha gostado tanto delas que decidiu ficar com elas para si. “São Lladro – da Espanha,” ela me disse, “e são muito, muito caras.”
“Regina, isso é o mesmo que roubar,” eu disse. “Como pode fazer isso com Whitney?”
“Não é roubar porque Whitney nunca vai saber. Ela não faz idéia do que as pessoas mandam para ela.”

Faltavam três dias para o casamento e eu ainda não tinha recebido o meu convite. Quando perguntava a Regina a respeito, ela usava de evasivas com vagas promessas de que “estava a caminho,” mas eu estava começando a me preocupar. Eu queria ir a esse casamento mais que qualquer coisa no mundo. Tinha visto uma cópia da lista dos convidados, e parecia um quem é quem dos grandes nomes de Hollywood. Oitocentas pessoas foram convidadas, mas só consigo me lembrar de algumas delas, minhas celebridades favoritas de todos os tempos como Stevie Wonder (que Regina depois me disse que também se apresentou na recepção), Leslie Uggams, Patti LaBelle, Dionne Warwick, Aretha Franklin, Gladys Knight, Natalie Cole – todos amigos de longa data e colegas artistas negros. O que me derrubou foi saber que Donald Trump e Marla Maples também foram! Eu nem sabia que Whitney os conhecia.

Nessa época eu fiz algo realmente estúpido. Regina disse que Whitney estava uma pilha de nervos com todas as histórias nos jornais sobre os caminhos tortuosos de Bobby no tráfico de drogas, e que ela estava com medo de comprar maconha. Ela queria saber se eu poderia trazer um pouco para ela quando viesse. “Além do mais, ela acha a erva de Chicago melhor, mais potente,” Regina disse.
Eu teria feito qualquer coisa por Whitney nessa época, então, como um tolo, eu concordei. Enfiei trinta gramas de maconha na cueca e fui para o aeroporto. Estava suando como louco, com medo de que algum cão farejador viesse atrás de mim.   Não consigo dizer como fiquei tão nervoso durante a viagem inteira, e prometi que nunca mais me arriscaria desse jeito novamente. Então da próxima vez que Regina se aproximou, dizendo que Whitney queria que eu trouxesse erva para ela, eu recusei de cara. De forma alguma eu ia por minha liberdade em risco e encarar uma prisão, nem mesmo por Whitney Houston.


Final de tarde, 17 de julho, véspera do casamento, tinha que encarar o fato de que não estaria lá. Meu convite nunca chegou, e eu não conseguia falar com Regina pelo telefone. Estava obvio até mesmo para o mais tolo do mundo o que tinha acontecido. A cópia do convite que eu tinha visto no Globe era do meu. Regina tinha interceptado o convite e vendido para eles. Partiu meu coração. Era a decepção mais devastadora da minha vida.